Luiza's Blog
domingo, 26 de abril de 2026
CURE A FERIDA EM PRIMEIRO LUGAR
Quando somos atingidos por uma flecha, não devemos perder tempo buscando saber quem e por que nos feriu. Mas, sim, arrancar a flecha fora e cuidar, o quanto antes, da ferida. Este é o modo budista de lidar com os problemas: focamos a cura ao invés de cultivar a indignação que gera ainda mais dor.
Em vez de responder aos inúmeros porquês, focamo-nos em lidar com a situação de modo a assumir o autocontrole diante de nossos problemas. Afinal, quando não podemos mudar uma situação externa, ainda assim, podemos transformar o nosso modo de encará-la.
Enquanto estivermos contaminados pelo cansaço, pela raiva ou pela indignação, nossas atitudes serão tendencialmente unilaterais ou vingativas. O que o budismo nos alerta é que a primeira coisa a fazer quando recebemos qualquer tipo de agressão é nos interiorizarmos para recuperar o espaço interior.
Mais do que uma percepção mental dos fatos, devemos buscar o equilíbrio interior para que nosso pensamento volte a ser claro e amplo.
Na medida em que nos concentramos em curar a ferida, ao invés de indagar o porquê ela ocorreu, cultivamos o hábito mental de buscar soluções práticas que nos ajudam a nos desvencilhar dos problemas. Deste modo, não ficamos presos ao discurso "ele não podia ter feito isso comigo" que nos leva apenas à paralisia, mas passamos a nos mover em direção à solução interior, o que nos leva a um senso profundo de liberdade de podermos ser quem somos.
O mundo à nossa volta está repleto de informações conflitantes e confusas. Tornamo-nos reféns dos outros enquanto nos deixamos enganchar por seus conflitos. Para nos desvencilharmos das confusões alheias, precisamos antes de tudo recuperar nosso espaço interior. Esta é a diferença entre gritar para o outro: "Me solta" e dizer internamente: "Eu me solto".
Desta maneira, ganhamos autonomia interior, isto é, recuperamos o prazer e a habilidade de exercitar a nossa própria vontade de nos acalmar. Lama Gangchen nos encoraja a praticar a Autocura quando nos fala: "Basta reconhecermos nossa própria capacidade e ousarmos aceitá-la".
Em seu livro Autocura Tântrica III (Ed. Gaia) ele esclarece: "Para começarmos a vivenciar os níveis mais profundos da Autocura, nossa mente precisa começar a aceitar e usar o espaço interior da forma correta. Temos que compreender que há mais espaço em nossa mente muito sutil do que no mundo externo. Além disso, também precisamos entender que as situações perigosas que hoje vivenciamos são o resultado de causas e condições negativas criadas por nós no passado. É muito importante praticarmos a Autocura, pois se continuarmos a gravar negatividades em nosso espaço interior, embora nosso coração não possa explodir, uma terrível explosão global de negatividade pode acontecer, causando nosso Armagedom individual e planetário".
Para parar de gravar negatividades em nosso espaço interior, precisamos cultivar o hábito de nos interiorizarmos, de ampliarmos nosso espaço interior. Mas a capacidade de nos auto-sustentar surge à medida em que nos sentimos disponíveis para nós mesmos.
Se não nos sentimos capazes de lidar com certas emoções, devemos buscar pessoas que nos incentivem a lidar positivamente com elas. A solidariedade alheia nos ajuda a sentir e aceitar o que nem mesmo somos capazes de entender.
O importante é buscar coerência entre nosso mundo interior e a realidade exterior. Viver bem pressupõe considerar a realidade acima de qualquer coisa.
Ao recuperar o espaço interior, ganhamos uma nova disponibilidade para agir.
Por Bel Cesar
MATURIDADE ESPIRITUAL É QUANDO VOCÊ APRENDE A CALAR, A SE AFASTAR, NÃO SE QUEIXA E AGRADECE PELO QUE TEM
Maturidade
espiritual é quando você aceita que erra, aprende a se desculpar e a não jogar
no colo do outro o que é seu
É quando você percebe que já não precisa de
tanta coisa assim para suprir suas necessidades, que estar em paz consigo mesmo(a) é melhor do que provocar instigar ou cutucar o outro com vara curta a troco
de nada, a troco de mexer em feridas por vezes já cicatrizadas.
É quando você passa a ser mais seletivo (a) internamente,
é quando você sabe que pode contar com poucos, mas que são essenciais e que
mantém uma boa relação de amizade e empatia sem exigir nada em troca.
É quando você olha mais à volta e se coloca
no lugar das pessoas e não mensura a sua dor, assim como não quer que mensurem
as suas. É quando você não interfere nas escolhas de ninguém e vai aprendendo a
digerir os embates da vida com mais nitidez e resiliência.
É quando você percebe que não precisa ter a
casa cheia, não precisa de tanto barulho, que estar a sós é como ir se
retratando diante do que se sente, do que sentiu ou do que não quer mais sentir.
É não precisar ir de um lado para o outro
tentando encontrar sossego interior. É quando você se aprimora e abstrai o que
não precisa, pede com mais fé e acredita mais no divino e não em falsas
promessas ou pessoas que não tem serventia por serem apenas instrumentos
prontos a desestabilizar seu coração, prontas a quererem se apossar do que não
lhes pertence a troco de fazê-lo (a) sofrer.
É quando você ora, pede pelos que precisam, pede
pelos que adoecem a alma, pede para que todos recebam luz por mais que não se
queira aproximação.
É quando você esvazia a bagagem, percebe que
andar descalço por vezes é libertador e que se o sol não apareceu naquele dia
mais nublado, você continuará acreditando em dias melhores e nas possibilidades
de superação e cura.
Maturidade espiritual é quando você aprende
a calar, a se afastar, a não se agredir e não agredir.
É quando você sente que a porta do céu é
melhor que abrir o chão para que você se afunde em dor ou discórdia.
A maturidade vem com os altos e baixos com o
entender nas entrelinhas. Com a sensação de que não existe superioridade e sim
a humildade de quem precisa manter o olhar atento, os sentimentos honestos e a
obrigação de cuidar melhor de si mesmo (a), para que você tenha força para
socorrer aos que também precisam de auxílio.
A maturidade espiritual vem quando você não
precisa viver de melindres, não precisa disfarçar o que é, quando você aceita a
própria condição, seja ela qual for, sabendo dos propósitos de Deus.
É quando você abre a porta, não procura
discórdia, não se queixa e agradece pelo que tem.
Por Sil Guidorizzi
Fonte O Segredo
sábado, 25 de abril de 2026
QUAL É SUA PERSONALIDADE DE ACORDO COM O ENEAGRAMA?
Há
vários meses, descobri dentro da minha profissão como coach a palavra
“eneagrama”, e assim que ressoou em meus ouvidos, me despertou uma imensa
curiosidade. Comecei a investigar do que se tratava e no que consistia.
Essa
palavra significa nove linhas em grego, já que descreve nove tipos de
personalidade nas quais cada um de nós (e nossos modelos mentais) estão
baseados.
Poderíamos
dizer que o eneagrama é um esquema que nos ajuda a filtrar a realidade objetiva
de forma subjetiva. Seu uso também nos permite averiguar e determinar:
–
O que nos faz ser como somos e agir ou pensar como pensamos.
–
Nossos principais traços de caráter: nossos defeitos e potenciais.
–
Nossos desejos e nossos medos
–
E o mais fascinante de todos, nos permite descobrir o por que tropeçamos sempre
na mesma rasteira ao longo da nossa vida.
Apresento
aqui os 9 eneatipos em que o eneagrama é baseado para que você descubra qual pode ser o seu e
possa entendê-lo dentro do escopo de crescimento pessoal.
Quais são os 9 eneatipos ou personalidades?
– Eneatipo 1:
Falamos daquelas pessoas que querem ser perfeitas, já que seu trauma é a
sensação de imperfeição. Devido a esse complexo, criam inconscientemente um
ideal de como deveriam ser. Têm uma personalidade autoexigente e muito crítica
com eles mesmos.
É
óbvio que, com busca exagerada pela perfeição, costumam se irritar e se
frustrar rapidamente. Dado que nunca alcançam a perfeição desejada, tendem a
ficar com raiva e se frustrar com muita facilidade.
Sua
prepotência os leva a cer que sempre têm razão e que são os únicos que têm
certeza e que sabem das coisas. Para se desbloquear e aprender, devem passar a
transformar sua raiva em serenidade e se aceitar tal e como são.
– Eneatipo 2:
Quando não amamos a nós mesmos, buscamos e precisamos ardentemente do amor.
Esse é o eneatipo 2, aquelas pessoas que pensam que amar a si mesmo é
egoísmo. Dão prioridade às necessidades
dos demais, acima das suas, e, quanto mais sentem que os outros as amam, mais feliz
estarão.
O
ruim disso? Que ocupando-se do resto, se esquecem de si mesmos e de seu
coração, por isso costumam a ser pessoas dependentes e não gostam nem um pouco
da solidão. Costumam ser orgulhosos, já que consideram saber mais sobre as
necessidades dos demais, dando conselhos constantemente e jogando na cara o que
os demais fazem.
Para
evoluir interiormente precisam transformar seu orgulho em humildade e cuidar,
primeiro, de suas próprias necessidades emocionais.
– Eneatipo 3:
Não valorizam a si mesmos e, por isso, precisam constantemente da valorização
dos demais. Se não se destacarem em alguma parcela da vida não se sentirão
valiosos e queridos. Consideram que seu papel como ser humano consiste em
triunfos profissionais, a imagem, o sucesso e o reconhecimento.
E
o que tudo isso gera para eles? Faz com que se escondam por trás de uma máscara
e se esqueçam de quem são na realidade. São pessoas presunçosas, ambiciosas e
competitivas. Sua evolução pessoal consiste em transformar sua vaidade em
autenticidade e se valorizar pelo que são, e não pelo que têm ou conseguem.
– Eneatipo 4:
Aquelas pessoas que não veem a si mesmas e, por isso, precisam de atenção
constante ao seu redor. Sentem-se inferiores aos demais, o que os leva à
necessidade de se transformar em únicos, especiais e diferentes. Se forem comparados constantemente com as
pessoas, pensarão que falta “algo” para poder ser feliz, enchendo-se de inveja,
tristeza e melancolia.
São
egocêntricos para salvar essa necessidade e, por isso, falam muito de suas
emoções internas, sem levar em conta as dos demais. Uma característica
importante do eneatipo 4 é que geralmente sentem-se incompreendidos , com
muitos altos e baixos emocionais. Para evoluir , precisam aprender a se
interessar mais pelos demais, além deles mesmos.
– Eneatipo 5:
Pssoas que têm medo de expressar seus sentimentos e de se relacionar
emocionalmente com os demais. O contato físico lhes incomoda, tornando-os
frios, reservados e distantes. Sentem-se seguros em seu mundo racional, teórico
e intelectual, mas não são capazes de usar todo esse conhecimento para agir.
A
fim aprender e superar a si mesmos como seres humanos, têm que ter a
consciência de se conectar com seu coração, encontrando o equilíbrio entre o
que pensam e o que se sentem.
– Eneatipo 6:
Caracterizam-se como pessoas que não confiam em si mesmas e temem tomar
decisões. Vivem em um contínuo estado de alerta, com medo de situações futuras
e compromissos. Preocupam-se excessivamente e costumam perguntar aos demais o
que devem fazer com suas vidas.
Para
evoluir internamente, esse eneatipo precisa transformar sua covardia em
coragem, aprendendo a ter confiança em si mesmo para assumir as consequências
das decisões tomadas.
– Eneatipo 7:
Você conhece alguma pessoa que tenha medo de gerar medo a si mesmo? Então você
se encontra frente a um eneatipo 7, pessoas divertidas, alegres, positivas e
que usam o humor como armadura de defesa para evitar o medo.
A
principal característica dessas pessoas é que elas costumam ser hiperativas,
buscando constantemente o prazer e sempre fazendo atividades para não se
entediar. Acham muito difícil se conectar com o presente e se concentrar.
Para
superar e evoluir, precisarão cultivar o silêncio e a arte de não fazer nada,
conectar-se com a felicidade e o bem-estar que residem em seu interior, em vez
de fugir.
– Eneatipo 8:
Você tem medo de que te machuquem? Quem não tem? Mas uma pessoa com o eneatipo
8 tem muito mais. Essas pessoas constroem uma armadura e vivem constantemente
na defensiva para ter o controle, agindo agressivamente quando se sentem
ameaçadas.
Precisam
estar no comando das situações, sem suportar que lhes digam o que fazer. Seu
lema de vida costuma ser: “A melhor defesa é um bom ataque”.
Para
crescer interiormente, precisam soltar o controle e aceitar sua
vulnerabilidade, compreendendo que ninguém pode feri-los emocionalmente se não
se abrirem antes e darem o seu consentimento.
– Eneatipo 9:
Evitam o conflito a todo custo, sem saber lidar com a raiva daqueles que os
rodeiam. Passam inadvertidos para não gerar nenhuma discussão e têm muita
dificuldade em dizer “não” aos demais, por medo de que fiquem com raiva.
Costumam
ser bons ouvintes, acreditando que sua opinião não é importante e se deixando
levar pelos demais. Tudo isso os leva a não ter motivação para fazer atividades
e gerar novas situações boas. Precisam transformar sua preguiça em
pró-atividade, fazer-se valer e contribuir com o mundo.
E
você, com que eneatipo se sentiu mais identificado? Isso lhe ajudará a superar
grandes barreiras e obstáculos em seu dia a dia… então supere a si mesmo como
ser humano!
Fonte
A Mente é Maravilhosa
quinta-feira, 23 de abril de 2026
SETE MOTIVOS PARA VIVER ENTRE LIVROS
As razões de um tradutor francês para acumular
quarenta mil volumes em sua coleção, e o que podemos aprender com ele
Poucas
compulsões de consumo são tão bem vistas socialmente quanto o desejo de
acumular livros. Ao contrário dos admiradores de sapatos, perucas, miniaturas ou
outros bens de consumo supostamente fúteis, que são forçados a dedicar-se a
suas paixões de forma quase clandestina para escapar do julgamento alheio, fãs
de livros podem disfarçar seu descontrole consumista como uma implacável sede
de conhecimento. O advento dos livros digitais tornou a vida do aspirante a
bibliófilo ainda mais fácil. Se antes era necessário enfrentar as barreiras do
espaço, hoje uma biblioteca de dezenas de milhares de exemplares cabe no bolso
de qualquer paletó, ou mesmo num celular. Um cartão de memória do tamanho da
unha de um dedão pode armazenar mais de trinta mil livros – um acervo
equivalente feito de papel exigiria um apartamento inteiro para abrigá-lo. O
custo também deixou de ser um empecilho. É possível encontrar uma infinidade de
obras disponíveis gratuitamente na internet, em domínio público, e o preço dos
exemplares novos, sobretudo os importados, é um convite à compra por impulso.
A
escolha entre os livros físicos e os digitais é uma questão de gosto, e um
detalhe irrelevante diante da meta de formar a biblioteca ideal. Na busca por
esse objetivo, tanto os fanáticos por tecnologia quanto os fetichistas do papel
têm de se render aos ensinamentos dos grandes colecionadores do passado. O
tradutor e editor francês Jacques Bonnet, dono de um acervo de mais de quarenta
mil volumes, é uma das maiores autoridades no assunto. Sua coletânea de ensaios
Fantasmas na biblioteca (Civilização Brasileira, 160 páginas, R$ 29,90),
recém-lançada no Brasil, reúne nove textos sobre seu amor pelos livros.
Qualquer comprador compulsivo de literatura deveria fazer o enorme sacrifício
de acrescentá-la a sua coleção. Com base nos ensaios de Bonnet, elaborei uma
lista com suas sete principais razões para viver entre livros. Elas valem tanto
para quem já se dedica à formação da biblioteca perfeita quanto para apenas
gosta de livros, e estava à procura de uma desculpa para transformar seu apreço
em loucura.
1) O prazer da posse
Aprendemos
a ler na infância e, se conseguirmos escapar das inúmeras outras tentações que
roubam a atenção das crianças, é possível desenvolver desde cedo uma paixão
pela literatura. A compulsão por livros, porém, só chega mais tarde. Nossa
velocidade de leitura se mantém constante, o tempo dedicado a ela se torna
escasso e passamos a comprar mais livros do que somos capazes de ler. É uma
decisão questionável, ao menos do ponto de vista econômico. "Livros são
caros na compra; não valem nada na revenda; são caríssimos quando queremos
encontrá-los e estão esgotados˜, escreve Bonnet. O custo é compensado pelo
prazer da sensação de posse. Mesmo o exemplar não lido é, de certa forma,
conquistado por seu dono. Ou, como diria Bonnet, "também foram ‘lidos’ de
um certo modo, estão classificados em algum lugar do meu espírito como na minha
biblioteca.” Apesar de prazeroso, o acúmulo de livros não lidos é uma atividade
que requer cuidado. Fantasmas na biblioteca reproduz o aviso de Sêneca:
"Que me importam esses inumeráveis livros e essas bibliotecas, cujos
proprietários, durante toda a vida, mal leram as etiquetas?” Por mais que a
compra compulsiva de livros seja bem-vista, a meta final deve ser sempre a
leitura, ainda que num futuro distante.
2) O flerte e a culpa
A
falta de espaço ou de dinheiro podem frear a expansão de uma biblioteca
pessoal, mas o maior inimigo do acúmulo de livros é a culpa. Quando a pilha de
exemplares comprados e não lidos cresce, até o bibliômano mais perdulário
começa a se sentir culpado por seus flertes. Felizmente, os ímpetos de
racionalidade não costumam resistir a uma visita à livraria, ou mesmo a alguns
minutos diante do computador. Faço uma confissão, certo de que meu caso não é o
único. Num dia 31 de dezembro, ao perceber que a quantidade de livros não lidos
em meu leitor digital e em minha estante seria suficiente para algumas décadas
de leitura, prometi não comprar livros durante o ano seguinte. A promessa foi
quebrada antes do fim de janeiro, quando o site de uma livraria anunciou uma
promoção imperdível – a primeira de muitas naquele ano. Descobri que a
resistência a comprar novos livros só aumenta o prazer de ceder à tentação. Os
motivos que fazem um leitor se deixar vencer pelo flerte são os mais variados.
Bonnet revela que, em sua juventude, comprou um exemplar de Lolita, de Nabokov,
só porque gostou da capa, e se rendeu a O lobo da estepe, de Herman Hesse, por
causa do título misterioso, mesmo sem conhecer o autor. Embora alguns livros
sejam comprados depois de longos namoros, a maioria chega às estantes graças a
essas paixões à primeira vista que, após a compra, se transformam em
relacionamentos duradouros.
3) O apego inexplicável
Se
compramos livros seguindo critérios quase irracionais, cedo ou tarde nos
tornamos vítimas de nossos instintos e maculamos nossas coleções, grandes ou
pequenas, com obras de baixa qualidade. Isso nos força a escolher entre o
prazer de possuir um livro, mesmo ruim, e a vontade racional de passá-lo
adiante e abrir espaço para outro volume, mais adequado às nossas expectativas.
Nessas batalhas contra a razão, o desejo de preservação do acervo raramente é
derrotado. “A escolha do que se deve guardar ou rejeitar requer uma energia que
eu sempre economizei”, diz Bonnet. "Quem sabe se, no futuro, não terei necessidade
de uma obra que, na hora, achei medíocre?"
4) O bibliotecário em cada um de nós
Os
entusiastas do livro digital têm, aqui, um trabalho (e um passatempo) a menos
do que os admiradores dos livros de papel. Em leitores digitais como o Kindle
ou o Kobo, bastam alguns cliques para organizar toda sua coleção por título,
data de leitura ou nome do autor. Os átomos são muito mais indóceis que os
bits. Domar uma estante de pequeno ou médio porte exige no mínimo uma tarde de
trabalho. Organizar uma coleção de milhares de volumes é uma tarefa para a vida
inteira. Além do esforço braçal necessário para remover os livros das
prateleiras e reorganizá-los, há o esforço intelectual de escolher entre vários
critérios de organização. Ao contrário dos arquivos digitais, os livros de
papel aceitam uma infinidade de classificações. Bonnet reproduz uma lista
elaborada pelo romancista francês Georges Perec. Segundo ele, é possível
organizar os livros por ordem alfabética (de título ou nome do autor), por
continentes ou países, por cores, por data de aquisição, por data de
publicação, por formatos, por gêneros, por grandes períodos literários, por
línguas, por prioridades de leitura, por encadernações e por séries. Em
seguida, Bonnet expõe as falhas de cada um desses critérios e volta a citar
Perec: "Nenhuma dessas classificações é satisfatória em si mesma. Toda
biblioteca se ordena a partir de uma combinação dessas classificações."
5) A força dos hábitos
Os
acumuladores de livros podem ser divididos em dois grupos. Alguns tratam seus
exemplares com reverência. Outros encaram os livros como meros objetos de
estudo e trabalho. Os membros do primeiro grupo tentam manter ao máximo o
estado de conservação das obras. Ao abrir um volume da coleção de um deles (com
a devida autorização do dono, acompanhada de instruções de manuseio), é difícil
notar traços de contato com mãos humanas. Os elementos do segundo grupo são
facilmente reconhecidos por suas estantes cheias de exemplares castigados pelo
uso e repletos de anotações. Bonnet se enquadra no segundo grupo. "Escrevo
em meus livros, a lápis, com caneta hidrográfica ou esferográfica. Aliás, não
consigo ler sem alguma coisa à mão." Os conservacionistas podem se gabar
do fato de que suas coleções sobreviverão por mais tempo. Os anotadores
compulsivos têm o privilégio de reler suas anotações anos depois de feitas,
como recados ao leitor futuro numa máquina do tempo.
6) Memórias e fantasias
Embora
a presença opressora dos livros comprados e não lidos iniba esse comportamento,
é inevitável reler alguns exemplares que insistem em sair da estante para a
cabeceira. Ao abrir um livro já lido, revisitamos não apenas as palavras do
autor, mas também nosso próprio passado. O estado de espírito que tínhamos na
primeira leitura ressurge na leitura seguinte, mesmo depois de muitos anos.
Reler é discutir consigo mesmo, e muitas vezes discordar de julgamentos do
passado. Bonnet cita o exemplo do escritor modernista Paul Morand, cujo estilo
o encantara aos 20 anos, mas tornou-se insuportável numa releitura depois dos
60. Quem acumula enormes pilhas de livros não lidos depara com outro prazer da
memória, mais melancólico: o de se emocionar pela primeira vez com um exemplar
comprado há muitos anos e imaginar o que teria sido diferente em sua vida se o tivesse
lido na primeira oportunidade. Quanto maior a lista de obras a ler, mais
numerosas são as vidas paralelas. Se suas leituras não têm qualquer influência
sobre suas decisões e seu modo de viver, você está lendo os livros errados.
7) O dom de esquecer
Por
maiores que sejam as estantes, ou o espaço nos discos rígidos, a tarefa de
processar o conteúdo (ou ao menos as capas e títulos) de uma coleção de livros
cabe, em última instância, à mente do leitor – um instrumento fascinante, mas
pouquíssimo confiável. Com o passar dos anos e o acúmulo dos livros nas
prateleiras e na memória, obras que lemos com atenção podem ser quase
totalmente esquecidas. Bonnet cita Pierre Bayard, autor de Como falar dos
livros que não lemos, para explicar essa fraqueza. “É, antes de tudo, difícil
saber com precisão se lemos ou não um livro, pois a leitura é o lugar do
evanescente", diz Bayard. Ao conversar com outro leitor sobre um livro que
já lemos, não é raro perceber que deixamos de notar aspectos cruciais da obra,
ou que apagamos trechos inteiros da memória. Se escolhermos o texto certo e
esperarmos tempo o bastante para que a memória comece a nos trair, cada
releitura da mesma obra pode ser uma experiência totalmente nova. Mesmo quem
vive entre quarenta mil livros é capaz de perder-se num só.
Por
Danilo Venticinque
Fonte
ÉPOCA Online
quarta-feira, 22 de abril de 2026
DIA DA TERRA
O dia 22 de abril é conhecido como aquele em que se
comemora o Dia da Terra
O
Dia da Terra foi criado nos anos 70 pelo então senador americano e ativista
ambiental Gaylord Nelson. A ideia era que todo o dia 22 de abril, os habitantes
do planeta pudessem refletir acerca de questões ambientais e conservacionistas,
além de incentivar o debate acerca de soluções para diminuir o impacto da
atividade humana na natureza.
Oficialmente,
contudo, a data de 22 de abril se concretizou como um momento de homenagem a
Terra em 2009. Foi durante uma assembleia da Organização das Nações Unidas (ONU),
realizada naquele ano na Bolívia, que ficou estabelecido o Dia Internacional da
Mãe Terra. “A Terra e seus ecossistemas são a nossa casa, é necessário,
portanto, que seja promovida a harmonia entre a natureza e o planeta”, declarou
a organização em comunicado.
5 DICAS PARA SER UM FREELANCER DE SUCESSO NA CRISE
É a hora de fazer escolhas estratégicas para
impulsionar seus ganhos, mas sem deixar a qualidade da sua entrega — ou a sua
saúde — desabarem
Sucesso
e crise são duas palavras que parecem não combinar em hipótese alguma. Mas
depende: ao mesmo tempo em que fecha portas para uns, a situação ruim da
economia pode abrir oportunidades para outros.
A
necessidade de enxugar despesas faz com que muitas empresas busquem mais
flexibilidade nas contratações e apostem menos em funcionários “full-time” para
determinadas atividades — o que abre espaço para quem atua como freelancer, diz
Guillermo Bracciaforte, cofundador da Workana, plataforma de trabalho autônomo.
Não
que o profissional independente também não sofra com a maré ruim. Ainda que
possa haver mais pedidos de “jobs”, o freelancer muitas vezes precisa aceitar
pagamentos mais baixos por suas entregas. Isso para não falar nos atrasos para
receber, que podem se tornar mais longos em tempos de finanças apertadas para
as empresas.
Mais
do que nunca, é preciso fazer escolhas estratégicas para ganhar clientes e
maximizar os seus ganhos, sem deixar a qualidade das suas entregas —e a sua
saúde física e mental —desabarem.
O
segredo para conseguir isso é zelar pela sua reputação, garante Sebastián
Siseles, diretor internacional do portal Freelancer.com. “A credibilidade é
sempre o principal recurso de um freelancer, com ou sem crise na economia”, diz
ele.
Mas
como fazer isso em tempos tão difíceis para o mercado? Confira a seguir 5 dicas
valiosas sobre o assunto:
1. Saiba o preço mínimo que você pode cobrar
Na
crise, muitos profissionais reduzem drasticamente seus preços para atrair
clientes e derrotar a concorrência. A tática pode até funcionar a curto prazo,
mas no fim dará errado: você acabará com muito trabalho e pouco dinheiro.
“Saiba
o seu limite, isto é, o mínimo que você precisa ganhar para que o trabalho seja
rentável”, diz Bracciaforte. Combinar um valor inicial baixo demais pode
obrigar o freelancer a fazer cobranças adicionais durante a realização do
trabalho — o que pode gerar irritação no cliente e até comprometer sua
reputação perante o mercado como um todo.
Uma
ferramenta gratuita recentemente lançada pela Workana permite fazer o cálculo
da sua hora de trabalho em áreas como marketing, conteúdo, design,
administrativo e TI. Os parâmetros usados para a conta são o país, o tempo de
experiência e a função desempenhada. Clique aqui para acessá-la.
2. Mostre interesse pelo trabalho
A
melhor forma de se diferenciar na crise não é reduzir selvagemente o próprio
preço, mas conquistar a plena confiança do cliente. Mais do que pagar pouco, o
grande incentivo para uma empresa que busca eficiência é a garantia contra riscos:
pode-se esperar que você entregará tudo no prazo, com excelente qualidade. Para
isso, é importante demonstrar interesse pelo objetivo do cliente, e não apenas
vontade de ganhar dinheiro com aquilo.
“Leia
o briefing com atenção, faça as perguntas certas, seja gentil e mostre que você
está disponível para feedbacks”, explica Bracciaforte. Associada à qualidade e
à pontualidade da entrega, esse tipo de atitude faz toda a diferença para
ganhar credibilidade e ser chamado para novos trabalhos no futuro.
3. Administre seu tempo com sabedoria
Um
dos segredos de um freelancer bem-sucedido é a capacidade de ter uma rotina
organizada e disciplinada. Isso é especialmente importante em tempos de crise,
quando a carga de trabalho aumenta e os prazos ficam mais apertados.
“Não
dá para acordar tarde e começar a trabalhar sem qualquer planejamento do seu
dia”, diz Siseles. Você precisa estabelecer prazos para si mesmo, escolher um
local de trabalho adequado e, assim, garantir a sua produtividade.
Fazer
uma gestão estratégica do seu tempo também é essencial para que você não viva
correndo atrás do relógio e nem se torne um “escravo” das suas obrigações. Com
uma agenda equilibrada, você não precisará abdicar do lazer, do descanso ou da
convivência com pessoas queridas.
4. Crie relacionamentos de longo prazo
Por
definição, um freelancer é alguém que faz trabalhos de forma pontual, com data
explícita para terminar. Essa transitoriedade não pode também se aplicar também
às relações com seus clientes — elas precisam durar mais do que um “job”. Na
crise, a fidelidade de um cliente vale ouro.
“Mande
um e-mail ou faça uma ligação telefônica uma vez por mês para saber como vão os
seus contatos mais importantes”, recomenda Bracciaforte. É importante manter o
diálogo ativo mesmo depois que o trabalho já foi encerrado, tanto para receber
novas solicitações daquele cliente quanto para que ele indique o seu nome para
terceiros.
Também
vale investir em relacionamento com outros freelancers. “Faça networking com
colegas de profissão ou pessoas de áreas correlatas à sua”, diz Siseles. “Além
de trocar dicas e informações sobre o mercado, vocês podem eventualmente
dividir projetos multidisciplinares”.
5. Tenha um bom planejamento financeiro
Com
ou sem crise, um freelancer sempre precisa lidar com a intermitência de seus
rendimentos. Para não ficar no vermelho, é preciso ter um controle rigoroso das
suas finanças. Isso envolve fazer uma previsão dos seus gastos mensais, cobrar
um valor justo pelo seu trabalho e sempre alimentar um fundo de reserva para
emergências.
Também
é necessário contar com possíveis atrasos de pagamentos, que podem se tornar
mais frequentes e longos por causa da crise. Para evitar grandes “furos”, uma
possibilidade é programar mensagens automáticas de cobrança. “É uma forma mais
sutil e menos pessoal de lembrar os seus clientes que eles lhe devem dinheiro”,
diz Bracciaforte. Ferramentas de envio de lembretes costumam ser pagos, mas
podem valer a pena em alguns casos.
O
cuidado com as finanças também é o que permite que você seja seletivo na hora
de escolher projetos e não trabalhe desesperadamente para pagar as contas. Se
for organizado e tiver uma boa reputação, um dia você poderá apenas escolher os
clientes que pagam melhor, conclui Siseles.
Por
Claudia Gasparini
Fonte
Exame.com
10 ESTUDOS QUE MUDARÃO O QUE VOCÊ PENSA QUE SABE DE SI MESMO
Alguns dos
experimentos psicológicos mais famosos do século passado revelam verdades
universais e muitas vezes surpreendentes sobre a natureza humana
Muitas vezes sabemos
pouco sobre nossa mente, e menos ainda como pensam outros
Por que fazemos as coisas que fazemos? Não
obstante nossos esforços mais sinceros para seguir a máxima “conhece-te a ti
mesmo”, a verdade é que muitas vezes sabemos surpreendentemente pouco sobre
nossa própria mente, e menos ainda sobre como pensam os outros.
Como disse Charles Dickens, “um fato
assombroso que merece reflexão é que cada ser humano é feito de modo a ser um
segredo e mistério profundo para cada outro”.
Não é de hoje que os psicólogos buscam
entender melhor como apreendemos o mundo e o que motiva nossos comportamentos,
e eles já avançaram muito para desfazer esse véu de mistério.
Além de fornecer assunto para bate-papos
instigantes em festas, alguns dos experimentos psicológicos mais famosos do
século passado revelam verdades universais e muitas vezes surpreendentes sobre
a natureza humana.
Veja a seguir dez estudos psicológicos
clássicos que podem mudar seu entendimento sobre si mesmo:
Todos possuímos
alguma capacidade de cometer o mal
Possivelmente o experimento mais famoso na
história da psicologia, o estudo da prisão de Stanford, de 1971, se deteve
sobre como situações sociais podem afetar o comportamento humano.
Os pesquisadores, comandados pelo psicólogo
Philip Zimbardo, montaram uma falsa prisão no subsolo do prédio do departamento
de psicologia da Universidade Stanford e selecionaram 24 estudantes (que não
tinham ficha policial e foram avaliados como psicologicamente saudáveis) para
representar os papéis de presos e carcereiros.
Pesquisadores observaram os presos (que
tinham que ficar nas celas 24 horas por dia) e os guardas (que dividiam turnos
de oito horas), usando câmeras ocultas.
O experimento estava programado para durar
duas semanas, mas teve que ser abortado depois de apenas seis dias devido ao
comportamento abusivo dos guardas – que chegaram a cometer tortura psicológica
– e o estresse emocional e ansiedade extremos manifestados pelos presos.
“Os guardas foram intensificando as
agressões contra os prisioneiros, obrigando-os a ficar nus, colocando sacos
sobre suas cabeças e, finalmente, os fizeram praticar atividades sexuais mais e
mais humilhantes”, Zimbardo contou à American Scientist.
“Depois de seis dias tive que encerrar a
experiência porque estava fora de controle. Eu ficava acordado à noite,
preocupado com o que os guardas poderiam estar fazendo com os detentos.”
Não notamos o que
está bem à nossa frente
Você pensa que sabe o que se passa à sua
volta? Talvez não tenha tanta consciência disso quanto imagina.
Em 1998, pesquisadores de Harvard e da Kent
State University convocaram pedestres que transitavam por um campus de
faculdade para determinar quanto as pessoas notam do ambiente imediato à sua
volta.
No experimento, um ator abordava um
transeunte e pedia indicações para chegar a um local.
Enquanto o transeunte estava dando as
indicações, dois homens carregando uma grande porta de madeira passavam entre o
ator e seu interlocutor, bloqueando completamente a visão que um tinha do outro
por alguns segundos.
Durante esse período, o ator era substituído
por outro ator de altura e aparência diferente, com penteado, voz e roupa
diferentes. Nada menos que metade dos participantes não notou a substituição.
O experimento foi um dos primeiros o
ilustrar o fenômeno da chamada “cegueira a mudanças”, que mostra como somos
seletivos em relação ao que apreendemos em qualquer cena visual dada.
Parece que nos pautamos muito mais do que
talvez imaginemos pela memória e o reconhecimento de padrões.
Adiar a recompensa é
difícil, mas somos mais bem-sucedidos quando o fazemos
Um experimento famoso feito na Universidade
Stanford no final dos anos 1960 testou a capacidade de crianças da pré-escola
de resistir à atração da recompensa instantânea –e rendeu algumas informações
úteis sobre a força de vontade e a autodisciplina.
No experimento, crianças de 4 anos foram
colocadas sozinhas numa sala com um marshmallow sobre um prato diante delas.
Foi dito a elas que podiam comer o doce na
hora ou, se esperassem até a pesquisadora voltar, em 15 minutos, poderiam
ganhar dois marshmallows.
A maioria das crianças disse que preferia
esperar, mas muitas acabaram cedendo à tentação, comendo o doce antes de a
pesquisadora voltar, disse a TIME.
As crianças que conseguiram esperar por 15
minutos usaram táticas para evitar a tentação, por exemplo, dando as costas
para o doce ou cobrindo os olhos.
As implicações do comportamento das crianças
foram significativas: aquelas que conseguiram adiar a recompensa tiveram muito
menos chances de chegar à adolescência obesas, dependentes de drogas ou com
problemas comportamentais e tiveram mais sucesso mais tarde na vida.
Podemos sentir
impulsos morais profundamente conflitantes
Um estudo famoso (e um pouco alarmante) de
1961 do psicólogo de Yale Stanley Milgram testou até onde as pessoas se
dispunham a ir para obedecer a figuras de autoridade quando estas lhes pediam
para fazer mal a outras pessoas, além do intenso conflito interno entre a moral
pessoal e a obrigação de obedecer às figuras de autoridade.
Milgram quis fazer o experimento para
descobrir como foi possível que criminosos de guerra nazistas perpetrassem atos
hediondos durante o Holocausto.
Para isso, ele testou uma dupla de
participantes, um dos quais designado o “professor” e o outro o “aprendiz”. O
professor foi instruído a aplicar choques elétricos ao aprendiz cada vez que
este errava a resposta a uma pergunta.
O aprendiz
supostamente estava sentado em outra sala, mas na realidade não recebia os
choques
Em vez disso, Milgram tocava gravações que
soavam como se o aprendiz estivesse sofrendo dor. Se o “professor” manifestava
o desejo de parar de aplicar choques, o pesquisador o incentivava a continuar.
No primeiro experimento, 65% dos
participantes chegaram a aplicar um choque final e doloroso de 450 volts
(rotulado o choque “XXX”), apesar de muitos ficarem visivelmente estressados e
incomodados por fazê-lo.
O estudo tem sido visto como um aviso sobre
os perigos da obediência cega à autoridade, mas a Scientific American o reviu
recentemente e sugeriu que os resultados são mais indicativos de conflito moral
profundo.
“A natureza moral humana inclui a propensão
a sermos empáticos, gentis e bons com nossos familiares e os membros de nosso
grupo, além de uma tendência a sermos xenófobos, cruéis e perversos com membros
de ‘outras tribos’”, escreveu o jornalista Michael Shermer.
“Os experimentos com choques revelam não
obediência cega, mas tendência morais conflitantes profundamente enraizadas nas
pessoas.”
Recentemente alguns observadores
questionaram a metodologia de Milgram. Um crítico observou que os registros do
experimento realizado em Yale sugerem que na realidade 60% dos participantes
tenham desobedecido às ordens de aplicar o choque mais forte.
Somos facilmente
corrompidos pelo poder
Há uma razão psicológica por trás do fato de
as pessoas no poder às vezes tratarem as outras com desrespeito e agirem como
se tivessem direitos adicionais.
Um estudo de 2003 publicado no periódico
Psychological Review juntou estudantes em grupos de três para escreverem um
trabalho curto juntos.
Dois estudantes deviam escrever o texto,
enquanto o terceiro deveria avaliá-lo e determinar quanto seria pago a cada um
dos estudantes redatores.
No meio do trabalho, um pesquisador trazia
um pratinho com cinco biscoitos. Embora o último biscoito quase nunca fosse
comido, o “chefe” quase sempre comia o quarto – e o fazia de modo desleixado,
mastigando com a boca aberta.
“Quando os pesquisadores conferiam poder a
pessoas em experimentos científicos, as pessoas mostravam tendência maior a
tocar as outras pessoas fisicamente de modo inapropriado, flertar de modo mais
direto, fazer apostas e escolhas arriscadas, fazer as primeiras ofertas em negociações,
dizer exatamente o que estavam pensando e comer biscoitos como se fossem o
personagem Come-Come (de Vila Sésamo), espalhando migalhas sobre o queixo e
peito”, escreveu o psicólogo Dacher Keltner, um dos responsáveis pelo estudo,
num artigo para o Greater Good Science Center da Universidade da Califórnia em
Berkeley.
Buscamos a lealdade
a grupos sociais e nos envolvemos facilmente em conflitos entre grupos
Este experimento social clássico dos anos
1950 lançou uma luz sobre a possível razão psicológica pela qual grupos sociais
e países se envolvem em conflitos – e como podem aprender a cooperar novamente.
O líder do estudo, Muzafer Sherif, levou
dois grupos de 11 meninos, todos de 11 anos, para o Parque Estadual Robbers
Cave, no Oklahoma, supostamente para um acampamento de férias.
Os grupos (chamados “Águias” e “Cascavéis”)
passaram uma semana separados. Seus integrantes se divertiram juntos e ficaram
amigos, sem terem conhecimento da existência do outro grupo.
Quando os dois grupos finalmente
interagiram, os garotos começaram a xingar uns aos outros. Quando começaram a
competir em várias brincadeiras, surgiram mais conflitos, e em seguida os dois
grupos se recusaram a comer juntos.
Na fase seguinte da pesquisa, Sherif criou
experimentos para tentar reconciliar os meninos, fazendo-os compartilhar
atividades de lazer (o que não deu certo) e depois fazendo-os resolver um
problema juntos. Foi isso o que finalmente levou à suavização do conflito.
Só precisamos de uma
coisa para sermos felizes
O estudo Harvard Grant, um dos estudos
longitudinais mais abrangentes jamais realizado, foi feito ao longo de 75 anos
com 268 estudantes homens da Universidade Harvard que se formaram entre 1938 e
1940 (hoje eles estão na casa dos 90 anos), promovendo uma coleta regular de
informações sobre aspectos diversos de suas vidas.
Qual foi a conclusão universal? Que o amor
realmente é a única coisa que importa, pelo menos quando se trata de determinar
a felicidade e satisfação com a vida no longo prazo.
O psiquiatra George Vaillant, que dirigiu o
estudo durante muitos anos, disse ao Huffington Post que existem dois pilares
da felicidade:
“Um deles é o amor. O outro é encontrar uma
maneira de lidar com a vida que não afaste o amor.” Por exemplo, um
participantes começou o estudo com o escore mais baixo entre todos os
participantes em matéria de chances de estabilidade futura. E já tinha tentado
o suicídio anteriormente. Mas, perto do final da vida, ele era um dos mais
felizes. Por que? Como explica Vaillant, “ele passou sua vida procurando o
amor”.
Vivemos bem e nos
sentimos fortalecidos quando temos autoestima forte e status social
Alcançar a fama e o sucesso não é apenas
algo que dá um reforço ao ego – também pode ser uma chave da longevidade,
segundo o notório estudo dos ganhadores do Oscar.
Pesquisadores do Sunnybrook and Women’s
College Health Sciences Centre, de Toronto, constataram que os atores e
diretores premiados com o Oscar tendem a viver mais tempo que seus colegas que
são nomeados, mas perdem o prêmio.
Os atores e atrizes ganhadores vivem quase
quatro anos mais que seus pares que não ganham.
“Não estamos dizendo que você viverá por
mais tempo se receber um Oscar”, disse à ABC News Donald Redelmeier, autor
principal do estudo.
“Nem que as pessoas deveriam sair para fazer
aulas de atuação. Nossa conclusão principal é simplesmente que os fatores
sociais são importantes... O estudo sugere que um senso interno de autoestima é
um aspecto importante da saúde e do cuidado com a saúde.”
Procuramos
constantemente justificar nossas experiências, para que façam sentido para nós
Qualquer pessoa que já tenha feito a matéria
de psicologia básica sabe o que é a dissonância cognitiva, uma teoria segundo a
qual os seres humanos têm propensão natural a evitar conflitos psicológicos
baseados em crenças incompatíveis ou mutuamente excludentes.
Num experimento de 1959 que é citado com
frequência, o psicólogo Leon Festinger pediu a participantes que realizassem
uma série de tarefas monótonas, como virar cavilhas numa maçaneta de madeira,
durante uma hora.
Em seguida, elas eram pagas ou US$1 ou US$20
para dizer a um “participante” (ou seja, um pesquisador) que a tarefa era muito
interessante.
Aqueles que recebiam US$1 classificaram as
tarefas como mais agradáveis que aqueles que receberam US$20.
A conclusão: os participantes que receberam
mais dinheiro sentiram que tinham tido justificação suficiente para realizar a
tarefa entediante por uma hora, mas aqueles que receberam apenas US$1 sentiram
que precisavam justificar o tempo gasto (e reduzir o nível de dissonância entre
suas crenças e seu comportamento), dizendo que a atividade tinha sido
divertida.
Em outras palavras, temos o hábito de mentir
a nós mesmos para fazer o mundo parecer um lugar mais lógico e harmonioso.
Acreditamos muito em
estereótipos
Quase todos nós estereotipamos diversos
grupos de pessoas com base em grupo social, etnia ou classe social, mesmo que
nos esforcemos para não fazê-lo.
E isso nos pode levar a conclusões injustas
e potencialmente prejudiciais sobre populações inteiras.
Os experimentos sobre o “automatismo de
comportamentos sociais” feitos pelo psicólogo John Bargh, da Universidade de
Nova York, revelaram que com frequência julgamos pessoas com base em
estereótipos dos quais não temos consciência – e que não conseguimos deixar de
agir com base nesses estereótipos.
Também tendemos a acreditar nos estereótipos
relativos a grupos sociais dos quais consideramos que fazemos parte.
Em um estudo, Bargh pediu a um grupo de
pessoas que organizasse palavras relacionadas à velhice, como “Flórida” (onde
vivem muitos aposentados americanos), “impotente” e “enrugado”.
Depois disso, eles caminharam por um
corredor, andando bem mais devagar que os membros de um grupo que tinham
organizado palavras não relacionadas à idade.
Bargh teve os mesmos resultados em dois
outros estudos comparáveis em que eram aplicados estereótipos baseados em raça
e cortesia.
“Os estereótipos são categorias levadas
longe demais”, disse Bargh à Psychology Today.
“Quando usamos estereótipos, apreendemos o
gênero, a idade e a cor da pele da pessoa que está diante de nós, e nossa mente
responde com mensagens dizendo ‘hostil’, ‘estúpido’, ‘lento’, ‘fraco’. Essas
características não estão presentes no ambiente. Elas não refletem a
realidade.”
Por Carolyn Gregoire
Fonte Exame.com
segunda-feira, 20 de abril de 2026
ATÉ QUEM JÁ MORREU DEVE DECLARAÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA
Bens devem ser declarados como espólio até o término
do inventário
A
morte de um ente é sempre uma situação delicada. Para além do envolvimento
emocional, a questão da partilha costuma levar tempo. Sob o aspecto tributário,
fica a dúvida: como declarar os bens deixados por parentes que faleceram?
Segundo a Receita Federal, é necessária a entrega da declaração de Imposto de
Renda em nome do falecido enquanto o inventário não for concluído. Caso isso
não seja feito, os herdeiros podem ser obrigados a arcar com juros e multa com
o dinheiro do espólio.
O
prazo para abrir inventário é de 60 dias a partir do dia em que a pessoa morre.
Do contrário, haverá a cobrança de multa fiscal. O inventário é um processo que
formaliza a transferência do patrimônio. Nesse momento, são apuradas as
dívidas, rendimentos e bens que o falecido deixou. Se não existir testamento e
houver consenso entre os herdeiros, pode ser feita uma partilha por escritura
pública lavrada em cartório. Isso só é possível, porém, se todos os envolvidos
forem maiores de idade e contarem com a assistência de um advogado.
Esse
processo é muito mais ágil, permitindo a conclusão da partilha de um dia para o
outro. Mas caso a divisão envolva menores de idade ou herdeiros em desacordo,
será necessário abandonar a via administrativa e partir para um inventário
judicial. Quem baterá o martelo sobre a distribuição dos bens será um juiz da
vara familiar.
Filhos
não reconhecidos, descoberta de outras fontes de rendimento, divergências entre
as partes. Quanto mais variáveis envolvidas, maior a chance do processo se
arrastar na Justiça. Até mesmo quando há consenso, o inventário judicial não
costuma ser concluído em menos de um ano. As formalidades são muitas, e há
processos que levam mais de uma década para ser concluídos.
Ao
longo deste tempo, uma pessoa ficará incumbida de responder legalmente pelos
bens. Apontado pelos herdeiros em consenso, ou mesmo designado pelo juiz, o
chamado inventariante representará o espólio (herança) em juízo. Normalmente, o
papel fica para o cônjuge ou um dos filhos.
Saber
em que pé anda este processo é essencial para não errar na hora de declarar os
bens de quem faleceu. Isso porque enquanto o inventário estiver aberto, a
declaração de rendimentos deverá ser apresentada em nome do contribuinte
falecido, com todos os bens e fontes de renda indicados segundo as mesmas
regras que eram seguidas em vida.
Serão
duas as possibilidades de prestar contas ao Fisco: por meio da declaração
inicial e intermediária de espólio, feita do ano em que o indivíduo faleceu até
a partilha ser decidida judicialmente, e por meio da declaração final de
espólio, obrigatória quando os bens forem enfim divididos legalmente entre os
herdeiros.
Veja
como proceder em cada situação:
Declaração inicial e intermediária de espólio
Para
a Receita, a pessoa física não deixa de existir depois da sua morte - ela
continua a entregar a declaração por meio do seu espólio, seu conjunto de bens,
direitos e obrigações tributárias.
Até
que a partilha seja homologada judicialmente, as declarações são feitas
exatamente da mesma forma que seriam se o contribuinte estivesse vivo, seja com
relação às deduções legais possíveis, seja com relação aos rendimentos próprios
e bens existentes que constarem no inventário, como imóveis, carros e ações.
A
diferença é que a condição do contribuinte será apontada na sua ficha de
Identificação. No campo “Natureza da Ocupação”, será necessário selecionar o
código “81 - Espólio”. Além disso, o inventariante também deverá ser informado
à Receita através do preenchimento da ficha “Espólio”, no canto esquerdo da
tela, onde serão submetidos seu nome, CPF e endereço.
Enquanto
o inventário não acabar, eventuais fontes de renda, como aluguéis, serão do
espólio. Nesse meio tempo, o inventariante depositará os rendimentos na conta
do contribuinte falecido, que permanecerá ativa até que o inventário seja
concluído. Às vezes e especialmente em casos consensuais, o juiz autoriza a
movimentação da conta com um alvará, mas essa não é a regra.
Vale
lembrar que 50% dos bens comuns com o cônjuge devem constar na declaração de
espólio. O viúvo poderá optar por tributar 50% dos rendimentos decorrentes na
sua declaração ou a totalidade destes ganhos em nome do cônjuge falecido.
Se
o contribuinte que morreu dever impostos à Receita, o tributo deverá ser pago
com os recursos do espólio. Caso ele não tenha deixado bens ou fontes de renda,
cônjuge e dependentes não responderão pela dívida. Neste caso, a orientação é
que ele tenha o CPF cancelado. A solicitação poderá ser feita nas unidades
locais da Secretaria da Receita Federal.
Para
os herdeiros, a regra é simples: enquanto o inventário estiver em aberto,
nenhum novo bem entrará em suas declarações de ajuste anual.
Declaração final de espólio
Aos
olhos do Fisco, a responsabilidade tributária da pessoa física só é extinta
depois que sair a decisão judicial sobre o inventário ou for lavrada a
escritura pública da partilha. A partir daí, será preciso entregar a declaração
final de espólio.
O
formulário pode ser acessado na tela inicial do programa da Receita. Ao invés
de escolher a “Declaração de Ajuste Anual”, será preciso selecionar a
“Declaração de Final de Espólio”, preenchendo o nome e CPF do contribuinte que
morreu. O prazo para entregar a declaração final de espólio será o último dia
útil do mês de abril do ano seguinte ao da partilha. O pagamento do imposto
apurado também deverá ser quitado dentro desse mesmo período, com os recursos
do espólio. Não existe possibilidade de parcelamento.
Os
detalhes do inventário deverão ser preenchidos na ficha “Espólio”, onde devem
constar o nome, CPF e endereço do inventariante. Todos os bens e direitos
divididos entre os beneficiários também devem ser detalhados. As informações
precisam ser lançadas, discriminadamente, na ficha “Bens e Direitos”.
No
item “Situação na Data da Partilha”, será repetido o valor que já era informado
em vida pelo contribuinte. Esse é o preço que foi pago no momento da aquisição
do bem. Já no item “Valor de Transferência”, deverá ser lançado o valor pelo
qual o bem será incluído na declaração do beneficiário. A decisão de manter ou
alterar essa informação cabe a cada um dos herdeiros.
Estarão
sujeitas à apuração de ganho de capital - com alíquota de 15% e cálculo do IR
devido pelo programa GCap - todas as operações que registrarem mudanças de
valor nesses dois campos. Nesse caso, o pagamento do tributo deve sair do
espólio.
Para
o herdeiro, o patrimônio que for incorporado à sua declaração ganhará o
tratamento de um bem “novo”. Logo, eventuais isenções a que o contribuinte
falecido tinha direito serão perdidas. Por isso, o melhor é lançar no campo
“Valor de Transferência” o preço “atualizado” de um imóvel, como se fosse uma
transação de venda.
Para
imóveis adquiridos de 1969 a 88, são concedidos descontos sobre o lucro na
alienação. Aqueles que tiverem sido comprados antes de 1969 gozam de isenção
total sobre ganho de capital. Sobre qualquer valorização registrada neste caso,
não haverá incidência alguma de IR devido. Logo, se o imóvel era declarado por
100.000 reais (“Situação na Data da Partilha”) e passa a ser indicado por
1.000.000 de reais (“Valor de Transferência”), o novo dono poderá incluir o bem
na sua declaração pelo que seria seu último preço de custo. Quando
eventualmente se desfizer do imóvel, irá pagar menos IR sobre a venda.
Caso
repita o mesmo valor que era declarado no formulário do contribuinte falecido e
venda o bem por 1 milhão de reais mais tarde, esse indivíduo pagará 15% sobre o
ganho de 900.000 reais, devendo nada menos que 135.000 reais à Receita.
Por
Marcela Ayres
Fonte
Exame.com
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