quarta-feira, 30 de setembro de 2026

SEU REFLEXO

DEZ ARMADILHAS MENTAIS QUE ATRAPALHAM A TOMADA DE DECISÃO


Que o ser humano não é completamente racional não é novidade para ninguém. Mas o surpreendente é que cometemos equívocos de pensamento mesmo quando acreditamos que estamos usando a lógica.
Essas escorregadas são a matéria-prima do livro A Arte de Pensar Claramente, escrito por Rolf Dobelli, ex-executivo do grupo suíço de aviação Swissair, cofundador da empresa Getabstract, especializada em resumos de livros, e criador do Zurich Minds, organização sem fins lucrativos que visa discutir novas ideias nos campos da ciência, arte e negócios.
Partindo de episódios cotidianos, pesquisas científicas e estudos psicológicos, o autor mostra que, ao usar o senso comum, as pessoas cometem erros de decisão sem nem mesmo perceber.
Para melhorar o raciocínio lógico e a tomada de decisões, Rolf nada contra a corrente (inclusive de uma de suas empresas) e afirma que é necessário aumentar o contato com textos longos — dos livros, principalmente. “Sou contra notícias superficiais, não leio jornal e não me faz falta”, diz o autor. “Além de nos dar uma noção equivocada dos riscos, as notícias curtas nos fazem acreditar que entendemos o mundo, e o fato é que não entendemos.”
A seguir, descubra quais são os dez erros de raciocínio mais recorrentes, de acordo com Rolf, e saiba o que fazer para não cometê-los.

Como se proteger de deslizes na hora de fazer escolhas

1 - Ter excesso de confiança
O conhecimento e a capacidade de prognosticar costumam ser superestimados pelas pessoas. A maneira mais comum para testar o chamado efeito de excesso de confiança, abordado pela primeira vez pelos pesquisadores Marc Alpert e Howard Raiffa, era por meio de jogos de adivinhação, perguntando às pessoas quanto estavam seguras em relação a uma opinião específica ou às respostas que davam.
Elas erravam muito mais do que acreditavam — ainda mais se fossem especialistas. O ceticismo é a arma contra essa armadilha. Duvidar das próprias projeções e pensar em cenários pessimistas é importante para decidir melhor.

2- Iludir-se com a fama
Sofremos a ilusão do corpo de nadador. A expressão é de Nassim Taleb, autor de A Lógica do Cisne Negro. Ele decidiu nadar duas vezes por semana com a ilusão de que ficaria com a silhueta semelhante à dos profissionais.
Mas notou que os atletas não têm esse físico por ser bons nadadores: nadam bem porque têm corpo adaptável ao esporte. O mesmo pode ser aplicado à Universidade Harvard.
Muitos profissionais bem-sucedidos estudaram lá. Isso significa que é uma boa escola? Não. Apenas que recruta os melhores alunos. Para qualquer projeto que exija esforço, analise seu perfil e seja bastante sincero antes de pular na piscina.

3 - Acreditar na unanimidade
Em 1950, o psicólogo Solomon Ash comprovou como a pressão do grupo desvirtua o bom senso. Uma pessoa avaliava o tamanho de algumas linhas.
Quando estava sozinha, costumava acertar. Mas, quando dividia a sala com um ator que respondia errado de propósito, tinha mais propensão a errar. Em 30% dos casos, a pessoa avaliada creditava a resposta equivocada. É uma fragilidade que requer atenção: desconfie das unanimidades.

4 - Só enxergar os sucessos
O chamado “viés de sobrevivência” é, de acordo com o autor, o fato de que os seres humanos superestimam sistematicamente a probabilidade de sucesso.
Como o sucesso produz maior visibilidade do que o fracasso, tendemos a olhar mais para as histórias que deram certo e menos para projetos, investimentos e carreiras que não decolaram.
Um escritor de sucesso, por exemplo, é um em meio a centenas de autores que nunca conseguiram publicar um livro. A maneira correta de encarar a realidade é conhecer projetos, empresas e produtos que deram errado. 

5 - Sentir medo das autoridades
É comum acreditar que desobedecer às autoridades pode ser perigoso. Mas, para Rolf, os líderes também erram. O que não pode ser feito é levar o pensamento a um nível inferior para não contrariar o chefe ou por temê-lo.
Isso faz com que as pessoas obedeçam a ordens esdrúxulas. Mantenha-se crítico e desafie quem, teoricamente, sabe mais. Isso aumenta a liberdade e a autoconfiança.

6 - Achar que, se não aconteceu, nunca vai acontecer
Esse pensamento é chamado de “viés de disponibilidade” e ocorre, por exemplo, quando alguém pensa que, se conhece uma pessoa que sempre fumou e morreu aos 100 anos, o cigarro não é tão prejudicial.
É um engano perigoso, pois cria um falso mapa de riscos mental. Foge disso quem convive com pessoas que têm opiniões e estilos de vida diferentes: a diversidade funciona como um escudo.

7 - Ficar preso à reciprocidade
A reciprocidade se resume a ajudar o outro porque ele o ajudou. O cientista Robert Cialdini, que pesquisou o assunto, constatou que o ser humano não gosta de se sentir culpado.
Por isso, fica pressionado a retribuir e pode misturar as relações, como favorecer um cliente que ofereceu ingressos para o futebol. A melhor estratégia é recusar presentes e favores.

8 - Pensar que muito esforço significa bons resultados
Quando alguém dedica muita energia a uma tarefa, tende a superestimar os resultados. O nome disso é justificativa do esforço. Cursos de MBA usam essa estratégia deixando os alunos atarefados em excesso e tão exaustos que, no futuro, vão pensar que a qualificação foi essencial para a carreira — mesmo que não seja verdade.
Sempre que investir em algo que demandou esforço, examine friamente o resultado — e apenas o resultado.

9 - Não largar uma ideia ruim
Muitos profissionais não desistem de projetos fadados ao fracasso apenas porque já gastaram tempo demais em cima daquela ideia. É a falácia do custo irrecuperável. Isso atinge as pessoas fora do ambiente de trabalho, em planos que demandaram investimento de tempo, energia e dinheiro.
Quanto mais se gastou, maior a pressão interna para não desistir. O problema é que se anda em círculos: o projeto ruim não abre espaço para um novo projeto melhor. Na hora de continuar ou não com algo, não importa o que já se investiu, mas qual é a estimativa de futuro.

10 - Sentir-se tranquilo porque está bem informado
Há hoje a sensação de que, quanto mais informação disponível, melhores as decisões tomadas. Segundo Rolf, isso é falso. O argumento do autor é o seguinte: se as centenas de milhares de economistas do mundo com pilhas de relatórios, estudos e levantamentos não conseguiram prever a crise financeira de 2008 que assolou os Estados Unidos e a Europa, informação não é tudo.

Moral da história: não se sinta seguro porque está com todos os dados em mãos nem perca tempo tentando reuni-los. Preste atenção nos fatos presentes na hora de tomar uma decisão.
Por Dalen Jacomino
Fonte Exame.com

VEJA DICAS PARA MANTER A PRODUTIVIDADE TRABALHANDO EM CASA

Não só de flores vive aquele que pratica o home-office

Nos dias de hoje, trabalhar em casa tem sido uma prática cada vez mais comum no mundo dos negócios. O funcionário foge do trânsito, faz seu próprio horário e se comunica com os colegas de trabalho por meio da internet. No entanto, não só de flores vive aquele que pratica o home-office: há muitos pontos negativos nesse tipo de trabalho.
Confira algumas dicas para que seu trabalho não seja prejudicado pela sua rotina em casa e para que o contrário também não aconteça:

1. Separe a sua casa do seu trabalho
Separe um espaço para montar a infra-estrutura do seu escritório. Pegar o notebook no colo e ir a qualquer canto da casa pode atrapalhar no seu rendimento. Saiba separar o espaço certo para cada atividade.

2. Mesmo em casa, bata cartão
Estabeleça um horário e cumpra esse compromisso. Só assim, você conseguirá manter-se dentro da linha entre o limite e a disciplina, nãon fazendo horas extras à toa e não esquecendo dos compromissos do trabalho por conta de outros relacionados à sua vida pessoal.

3. Troque de roupa
Tudo bem que você não será visto por seus colegas de trabalho - a menos que use teleconferências no Skype ou algo do tipo -, mas procure não trabalhar de pijama. Isso ajuda a convencer a mente de que o momento é de trabalho e não de lazer.

4. Feche a porta e fique sozinho
Se tiver um escritório próprio, feche a porta. Se morar com mais alguém, explique que esse é seu horário de trabalho e exija respeito quanto a isso.

5. Tenha uma boa cadeira
Também em casa é necessário manter a postura na hora de trabalhar. Afinal, o seu corpo não perdoará se ficar por horas e horas em uma posição não adequada.

6. Anote, não corra para o computador
Teve aquela ideia espetacular de madrugada? Evite a ida ao seu escritório particular fora do horário de expediente. Anote e faça o trabalho no horário de trabalho.
 
7. Cuidado com as distrações
Tenha controle sobre o tempo que é gasto com distrações. Pausas são necessárias, mas não podem ser longas demais ou acontecer repetidas vezes. Procure lembrar que, na escola, você também tinha aulas e intervalos em horários definidos.

8. Exceções não são regras
Não esqueça de que sua vida profissional não pode ultrapassar o limite e coordenar as tarefas da sua vida pessoal. Cuide de si mesmo, fique com a família e com os amigos. Jamais faça do horário extra uma obrigação diária.

9. Tenha dois telefones
Um boa forma de separar a sua vida pessoal da profissional é tendo dois telefones. Depois do horário destinado ao seu expediente, desligue o telefone profissional. Você não precisará dele até o momento de começar a trabalhar novamente.

10. Saia de casa
Com responsabilidade e organização, saia de casa e socialize com as pessoas ao seu redor. Evite transformar sua casa em uma prisão de onde você não sai nem para trabalhar e nem para se divertir.
Fonte Terra

4 DICAS DA NEUROCIÊNCIA PARA APRENDER UMA LÍNGUA MAIS RÁPIDO

Neurocientista compartilha lições valiosas para acelerar o seu domínio de um idioma

Você gosta de dizer que seu inglês é avançado, mas lá no fundo sabe que o seu nível não passa do intermediário?
Saiba que você não está sozinho. A desaceleração do aprendizado de uma língua estrangeira, até o ponto em que o estudante estaciona num patamar mediano, tem até nome: “platô intermediário”.
Conhecido de muitos alunos e professores de idiomas, o fenômeno é extremamente comum no Brasil. E a razão pela qual tantas pessoas chegam a esse ponto de estagnação tem a ver com questões emocionais, diz a neurocientista Carla Tieppo, professora da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.
“Em geral, somos muito sensíveis a críticas à nossa forma de falar uma língua estrangeira”, explica ela. “Se, no início do processo de aprendizado, a pessoa se deparou com um professor que fez uma certa expressão facial quando ela pronunciou algo errado, ou fez uma correção sem muito tato, isso pode deixar marcas na relação dela com o idioma”.
Embora profundamente ligado às emoções, o processo também depende fortemente dos seus recursos cognitivos - o que não significa que conquistar a fluência dependa apenas do grau de inteligência verbal de cada um.

Por que algumas pessoas têm mais facilidade com idiomas?
Segundo a professora Carla, a velocidade com que cada indivíduo adquire domínio sobre uma língua está atrelada a múltiplos fatores.
Um deles é a disposição psicológica para o aprendizado. Você pode, por exemplo, deixar que esse processo seja contaminado pela vergonha e pelo medo da exposição. Uma outra postura, mais produtiva, seria estar aberto à tentativa e ao erro, sem impor a si próprio a obrigação de dominar tudo de cara.
Quem tem mais facilidade para línguas costuma ter muita curiosidade e enxergar o aprendizado como um desafio, e não como um teste.
Também é preciso mencionar o papel das habilidades cognitivas de cada pessoa. A professora Carla destaca a chamada “memória de trabalho”, uma espécie de memória RAM do cérebro.
Como a comparação sugere, trata-se do componente cognitivo que permite processar vários níveis de informação ao mesmo tempo - no caso, dominar simultaneamente pronúncia, significado e regras gramaticais enquanto você se expressa. Quem tem habilidade com esse tipo de “malabarismo” de dados normalmente se sai melhor com idiomas.
Dito isso, as variáveis envolvidas nesse processo ainda não são totalmente conhecidas e continuam intrigando os cientistas.

Basta estudar as regras?
O húngaro Balázs Csigi, fluente em 7 línguas, defende que o processo de aprendizagem pode ser facilitado se o estudante fizer uma imersão na cultura do país que fala o idioma estudado.
“Memorizar palavras não é uma opção se você quer alcançar a excelência”, escreve o poliglota em artigo para o site Business Insider. “Em vez de aprender pela repetição, você precisa ir além da superfície e desvelar a cultura escondida atrás de cada palavra e expressão”.
Para justificar sua tese, o húngaro analisa o sentido da palavra inglesa “reasonable”, muito usada em expressões como “reasonable guy”, “reasonable time” ou “reasonable request”. Em português, o termo equivalente seria "razoável" ou “sensato”, mas é bem menos empregado do que em inglês.
A razão é cultural. Segundo Csigi, o uso frequente de “reasonable”, adjetivo que se origina de “reason”, tem a ver com a admiração da sociedade anglo-saxônica por conceitos como razão, ciência, lógica e senso comum.
Para assimilar essa ou qualquer outra palavra, diz ele, é preciso entender seu significado mais profundo para os povos que a empregam. Daí a importância de se estudar a cultura paralelamente às regras gramaticais e lexicais, e assim dar um salto no seu aprendizado.

Como dominar uma língua mais rápido?
Com base em conceitos e estudos da neurociência, é possível chegar a alguns conselhos práticos para acelerar o processo de aquisição de uma língua.

Veja a seguir 4 deles:
1. Insira seu aprendizado em um contexto
Imagine que você deva dizer em francês a frase “Preciso de um telefone com urgência” em duas situações diferentes: na sala de aula, durante um exercício oral, ou no meio de uma rua escura em Paris, após ter perdido os seus documentos. Em qual momento você exigirá mais do seu cérebro?
A resposta é óbvia. “Quanto maior for a necessidade de compreender uma língua ou se expressar nela, mais veloz será o aprendizado”, diz Carla. É por isso que tantas pessoas se desenvolvem rapidamente num idioma quando moram no exterior. A vida real é muito mais exigente do que as simulações: ou você aprende, ou não sobrevive.
Mas você não precisa necessariamente morar em outro país para ganhar fluência. Basta buscar contexto e necessidade para o aprendizado. Os videogames com áudio em inglês, por exemplo, são um ótimo recurso para esse fim. “Você precisa compreender o que está sendo dito para passar para a próxima fase e continuar jogando", afirma a professora da Santa Casa. "Isso traz um estímulo muito mais poderoso do que um exercício isolado na lousa”.

2. Assista a um mesmo filme estrangeiro 3 vezes
Outro método simples para impulsionar o seu aprendizado é ver três vezes um filme falado na língua que você está estudando. Na primeira, habilite as legendas em português. Na semana seguinte, veja tudo com legendas no idioma estrangeiro. Na terceira e última vez, dê o play no vídeo sem legendas.
Segundo Carla, essa é uma forma interessante de melhorar o seu processamento auditivo. Na terceira vez que assistir ao filme, sem legendas, você já conhecerá a história e talvez se lembre de vários diálogos.
Assim, você fará associações entre forma, som e significado, além de treinar o reconhecimento de várias palavras no outro idioma.

3. Ouça (muita) música
Este conselho vale especialmente para quem já teve contato com a língua estudada por meio de canções.
Você adora um determinado artista que canta em francês, espanhol ou inglês, por exemplo? Ao ouvi-lo - especialmente se tiver a letra da música em mãos - é provável que você tente compreender o que ele canta.
Está aí a grande contribuição da música estrangeira para o estudo de línguas, diz Carla. “A perspectiva de finalmente entender uma letra que você nunca entendeu traz muita motivação, que é uma condição básica para o aprendizado”, explica a especialista.

4. Use expressões na outra língua tanto quanto puder
Outra dica da neurocientista é empregar o idioma estrangeiro com a maior frequência possível na sua rotina - mesmo que seja entre frases em português.
De acordo com Carla, quanto mais você usar a língua em situações do dia a dia, mais rápido irá incorporá-la ao seu repertório - até o ponto em que as palavras sairão automaticamente da sua boca diante de cada acontecimento.
“Se você acha pedante dizer palavras estrangeiras no meio de uma conversa com outro brasileiro, pelo menos faça o exercício mentalmente”, diz a professora. “Ainda assim, falar em voz alta é mais aconselhável, porque permite ouvir a sua própria pronúncia e corrigi-la gradativamente”.
Por Claudia Gasparini
Fonte Exame.com

DESTINO

terça-feira, 29 de setembro de 2026

VOCÊ ESTÁ EM CRISE COM A SUA CARREIRA NA ADVOCACIA?


Muitos advogados se questionam sobre estarem na carreira certa.
Como sabemos, a prática do Direito nos últimos anos vem mudando bastante. Novas tecnologias, excesso de concorrência, expectativas pessoais de carreira, demandas dos clientes, economia do país, questões de estilo de vida e assim por diante.
Não é segredo que esse segmento tem passado por uma maior pressão para conciliar interesses que muitos dizem ser inconciliáveis: um ambiente de trabalho saudável e benefícios de estilo de vida vs. aumento das demandas do cliente, concorrência extrema e custos crescentes.
Advogados em todos os níveis e em quase todos os tipos de situação estão se perguntando as mesmas questões básicas de carreira: "Pra onde eu quero ir daqui para frente?" e, mais importante, "Como eu faço para chegar lá?"
O número crescente de profissionais do direito interessados em opções de carreira novas e alternativas. Eu mesma passei por isso.
Surpreendente é quão despreparados muitos ainda permanecem ao ter que lidar com estas questões. Profissionais que, muitas vezes, solucionam casos difíceis e complexos, não dão atenção suficiente ao desenvolvimento de uma estratégia de carreira, conectando-se mais com seus íntimos desejos, entendendo aquilo que, de fato, lhe motiva e faz feliz.
Embora muitos advogados saibam o que não querem, poucos têm alguma ideia do que querem. Ainda mais com tantas novas opções surgindo no mercado.
A boa notícia é que sempre há tempo para você repensar a sua carreira e dar um novo rumo a ela, adequando a sua personalidade ao seu conjunto de habilidades e de interesses.
A má notícia é que este processo geralmente requer algum razoável tempo, esforço e comprometimento. Para os advogados interessados em mudanças, mas que enfrentam as demandas atuais de prática, família e assim por diante, isso pode ser bastante desafiador e até um preço muito alto a se pagar, especialmente quando as coisas "não estão tão ruins".
Independente da sua situação, existem maneiras de lidar com isso. Uma delas é ajustar as suas expectativas e reduzir este processo a etapas menores e mais gerenciáveis. Tendemos a esperar que tudo, incluindo a mudança de carreira, aconteça rapidamente. Em vez disso, comece com o primeiro pequeno passo e aprenda a gerir a sua ansiedade.
Não é incomum que esse processo demore mais de um ano, especialmente para advogados mais experientes. Depois de aceitar esse processo, estruture as suas metas. Se as coisas acontecerem mais rápido que o esperado, ponto para você!
Depois que o processo é iniciado, há outras coisas que você precisa se atentar, dentre elas:

1. Decida
É importante que você tenha assimilado esta decisão para mudar a sua situação. Todos gostamos de manter as nossas opções em aberto, mas a falta de foco é um assassino, quando se trata de planejamento de carreira. Tome a decisão, comprometa-se com a sua escolha e, daí em diante, siga em frente.

2. Planeje
Para muitos, o planejamento pode ser entediante, mas ele é crítico. Elabore um plano de carreira básico que contenha seus objetivos gerais, um breve esboço de seus interesses, habilidades e competências. Depois, reduza a objetivos mais específicos, a ações necessárias para alcançá-los e a uma estimativa dos recursos e custos que espera incorrer. Coloque tudo isso no papel. As coisas ficam mais fáceis, quando colocadas por escrito.

3. Seja empreendedor
Aborde sua busca de carreira a partir de um ponto de vista empreendedor. Empreendedores criam, projetam, iniciam, aprendem e implementam. Eles transformam sonhos em realidade mediante ação e coragem. E, acima de tudo, eles assumem a responsabilidade absoluta pelo seu sucesso ou pelo seu fracasso. Não coloque seu futuro nas mãos dos outros. Tome uma atitude e assuma o controle.

4. Tenha coragem
Mudar de carreira e buscar alternativas envolve riscos. De todos os possíveis obstáculos à mudança de carreira, este é, geralmente, o mais difícil de se superar! Confrontados com os boletos, com os filhos e com outras responsabilidades, poucos estão dispostos a aceitar o risco de um empreendimento novo e excitante, mas incerto. Mesmo quando sabem que seriam muito mais felizes. Esta é uma questão pessoal e todos têm seu próprio nível de conforto. No entanto, entenda que você não progredirá em direção aos seus objetivos de carreira, a menos que esteja disposto a se arriscar.

5. Peça ajuda
Ninguém faz nada sozinho. Uma opção, por exemplo, é se juntar a um colega que também queira fazer uma mudança. Vocês poderão compartilhar ideias, diminuir os custos e trocarem apoio mútuo. Eu, por exemplo, fiz isso.
Procure também profissionais especializados que podem oferecer programas de carreira sofisticados para lhe auxiliar nesta fase da vida. Juro que a ideia aqui não é fazer jabá do meu trabalho, mas dada a importância da sua carreira, isso pode ser um excelente investimento para a sua vida.

Se você está em crise com a sua profissão, tenha em mente que a diferença entre aqueles que encontram este trabalho dos seus sonhos e aqueles que não conseguem chegar a isso está na coragem para alcançar este objetivo.
Advogados, geralmente, têm habilidades fortes e podem ser excelentes candidatos para uma ampla gama de negócios e de outras oportunidades. Identificá-las requer muito mais do que simplesmente estar disponível e esperar que isso aconteça. É preciso esforço, ação e um certo grau de risco. Felizmente, tudo é possível. Começa com o querer!

Por Maria Olívia Machado
Fonte JusBrasil Notícias

COMO CONQUISTAR CLIENTES?


Estamos diante de uma indagação que uma vez respondida corretamente diferencia o profissional e/ou escritório de advocacia bem sucedido daquele que não encontra êxito no desempenho da profissão. É que não existe profissional de sucesso sem conquista de clientes. Nas palavras de Rodrigo Bertozzi: “o cliente é o princípio e o fim da Advocacia”.
E saiba, desde logo, que conquistar o cliente vai muito além de prospectar clientes, conhecer o cliente ou ter contato com o cliente. A conquista é ato complexo, por meio do qual o cliente conectado é aquele que se fideliza a sua marca e ao seu modo de trabalho e faz questão de deles não se desvincular.
Perceba que conquistar o cliente é transformá-lo em parte de sua organização. O cliente conquistado não contrata o concorrente (a menos que você o indique ou que seu escritório não atue na área do problema a ser resolvido), não te cria problemas desnecessários e te serve de ponte para novos clientes (prospecção), além de ser uma das melhores e mais efetivas formas de marketing na Advocacia.

Estabelecida a importância de conquistar clientes, como fazê-lo?
A primeira coisa a destacar é a necessidade de valorizar e cuidar do primeiro contato com o cliente. Na primeira vez em que o cliente ou possível cliente senta na frente do Advogado, ele quer mais do que saber os caminhos jurídicos para a resolução de sua demanda. Antes de tudo, ele precisa saber o quanto você se importa com ele e com suas necessidades.
E, assim, faz-se necessário transmitir ao futuro cliente, o seu envolvimento, a sua preocupação com o problema que ele está confiando a você e acreditando no seu potencial em solucioná-lo. Ele tem que sentir que você se importa. Observe que existem fatores que trazem o cliente até você, mas nada garante que ele ficará contigo. Com uma grande oferta de advogados competentes no mercado, as diferenças mais sutis são responsáveis pela contratação ou não do seu trabalho.
Não aprecio a expressão “pequenos detalhes”, pois detalhes no cotidiano pós-moderno fazem toda diferença entre quem tem faturamento e lucro expressivos e quem não os tem. O primeiro detalhe, portanto, é o atendimento. Cuide para que a verdade esteja em seu olhar, na sua expressão corporal, no seu comprometimento com o cliente, não só com o problema dele. Atenda em linguagem compreensível e não em linguagem jurídica (deixe o juridiquês para sua petição ou para as conversas nos corredores do fórum, sempre com moderação, é claro).
Dessa forma, em todo atendimento, tenha sempre em mente que o seu cliente espera duas coisas desse primeiro contato: a primeira delas é sair confiante de que contratou alguém que sabe o que fazer (importância da especialização) e a outra é a confiança de que o Advogado se importa com ele e não o trata apenas como mais um.
A segunda lição é nunca cobrar antes de demonstrar valor. Nunca diga preço de honorários antes de transmitir ao cliente que se importa com ele e que tem o conhecimento e as ferramentas necessárias para buscar a solução do problema que ele levou até o seu conhecimento.
Não é novidade para ninguém que os Advogados mais competentes são os mais caros. A novidade, entretanto, é que, no início da sua carreira, apesar de não ter tido tempo de mostrar toda sua competência, você tem oportunidade de demonstrar valor, sobretudo no momento do atendimento.
Não perca essa oportunidade ímpar de demonstrar valor, seja no modo de se portar e falar, no aperto de mão, no ouvir com afinco e no comprometimento verbal antes mesmo do contrato escrito.
Quando houver exteriorizado valor, destacando seus elementos de diferenciação, demonstrado comprometimento e responsabilidade na prestação do serviço, passe a falar dos honorários com segurança e firmeza.
Quanto à cobrança, use sempre como referência mínima o piso previsto na tabela da OAB de sua seccional, se necessário tenha uma cópia em mãos e mostre a seu cliente que aquele é o valor mínimo a ser cobrado para o exercício da tarefa, de modo que cobrar valor menor é cometer infração ético-disciplinar e promover concorrência desleal com os colegas.
Nunca cobre abaixo da tabela da OAB. Não cometa esse suicídio profissional e infração ética. Posso te garantir que mais difícil do que cobrar o mínimo previsto na tabela da ordem será sobreviver na Advocacia cobrando abaixo da tabela da Ordem.
Contudo, não ignoro a realidade de que, não raro, o critério do cliente é o preço mais baixo. E quando for este o critério dele, você não deve ser o profissional contratado. O foco de um profissional de sucesso deve ser a contratação de seus serviços pela contraprestação de valor extraordinário e não o oferecimento de serviços profissionais a preços mais baixos do que os concorrentes.
Como dito, conquistar cliente é ato complexo e não basta um bom atendimento nem a cobrança clara e precisa. Às vezes o cliente decide naquele momento por te contratar, às vezes ele pede um tempo para pensar. Faz parte do processo! Jamais, porém, abra mão da convicção de que quem oferece serviço diferente também deve ser remunerado de modo diferenciado.
Além disso, a imagem que o cliente tem de você é relevante. Por isso, se porte como um profissional de ponta, vista-se bem, tenha boa postura, inclusive online e, quando do atendimento, faça com que a primeira impressão seja um momento de encantamento!
E acredite: assim como existem clientes que estabelecem como critério para contratação a oferta de preço mais baixo, existem aqueles bons clientes que estão conscientes de que devem pagar mais pela prestação de um serviço de qualidade.
Um trabalho extraordinário começa com a mentalidade extraordinária e concretiza-se por meio de um conjunto de medidas que se distanciam daquilo que se entende por “mercado comum”.
Portanto, a diferenciação é elemento indispensável na advocacia moderna e o comportamento mental e prático é o fio condutor para prospecção e conquista dos clientes que entendem o valor de um trabalho diferenciado e, naturalmente, compreendem o preço que lhe é cobrado por ele.
Por Alex Andrade
Fonte JusBrasil Notícias

DIA DOS ARCANJOS: FAÇA ORAÇÃO PARA MIGUEL, RAFAEL E GABRIEL

Além de proteger, cada um tem um dom e missão especial para ajudar seus devotos

Este 29 de setembro é um dia muito especial e cheio de bençãos para os cristãos em geral. É o dia dos três arcanjos mais populares e amados: Miguel, Rafael e Gabriel. Arcanjos que sempre recebem em orações os pedidos de luz, proteção, milagres e boas energias dos fieis.
Se a Fé Move Montanhas, rezar para eles em momentos difíceis ou para auxiliar numa situação complicada da vida é ter ajuda certa e resposta rápida com certeza.
Além de proteger, cada um tem um dom e missão especial para ajudar os devotos, a saber:
Arcanjo Miguel é o defensor do povo de Deus em tempo de angústia e é também padroeiro da Igreja. Pela tradição é quem acompanha as almas dos mortos até o céu. É também conhecido como o Chefe das Milícias Celestes e invocado na luta contra o mal. Considerado Príncipe dos Serafins, seu nome significa "aquele que é semelhante ao próprio Deus."
São Gabriel é o grande comunicador, sendo responsável pelo anúncio do nascimento de João Batista e, honra maior, pelo anúncio a Maria sobre o nascimento de Jesus Cristo. É conhecido como patrono de todos aqueles que trabalham com transmissão de informações. Seu nome significa "homem de Deus" ou, ainda, "Deus mostrou-se poderoso".
São Rafael é o companheiro de viagem do homem, seu guia e protetor na adversidade. É considerado protetor dos viajantes e um poderoso intercessor junto ao Pai. Seu nome significa "aquele que cura".
Se conecte todos os dias com os arcanjos e peça sua proteção e benção. Faça a oração e tenha boas energias todos os dias.

Oração dos Arcanjos Miguel, Rafael e Gabriel

Arcanjo Gabriel
Portador das boas novas, das mudanças, da sabedoria e da inteligência;
Arcanjo da Anunciação trazei a Palavra de Deus e que Ela permaneça em meu pensar e agir.
Fazei com que eu também seja um mensageiro dos preceitos do Senhor por palavras de bondade e solidariedade.
Arcanjo da Anunciação, vinde em meu auxílio.

Arcanjo Rafael
Guardião da saúde e da cura, peço que os raios curativos desçam sobre mim, dando-me saúde e cura dos males do corpo e da alma.
Guardai meu corpo e minha mente livrando-me de todas as doenças.
Que Vosso raio curativo esteja em meu lar, sobre meus filhos e familiares e no trabalho que executo, com as pessoas com quem convivo diariamente.
Arcanjo Rafael transformai a minha alma e o meu ser para que eu possa sempre refletir a Vossa Luz.
Arcanjo Rafael, curai nossas enfermidades.

Arcanjo Miguel
Príncipe guardião e guerreiro, defendei-me com Vossa espada e protegei-me com Vosso escudo. Não permita que o mal me atinja.
Protegei-me contra assaltos, roubos, acidentes e contra quaisquer atos de violência.
Livrai-me de pessoas negativas e invejosas.
Levante o Vosso escudo de proteção em meu lar e sobre minha família, parentes e amigos.
Guardai meu trabalho, meus negócios e meus bens.
Arcanjo Miguel, trazei a paz e a libertação.
Arcanjo Miguel, defendei-me no combate.
Arcanjos de Deus, venham em meu auxílio.
Arcanjos do Senhor, venham em meu socorro.

RELÓGIO x BÚSSULA

SÃO MIGUEL ARCANJO

segunda-feira, 28 de setembro de 2026

RELAÇÃO COM CLIENTE - SER CAPAZ DE COMUNICAR COM ASSERTIVIDADE SUSTENTA PAPEL DE BOM ADVOGADO


Independentemente do tamanho do seu escritório — seja ele pequeno, médio ou grande — é necessário que o advogado saiba se comunicar para atingir o sucesso.
O principal objetivo da comunicação é transmitir uma mensagem de forma clara e sem ambiguidades. Por mais óbvio que esse conceito possa parecer, ele não é fácil de ser atingido e, independentemente de estarmos na era da comunicação, continua sendo um dos grandes geradores de conflitos e falta de produtividade no dia a dia do trabalho.
Por outro lado, ser capaz de comunicar com assertividade, vale dizer, de forma clara e objetiva, por qualquer que seja o meio, sustenta o papel de um bom advogado. Isso ocorre porque o seu trabalho engloba, em grande parte, ser capaz de aconselhar e negociar de forma eficaz com os seus clientes, como também garantir que determinado negócio corra bem. O uso de uma linguagem clara e sucinta é algo bem avaliado por clientes, colaboradores, parceiros etc. A boa comunicação é um aspecto fundamental que irá ajudá-lo a emitir ideias e conselhos, gerando uma maior confiança em todos aqueles que estão ao seu redor.
Um dos erros fundamentais numa boa comunicação é presumir que aquilo que se comunicou foi compreendido pelo interlocutor. Muitas vezes, a ideia nos é tão simples e clara que temos certeza que a pessoa a entendeu. Acredite que, muitas vezes, não é isso que acontece. Para evitar esse problema, cheque pedindo-lhe para repetir ou parafrasear aquilo que lhe foi dito. Outra maneira interessante é verificar com perguntas se foi claro sobre o assunto para assegurar que não houve má interpretação.
Mais um erro grave é não saber usar o meio adequado para comunicar determinada situação. Há momentos em que algumas notícias, especialmente as ruins, não devem ser dadas de forma escrita. É importante falar pessoalmente ou pelo telefone com a outra parte. Meios escritos não permitem que nuances do tom de voz ou da linguagem corporal possam ser usados para diminuir o impacto negativo que ela possa trazer. Além disso, quando se fala com a outra pessoa diretamente é possível captar sinais emitidos pelo seu corpo ou pela sua voz de que não esteja entendendo a mensagem ou se sentindo muito desconfortável, o que possibilita remediar a situação na mesma hora, ajudando para que a relação flua e continue a ser construída de forma positiva e com base na confiança.
Outro problema é evitar conversar quando o tema a ser tratado é um pouco mais delicado, a exemplo dos feedbacks. Passar por cima dessas questões é uma excelente forma de dar vazão a problemas futuros mais graves e maiores. O importante é não deixar esses pequenos pontos se transformarem numa bola de neve. A melhor maneira de lidar com isso é se preparar para essas conversas. Aprender a dar retornos de maneira objetiva mostrando para a pessoa o fato, o comportamento e o impacto para que ela entenda a situação. Daí em diante, ajudá-la traçar um plano de como agir mais adequadamente numa próxima vez que venha a se deparar com uma situação parecida.
Pense na quantidade de vezes que você se comunica com as pessoas ao longo do dia. E-mails, reuniões, conferências, relatórios, apresentações, audiências e por aí vai... Se você acredita que tem dificuldades em algum destes quesitos ou outros tantos que envolvam uma boa comunicação, a notícia positiva é que existem ótimos métodos para desenvolvê-la e torná-la mais assertiva. Com a ajuda de um profissional qualificado é possível atingir um patamar bastante satisfatório com a mudança de algumas atitudes na hora de se comunicar.

Por Maria Olívia Machado e Ana Barros
Fonte Consultor Jurídico

REFORMAS EM CONDOMÍNIO: O QUE VOCÊ PRECISA SABER

Condomínios residenciais e comerciais são espaços onde pessoas habitam, trabalham ou ambas as situações: comunidades. São espaços ocupados, alguns há muito tempo, com vida própria, rotinas, e muito diferentes, portanto, de canteiros de obras criados na fase de construção de edificações.

Essa realidade deve ocupar o topo das prioridades quando um prestador de serviços de reformas faz o planejamento para a execução de qualquer tipo de trabalho. Além de planejar levando em conta a natureza do local, deve também tomar medidas para mitigar incômodos e tornar a convivência suportável a todos durante o período de execução dos serviços.

Como dirigentes de uma associação condominial, registramos ocorrências desagradáveis que poderiam ter sido evitadas caso tomadas medidas preventivas. Vamos abordar diversas facetas do tema “reformas em condomínio”, dentre elas destacamos os aspectos convivência e profissional técnico.

Convivência porque uma obra afeta muitos, senão todos os vizinhos, dependendo de sua extensão. E profissional técnico porque engenheiros e arquitetos não são os únicos autorizados a assinar responsabilidade técnica (ART, RRT), acompanhar obras e se responsabilizar por sua execução.

Os profissionais técnicos, além de também autorizados por lei a assinar esses termos de responsabilização profissional (TRT), válidos sob todos os aspectos do direito, podem ser aconselháveis por sua dedicação total à obra já que muitas vezes são eles que as executam, diretamente, não por meio de subcontratados.

Reforma em condomínios nunca é tarefa fácil. Quatro personagens são diretamente afetados nesse processo: síndico; condômino ou inquilino; vizinho e prestador de serviços. É muito diferente de reformar uma casa ou ponto comercial não situado em um prédio ou em um condomínio de casas.

O primeiro ponto a considerar é que nos condomínios há regras internas (horário em que ruídos são admitidos, entrada de prestadores de serviços, entregadores, etc.) fixadas por Convenções ou Regulamentos, além de regras externas, estabelecidas por leis ou normativas.

SÍNDICO

O primeiro personagem a ser considerado é o síndico. Isto porque tem ele responsabilidades legais relacionadas com tudo que diga respeito à administração do condomínio, inclusive obras.

Uma delas é cumprir e fazer cumprir a Convenção, o regulamento e as determinações das Assembleias (Código Civil, art. 1348, IV). Mas deve também cumprir e fazer cumprir as regras legais.

Assim, o síndico tem também deveres relacionados com o cumprimento do direito de vizinhança previsto no Código Civil, artigo 1277 e seguintes, já que a observância de tal regramento tem a ver com a segurança, sossego e saúde, que a ele cabe, por dever de ofício, fazer cumprir.

Isso explica o porquê de os síndicos terem, nesse período de pandemia, imposto regras rígidas de cumprimento obrigatório dirigidas à entrada de visitas, festas, confraternizações, uso de máscaras, utilização de salões de festas e áreas de lazer, etc. Inclusive limites às obras e reformas no ambiente condominial, não apenas, mas, preponderantemente, ante a necessidade de estabelecer limitações ao barulho num novo cenário em que muitos passaram a trabalhar em casa.

Não é diferente no caso de início ou execução de obras nas dependências condominiais. Nesses casos, a responsabilidade do síndico alcança três esferas:

·  Verificar, previamente ao início das obras, o cumprimento, pelo condômino ou inquilino, das regras estabelecidas pelas normas construtivas (norma ABNT 16280 de 18/04/2014, revisada em agosto de 2015) acompanhadas das devidas autorizações – ART (Anotação de Responsabilidade Técnica) ou RTT (Registro de Responsabilidade Técnica), respectivamente, nos casos de engenheiros ou arquitetos, ou TRT (Termo de Responsabilidade Técnica), nos casos em que técnicos possam substituir engenheiros ou arquitetos, todas elas visando a segurança da edificação.

·  Acompanhar a execução da obra, verificando se as regras internas relacionadas com horário de entrada e saída dos prestadores de serviços, utilização de máscaras obrigatórias para prevenção contra a Covid-19, recolhimento e retirada de entulhos e limpeza das áreas comuns próximas às obras estão sendo observadas.

·  Cuidar para que os direitos dos vizinhos estejam sendo plenamente atendidos.

CONDÔMINO/INQUILINO

O autor da obra deve também observar as regras aplicáveis, não apenas cumprindo todas as determinações exigidas pelo síndico, como, também, em relação à segurança exigida pelas normas construtivas, e, ainda, em relação à segurança dos profissionais que estarão trabalhando em suas dependências, porque um acidente poderá não se confinar aos limites de sua propriedade, afetando outras e/ou terceiras pessoas.

VIZINHO

O terceiro, vizinho, tem direito de fazer cessar as interferências prejudiciais ao sossego e à saúde provocadas pela utilização de propriedade vizinha (Código Civil, art. 1277), podendo inclusive exigir a redução das interferências, ou sua eliminação, quando possíveis, ainda que decisão judicial tenha determinado sua tolerância (Código Civil, art. 1279). Tanto o síndico como o proprietário ou inquilino podem, no caso de dano iminente, exigir do autor da obra as garantias necessárias contra eventual prejuízo que venha ela a causar (Código Civil, art. 1281).

Principalmente a partir do ímpeto do home office, o desemprego tem levado muitos a se constituírem como personalidade jurídica para exercer atividades profissionais dentro de seus apartamentos.

Em agosto de 2020 um homem, incomodado com o ruído provocado em obra no mesmo pavimento, ou próximo ao seu apartamento, foi preso após jogar gás de pimenta por baixo da porta de um apartamento vizinho, em obras, no Jardim Paulista, capital, oportunidade em que quatro operários passaram mal e tiveram que ser socorridos. A Lei de Contravenções Penais prevê prisão simples de 15 dias a 3 meses para quem perturbar o trabalho ou sossego alheios.

Em 2010, em Alphaville, num caso que teve repercussão nacional, um vizinho foi reclamar do barulho provocado no andar superior e acabou morto. Na sequência, a legislação construtiva foi modificada para impor limites máximos de ruído admitidos entre paredes e entre andares.

Em setembro de 2019 uma moradora foi advertida pela administradora condominial em razão de reclamações sobre o choro de seus bebês, que estavam doentes. A moradora advertida postou sua reclamação nas redes sociais e o tema foi divulgado pelo Brasil afora. Ante a repercussão negativa acompanhada de condenação nacional a administradora teve que se desculpar em redes sociais.

Não sem razão, registros policiais de perturbação do sossego mais que dobraram em São Paulo durante a pandemia.

Afinal, a vida em condomínio impõe limites que devem ser suportados por todos em prol da harmonia da sociedade.

Por isso temos sido enfaticamente firmes na defesa da solução desses atritos através da mediação, por advogarmos o entendimento de que síndico não é psicólogo e não tem dever algum de administrar conflitos.

Tem o dever de cumprir a convenção, regulamento, leis e normas relacionados à sua atividade, conforme aqui posto, mas não a de mediar o choque provocado pelo egoísmo humano. Isto cabe a profissionais especializados em mediação, o que temos veementemente defendido, inclusive oferecido aos síndicos de condomínios associados.

PRESTADORES DE SERVIÇOS

Sob este tópico arrolamos não apenas engenheiros, arquitetos ou técnicos, responsáveis pela obra, como também os profissionais, contratados ou fornecedores, que estarão trabalhando sob a orientação deles ou mediante contratação deles.

Neste ponto, chamamos a atenção para o fato de que, nos casos em que a responsabilidade pelas obras possa ser assumida por técnicos, muitas vezes são os próprios que as executam, caso em que a qualidade dos serviços prestados e a observância às normas condominiais tendem a ser mais plenamente atendidas porque é o próprio técnico contratado que as estará executando, ou seja, não subcontratados seus.

Técnicos podem realizar serviços em condomínios residenciais e comerciais de acordo com as normas do CRT nas áreas de Edificações e Construção Civil, Eletrotécnica, Refrigeração e Climatização, Mecânica e Eletromecânica, Telecomunicações, Design de Interiores e outras especialidades.

Os prestadores de serviços devem guardar estrita obediência às normas do Condomínio, em todos os aspectos que estas ditarem, isto é, horário, barulho mínimo possível, retirada de entulhos, limpeza da área comum afetada, ou seja, menor incômodo possível aos vizinhos. Isto, diariamente.

Cabe ao supervisor certificar o modus operandi, não apenas nos seus aspectos técnicos, mas também no que diz respeito à convivência com moradores ou trabalhadores em edifícios comerciais.

Só esse ponto, entulho, merece um destaque à parte porque ele demanda planejamento para não gerar transtornos entre vizinhos, podendo, no extremo, autorizar a aplicação de multas. Isso é especialmente crítico quando os entulhos são depositados nos corredores, garagens ou obstruem saídas de emergência.

Dentro do prédio seu transporte deve ser feito de modo a evitar barulho fora do horário e obstrução dos elevadores em prejuízo dos demais moradores. As regras sobre entulhos estão dispostas na Resolução 307/2002 do Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama), na Lei 12.305/2010 que instituiu a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) e, também, normalmente, em legislações municipais. Constam, ainda, da norma ABNT 16280 e, por isso, seu tratamento deve constar do plano da reforma a ser apresentado ao síndico.

REFORMAS

Qualquer alteração construtiva, ainda que preventiva ou manutenção, deve ser comunicada ao síndico. O objetivo da norma ABNT 16280 é preservar a estrutura do Condomínio. O projeto devidamente assinado por engenheiro, arquiteto ou técnico deve ser apresentado ao síndico antes do início das obras. Ao síndico cabe guardar esses documentos.

Entendemos que o síndico não tem qualquer outra responsabilidade relacionada com a obra além daquelas aqui apontadas, uma vez não ser ele técnico e não deter, por isso mesmo, natural poder fiscalizatório. Obviamente que aspectos gritantes na obra, se forem por ele observados devem merecer sua atuação.

Um caso ocorrido ilustra bem isso: a quantidade de entulho retirado de uma obra despertou a atenção da administração que, quando foi verificar, observou que todas as paredes internas de um apartamento, inclusive as de sustentação, haviam sido retiradas numa reforma, pondo em absurdo risco toda a edificação que só não ruiu porque em andares superiores. Nesse caso, após intervenção, a construtora foi chamada a refazer as paredes internas, pelo que cobrou R$ 100 mil do proprietário.

Num caso bastante conhecido de desabamento de um edifício no Rio de Janeiro, em 2012, a Polícia Federal concluiu que o evento teve duas causas: a derrubada de paredes e pilares de sustentação em reforma contratada por um dos condôminos do 9º andar e a omissão do síndico que não teria conduzido providências para impedir agressão à estrutura do prédio.

Nesses casos, o síndico responde cível e penalmente. O Código Civil determina serem deveres dos condôminos, e obviamente também dos inquilinos, se absterem de realizar obras que comprometam a segurança da edificação. Isso autoriza os síndicos a promoverem vistorias constantes nas unidades em obras, como medida de segurança.

Exemplos como estes poderão e deverão ser sempre objeto de atenção da administração, inclusive com propositura de medidas judiciais contra o proprietário. Mas o síndico zeloso não pode, obviamente, ser responsabilizado por atos que implicariam na substituição dos poderes e deveres legais dos técnicos.

Se o proprietário/inquilino se recusar a informar ou fornecer os documentos aqui apontados sobre a obra, o síndico poderá e deverá conduzir providências junto à Prefeitura visando o embargo dela, ou, mesmo, judiciais visando seu fim, cujas custas do processo deverão ser arcadas pelo proprietário/inquilino.

E, claro, isso deve ser sempre antecedido do embargo administrativo que se materializará mediante notificação aos responsáveis para pararem a execução e aplicação da pena de multa, se não atendido. E, antes de ir ao Judiciário, lavrar um Boletim de Ocorrência Policial.

LEI DE PROTEÇÃO DE DADOS (LGPD)

A LGPD (Lei 13709/2018) contém regras direcionadas para a coleta e tratamento dos dados daqueles que os fornecem. No caso, todos os prestadores de serviços, fornecedores de bens, engenheiro, arquiteto, técnico em edificação, etc. que ingressarem nas dependências do condomínio para execução do contrato relacionado à obra deverão fornecer tais dados.

Mas isso, em hipótese alguma, lhes conferirá o direito de, quaisquer sejam as circunstâncias que em seu entender justifiquem, invocar a LGPD em sua proteção ou favorecimento.

Exemplifiquemos: suponha que objetos tenham desaparecido na área comum do local em obra e, por alguma razão, as suspeitas recaiam sobre os profissionais que a estejam executando. Eles poderão, por exemplo, em suas defesas, pedir para que as imagens eventualmente gravadas sejam apresentadas como prova de sua inocência.

O que não poderão, nesse caso é, com fundamento na LGPD, exigir que, como titulares do direito dos dados, o que inclui imagens, sejam elas deletadas se, por exemplo, elas comprovarem suspeitas de seus envolvimentos. Nesse caso, não poderão invocar essa lei em seus próprios benefícios quando os dados gerados os comprometerem cível e/ou penalmente.

Esses aspectos precisam ficar muito claros porque a LGPD é uma realidade no País a partir de 18/09/2020 e visam proteger os direitos dos titulares de dados, mas não podem ser por eles invocados em sua proteção para, no exemplo, acobertar práticas delituosas.

Por outro lado, se os dados de profissionais que prestam serviços em condomínios vierem a ser indevidamente divulgados, o que eles poderão confirmar, por exemplo, a partir de contatos de empresas oferecendo serviços a eles, ou mesmo vê-los utilizados em redes sociais ou, ainda, utilizados para práticas delituosas envolvendo seus nomes, e eles puderem comprovar a origem dessa disseminação de seus dados pessoais, poderão invocar a proteção da LGPD contra o condomínio e seus administradores.

Prestar um bom serviço de reformas vai além dos aspectos técnicos. Inclui a satisfação do tomador de serviço com a forma de execução. E satisfação é sinônimo de indicação no mundo das reformas.

Por Adonilson Franco

Fonte MyCond

VOCÊ SABE QUAIS SÃO OS DEVERES LEGAIS DO SÍNDICO?

Os deveres do síndico a luz do Código Civil

O síndico tem sua atividade regulada pelo Código Civil entre os artigos 1.347 e 1.356, e segundo a legislação vigente pode ser um condômino eleito ou um síndico profissional dependendo do disposto na convenção condominial, qual deve ser sempre respeitada.
Destarte, após eleito conforme disposição do artigo 1.348 e 1348, § 2º do Código Civil, o síndico passa a representar o condomínio, ativa e passivamente, devendo praticar em juízo ou fora dele os atos necessários a defesa dos interesses comuns, podendo para tanto, desde que não contenha a convenção condominial dispositivo contrário, transferir total ou parcial seus poderes de representação e/ou funções administrativas.
Ademais, o síndico tem o dever de convocar as assembleias ordinárias e extraordinárias sempre que necessárias, dar à assembleia imediato conhecimento de procedimentos judiciais ou administrativos do interesse do condomínio, cumprir e fazer cumprir a convenção condominial, o regimento interno e a determinação deliberadas em assembleia, diligenciar a conservação e a guarda dos bens comuns, zelar pela prestação de serviços que interessem os possuidores, cobrar os condôminos inadimplentes, impor e cobrar multas devidas, elaborar orçamento e prestar contas anualmente e quando exigidas, e por fim realizar o seguro da edificação, sendo essas as obrigações legais mínimas no sindico, podendo ainda haver outras impostas diretamente pela convenção do condomínio, que também ficará a cargo de estipular eventual remuneração e benefícios para exercício do cargo (artigo 1.348, incisos I, II, III, IV, V, VI, VII, VIII, C.C).
Ainda, quanto ao dever de conservação da coisa este se estende além da mera limpeza e manutenção rotineira, os edifícios têm manuais de uso e períodos de vida útil de rejunte, pastilhas, pisos etc, sendo dever do sindico zelar por tais trocas conforme especificações do construtor, claro se não forem estas abusivas.

Importante destacar que o síndico que não cumpre com os deveres legais e os impostos pela convenção condominial responde por todos os danos ocasionados, por exemplo, o síndico que deixa prescrever cotas por não cobrar os condôminos responde pelo prejuízo decorrente ao condomínio, podendo, inclusive responder criminalmente, dependendo da negligência cometida, tendo aqui como exemplo deixar ruir edificação ocasionando danos a terceiros ou moradores.
Por Marcos Vinicius Goulart
Fonte JusBrasil Notícias