terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

5 DICAS PARA VOCÊ USAR O WHATSAPP DE FORMA EFICIENTE NA SUA ADVOCACIA


O whatsapp faz parte da rotina diária de praticamente todo advogado, e pode ser facilmente considerado uma faca de dois gumes. Isto porque tanto pode facilitar a sua vida como advogado, como transformá-la em um verdadeiro tormento com cliente mandando mensagem às 22h30 de uma sexta-feira. Algumas dicas sobre como usar o whatsapp a seu favor e não como seu carrasco.

1. Mensagens pré-prontas de documentos necessários
É muito comum receber mensagens por whatsapp de possíveis clientes/clientes iniciais. É interessante manter sempre no bloco de notas mensagens pré-prontas com relação de documentos necessários.
Os documentos que preciso são:
(enviar para o email: XXXXXXXXXX identificado pelo seu nome completo)
1. Documento Pessoal;
2. Comprovante de Residência;
3. E-mails que eventualmente tenha trocado;
4. Prints de conversa no whatsapp, ou chamadas, se houver;
5. Protocolos, caso tenham te enviado algum;
6. Todos os documentos possuir e sejam relacionados (histórico, declaração, contrato etc);
7. Um áudio explicando detalhadamente o ocorrido, tudo e tentando lembrar o maior número de datas e eventos possíveis.

Uma vez que o cliente envie os documento de identificação e comprovante de endereço, o advogado enviará:
1. Procuração;
2. Declaração de Hipossuficiência para solicitar justiça gratuita;
3. Contrato de honorários 
Com esses documentos basta imprimir, assinar, e me mandar um PDF ou foto legível que já é suficiente.

2. Mensagem pré-pronta com formas de pagamento
A hora de precificar é sempre um momento delicado, que traz insegurança principalmente para o jovem advogado. Uma boa tática é informar sempre qual o seu procedimento padrão de cobrança e já deixando uma mensagem pré-pronta sobre suas formas de pagamento (entrada, parcelamentos, tudo que for padrão), e em seguida consultar junto ao cliente se é possível aquele acordo, caso não seja, já realizando as adaptações necessárias. 
Já na hora de receber, uma boa dica é contar com contas digitais que permitem que você gere boletos gratuitamente e então basta solicitar que o cliente envie comprovante de pagamento.

3. Mensagem pré-pronta sobre o passo a passo que seguirá o processo
O cliente está sempre ávido por informações sobre o processo, e quanto menos ele souber sobre o rito normal, mais ele irá aparecer com perguntas. Então, até mesmo para gerar uma relação de confiança maior, prepare algo que informe a ele como, aproximadamente o processo irá fluir.
Vale até mesmo gravar um vídeo curto, é trabalho de uma vez só e então você pode manter e sempre encaminhar para novos clientes. Ou ainda se possuir um site, canal no youtube, é possível deixar ao alcance do cliente informando a existência do conteúdo e recomendando que assista.

4. Mensagem pré-pronta ensinando como conferir a movimentação processual 
Acredito que cerca de 80% das mensagens de clientes sejam o tradicional “Doutor (a), como tá o meu processo?” É super válido gravar ou escrever um mini-tutorial de como acompanhar o processo.
Sempre que compartilho essa ideia com alguns colegas advogados, escuto em resposta “Mas aí o cliente vai me ligar para saber de tudo!”
Nesse caso, o segredo é mais uma vez agir preventivamente e explicar que algumas movimentações são puramente “administrativas” e que não são relevantes para o processo.
Explicar coisas como “concluso para despacho” ou “concluso para decisão”, deixando ainda sempre muito claro que qualquer decisão relevante você recebe a intimação através do sistema e que está sempre cuidando do interesse do seu cliente.

5. Eduque o seu cliente para que ele entre em contato apenas em horário comercial
Clientes por vezes são como alunos, podem e DEVEM ser educados. Nada de se afundar em mensagens não-urgentes de clientes às 22h da noite quando você finalmente está em casa. Não se tratando de um caso urgente, responda no outro dia em horário comercial, ou mande uma mensagem breve informando apenas que irá consultar verificar o ocorrido/situação no outro dia, ou quando retornar ao escritório.
A advocacia não dorme, mas o mesmo não se aplica aos advogados. Cuide da sua saúde mental e bem estar sempre!
Por Sara Martins
Fonte Escola de Advogados

MANUAL DE SOBREVIVÊNCIA E SUCESSO NAS CARREIRAS JURÍDICAS


O curso de Direito é, de todos, o que oferece mais oportunidades no serviço público. São diversos os concursos para atraentes profissões jurídicas. A escolha varia em razão da vocação, da confiança em si próprio e do grau de ambição.
Mas, seja qual for a opção, sempre existirão disputas por espaço dentro do local de trabalho. É da natureza humana. E neste aspecto não serão diferentes as lutas travadas no cartório de uma pequena comarca do interior das existentes em um gabinete no Supremo Tribunal Federal.
Vejamos algumas situações, discutindo o que nunca se discute. Imagine-se que a mais bem intencionada pessoa sobre a face da Terra queira aprimorar o órgão público a que serve. Suponha-se uma jovem procuradora federal, cheia de ideias, querendo dar de si o máximo a favor da Advocacia-Geral da União. Seu desejo será suficiente? Não. Terá que ter perseverança e habilidade. Caso contrário desistirá no primeiro obstáculo e será uma a mais a lamuriar-se nos corredores, a queixar-se disso ou daquilo, sem nada resolver.
Aos que pretendem o serviço público, a primeira lição é o próprio concurso. Sobre ele deve-se guardar absoluta discrição. Preparar-se sem nada falar a ninguém, exceto uma ou duas pessoas próximas. Reservar-se para dar a boa notícia depois da aprovação.
Uma vez no exercício das funções, começar discretamente, impor-se aos poucos. O brilho prematuro suscita medo e inveja nos outros. Um exemplo. Quando começou o uso da informática no Judiciário, um jovem juiz, com poucos meses de magistratura, foi colocado como palestrante em um seminário. Era cedo demais para aquele destaque. A represália veio em seguida, foi propositadamente posto de lado.
O ingresso no serviço público exige adaptação. Os colegas estudarão o novo membro, aceitando-o ou rejeitando-o. Nesta fase é bom analisar os que estão no entorno. Suas virtudes e defeitos. Ter cautela com os que tudo criticam, falam mal dos outros. Evitar excessos nos momentos de descontração. Um pouco de bebida a mais pode relaxar os freios inibitórios e originar frases ou ações cuja repercussão negativa se farão sentir por longo tempo.
Não criticar os outros é regra de ouro. Porém elogiar também exige cautelas. É conveniente saber o grau de aproximação entre o que ouve e o elogiado. Um jovem promotor de Justiça, ao conversar com o procurador-geral da Justiça, poderá estar sendo sincero ao elogiar o corregedor. Mas serão eles amigos? Do mesmo grupo político na instituição? Será o elogio bem recebido? Ou criará uma antipatia desnecessária?
No ambiente jurídico existem regras próprias, não escritas. Quebrá-las pode gerar consequências. Os títulos, a hierarquia, o tratamento, devem corresponder ao cargo que se ocupa, à idade, à história de vida dos envolvidos. Sabidamente, isto tudo está sendo deixado de lado. Os mais novos, por vezes, confundem convivência harmônica com bajulação, subserviência. Por exemplo, o corregedor-geral da Justiça vem em inspeção e não encontra ninguém a esperá-lo no aeroporto. O que podem os juízes, dele, esperar? Boa vontade? Compreensão? Óbvio que não.
No serviço público, os que se dedicam mais acabam recebendo várias incumbências, mais trabalho. É preciso selecionar, saber dizer não. E quando aceitar uma missão, ir até o fim, de qualquer maneira e seja qual for o sacrifício. O único resultado admissível é o sucesso. É assim que se firma um bom conceito.
Quando se substitui alguém temporariamente, nada se modifica. Quem sai se revolta ao ver que mudaram suas práticas e lutará para que a pessoa ali não volte mais. Por exemplo, o Delegado de Polícia assume a Delegacia do município ao lado nas férias de seu colega. Deve limitar-se a rotinas e não alterar as práticas ou decisões tomadas, mesmo que obsoletas. Pode, depois de sair, delicadamente deixar sugestões ao seu colega. Nada mais. Afinal, ele não abrirá mão jamais de ser o autor da mudança.
Quando se precisa de algo é necessário escolher o momento de fazer o pedido. Conhecer a pessoa, seus hábitos, suas crenças. Se a pessoa estiver em um dia problemático, cansado e com fatos graves a resolver, o pedido deve ser deixado para outra ocasião. O telefone deve ser evitado ao máximo. É comum surgirem mal entendidos nesse tipo de conversa. Ligar para a pessoa na hora do almoço, nem pensar. Por outro lado, devem ser evitados pedidos que não possam ser atendidos, porque isto gerará frustrações em ambas as partes.
No exercício de chefia, comemorar as vitórias, dividindo-as com os servidores, reconhecendo-lhes publicamente a ajuda dada.
Ao alcançar uma vitória contra um adversário político, que pode ser ter sido escolhido para um cargo relevante, ou até mesmo puni-lo por uma falta, evitar a tentação de humilhá-lo, menosprezá-lo. Primeiro, uma questão de humanidade. Segundo, porque o mundo dá voltas e o com o tempo a situação pode ser inversa. E ele se lembrará disto.
Segredos não se confiam a ninguém. Absolutamente. Primeiro, porque são segredos. Segundo, porque ninguém sabe se aquele a quem se confiou será seu inimigo no futuro.
Cuidar com as explosões de ira, de revolta. Uma ofensa dita na cara nunca se reverte, mesmo que a vítima diga que o assunto está superado. Uma mensagem ofensiva na internet, idem. Uma frase infeliz no Facebook pode gerar consequências imprevisíveis, desde o ódio de pessoas até a perda de uma função de confiança. Nos momentos de revolta, respirar fundo dez vezes antes de exteriorizar a insatisfação. Depois, será tarde.
Nas funções públicas não é raro receber visitas prolongadas e que acabam prejudicando o trabalho. Para sair delicadamente de tal tipo de situação é bom ter um assessor já instruído para que, caso elas passem de determinado tempo (por exemplo, 15 minutos) venha avisar, cerimoniosamente, que aquela pessoa esperada já está aguardando o contato.
No trato com os membros da cúpula da hierarquia, nunca esquecer que eles gostam e querem ser o centro das atenções. Assim, expor suas conquistas e realizações longamente poderá ter o efeito oposto ao desejado, ou seja, causar irritação. Até para discordar há que se ter cautela.
Quem ocupa função pública sabe que nem tudo pode ser deferido. Mas, ainda que o pedido seja absurdo, deve ser evitado o não na cara do interlocutor. Ele gera revolta. Talvez nunca seja esquecido. Assim, duas ou três perguntas, uma reflexão mesmo que aparente, podem atenuar a negativa com bons resultados.
A ira contra alguém, por mais que justificada, não deve ser demonstrada através de ameaças ou expressões de ódio. Isto só fará o interlocutor preparar-se para o conflito. Por outro lado, mesmo que muitos sejam os merecedores da ira, não se recomenda entrar em conflito contra tudo e todos ao mesmo tempo. As chances de sucesso serão menores.
Então, estas máximas da experiência serão atuais? Éticas? Aplicáveis? Sim, sem dúvida.
Atuais, porque o ser humano é o mesmo, qualquer que seja a época. Os conflitos de hoje são os mesmo dos tempos de Confúcio, na China, no século V antes de Cristo, ou do Rei Arthur e os Cavaleiros da Távola Redonda, na Grã-Bretanha do século VI.
Sim, são éticas, porque o que se busca em última instância é o bem. Não se busca a dissimulação para alcançar o mal, para prejudicar terceiros. Tudo porque, sabidamente, não se conquista nada se não for dentro de determinadas regras, procedimentos não escritos. E se nada for conquistado, tudo terá sido em vão. Isto significa alguém que, mesmo sendo bom, permanece recluso em seu mundo particular, sem nada fazer para que seu trabalho, sua cidade, seu país, sejam melhores para todos.
Finalmente, estas e outras máximas de conduta são, sim, aplicáveis. E sem grandes dificuldades. Basta tê-las em mente ao procurar se alcançar um objetivo.

REFERÊNCIA:
Breviário dos Políticos, Cardeal Mazarin, Ed. 34, São Paulo, 6ª reimpressão,  2005.

Por Vladimir Passos de Freitas
Fonte Consultor Jurídico

SEJA LEVE

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

COMO ESCOLHER O SEU ADVOGADO?


A escolha de um advogado geralmente acontece num momento em que a pessoa está passando por forte estresse e com vários problemas. Ter que parar e refletir sobre escolher alguém de confiança para representá-lo (a) em juízo pode se tornar uma missão "quase impossível" se você não tiver em mente alguns critérios para facilitar a sua vida, e a escolha do seu advogado.
Veja abaixo uma lista sobre o que é importante observar na hora de escolher o seu advogado:

1. Escolha um advogado ou escritório com referências
Procure advogados recomendados por quem teve um caso semelhante e ficou satisfeito com o resultado e com o atendimento.
Ter boas referências na hora de escolher seu advogado é essencial para começar bem.

2. Consulte a situação do advogado na Ordem dos Advogados (OAB)
Verifique junto a OAB na internet se a situação do advogado está regular ou se ele está suspenso ou com sua licença cancelada.
Alguns advogados (sem ética) continuam atendendo clientes mesmo estando suspensos (por terem cometido alguma irregularidade no exercício da profissão), ou até mesmo tendo a licença cancelada por terem cometido falta grave.
Consultar a OAB é muito fácil, entre no site do cadastro nacional dos advogados: http://cna.oab.org.br/

3. Procure um verdadeiro Especialista
Desconfie do advogado que diz ser especialista em tudo, pois não há como dominar todas as áreas do Direito.
Consulte institutos que reúnem advogados nas diversas áreas, como o IBDFAM (Instituto Brasileiro de Direito de Família). Se seu advogado faz parte desses institutos, tem grande chance de você acertar na escolha dele.

4. Evite Advogados "Dublês"
Evite Advogados-contadores, advogados-donos-de-imobiliária, advogados-corretores, etc. Contrate um advogado especialista no assunto, que esteja focado em prestar serviços jurídicos dentro da área que você precisa de auxílio, para que você tenha respostas de um profissional seguro no assunto, sem "achismos" e sem respostas encontradas no "Google". Advogados que focam em outras áreas podem estar desatualizados e não tem prática constante no âmbito do Direito.
Claro que existem bons profissionais que também são formados e exercem outras profissões, mas no momento da escolha de um advogado desconhecido, essa é uma boa dica para acertar na escolha. Escolha alguém que foca sua atuação na advocacia.

5. Avalie a primeira impressão sobre o Advogado
Confie na sua intuição: se você tem uma primeira impressão não muito agradável (ou favorável), ouça sua intuição!
A primeira impressão é a que fica. A sabedoria popular indica que seu subconsciente captou algo que não lhe agradou, portanto, confie em você, confie na sua intuição.

6. Desconfie de promessas de "certeza" de vitória
Avalie a empatia do advogado: se ele ponderou as chances de vitória ou se ele prometeu resultado garantido.
Em Direito é impossível garantir bom resultado, quanto tempo vai demorar, ou dar outras certeza ao cliente. Cada juiz é diferente e tudo pode acontecer no decorrer do processo.

7. Evite advogados de "associações" de vítimas (ou de consumidores)
Muitas vezes as associações de vítimas não passam de fachada para beneficiar um advogado, ou um escritório, ou até mesmo pessoas que "montam" associações e depois contratam advogados recém formados (e mal pagos) para advogar na sua causa.
Existem associações sérias, como é o caso do IDEC (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor), mas tirando as exceções, é melhor buscar um profissional que vá dar atenção personalizada ao seu problema.

8. Contrato por escrito é garantia do serviço oferecido ao cliente
Desconfie se o advogado não apresenta contrato por escrito. Sem um contrato por escrito, o cliente não tem especificados quais serviços serão prestados, não tem especificados os valores a serem pagos pelos serviços, portanto, não tem plenas garantias sobre o serviço. 
Se o advogado não fez contrato e cobrou adiantado, o cliente pode ser surpreendido com o sumiço desse advogado. Tenha Cautela!

9. Desconfie de Advogado que faz procuração com poderes desnecessários
Se o advogado apresenta procuração que faz você outorgar poderes desnecessários, pode ser o caso de duas hipóteses: (a) ou não sabe o que está fazendo; (b) ou está mal intencionado.
A procuração precisa ter poderes gerais para defender os interesses do cliente em juízo, e alguns poderes específicos conforme o caso. Mas, geralmente, não tem necessidade de logo no início dar poderes ao advogado para levantar alvará, receber, dar quitação, renunciar ao direito, receber citação, dentre outras.
Se isso acontecer, peça esclarecimento ao Advogado, ele pode ter motivo para ter inserido estes poderes na procuração, mas, se não tiver justificativa razoável para colocar estes poderes na procuração, fique alerta!
Estas dicas são preciosas na hora de escolher um bom advogado, que você possa confiar e resolver o seu problema de forma efetiva e sem criar novos problemas ao longo da relação cliente-advogado.
                                                                                                                        Por Sandro Massuchetto
Fonte JusBrasil Notícias

ATRIBUIÇÕES DO SÍNDICO: O QUE O SÍNDICO PODE E O QUE NÃO PODE FAZER

Saiba o que está dentro e fora do escopo de atuação do representante do condomínio durante sua gestão

O escopo do trabalho do síndico é vasto. Um mar de responsabilidades. Das obrigações fiscais aos problemas de relacionamento entre os moradores, tudo passa pelo exercício do mandato do cargo.
O síndico tem um enorme poder de impacto no condomínio. Dá para mudar para muito melhor um empreendimento com um bom gestor.
Também é importante saber que a atuação do síndico tem limites dentro do condomínio. Não é por ser o representante eleito por aquela comunidade que ele pode fazer qualquer coisa.
Aliás, esse perfil de síndico “dono do condomínio” está caindo em desuso. Hoje em dia, a vida em comunidade pede, cada vez mais, um gestor transparente e aberto ao diálogo.
A lei, e mais precisamente o Código Civil, lista diversos deveres do síndico, como a conservação e manutenção das áreas comuns do condomínio, cumprir e fazer cumprir as regras e as decisões assembleares, manter o seguro do condomínio em dia, entre muitas outras obrigações.
Daí vem a dificuldade: como saber o que o síndico pode fazer ou não? O que extrapola a atuação do síndico?
 “O síndico deve ter conhecimento que, além de não ser o dono do condomínio, ele deve seguir e fazer seguir o que foi decidido em assembleia. Também é importante lembrar que essas decisões assembleares devem estar de acordo com a lei”, assinala Márcio Spimpolo, advogado especializado em condomínios.
Abaixo uma lista do que o síndico pode ou não fazer, e em quais condições!

O QUE O SÍNDICO PODE FAZER
Parte administrativa:
·   Contratar uma administradora conforme o artigo 1348 do Código Civil, que diz: “O síndico pode transferir a outrem, total ou parcialmente, os poderes de representação ou as funções administrativas, mediante aprovação da assembleia, salvo disposição em contrário da convenção”. O ideal, porém, é que ao trocar de prestadora de serviços, a escolha seja comunicada na próxima assembleia (Saiba mais sobre troca de administradora)
·        Solicitar cotações de serviços e produtos seja via administradora, zelador ou plataformas digitais (Conheça o serviço de cotações do SíndicoNet)
·    Cobrar que os serviços executados no condomínio sejam feitos de acordo com os contratos acordados entre os prestadores de serviço (Saiba como devem ser os contratos com o seu condomínio)
·   Pagar em dia as contas do condomínio e seguir o que foi acordado na previsão orçamentária (Como fazer uma boa previsão orçamentária)

Inadimplência:
·    Cobrar os devedores do condomínio, nos termos acordados pela convenção condominial, de maneira amigável (Confira o Guia sobre inadimplência em condomínios)
·        Dividir com a comunidade o número de unidades inadimplentes, assim como quais são e o total da dívida (Sete atitudes contra a inadimplência)
·        Efetuar cobrança extrajudicial via empresas especializadas. Geralmente esse custo fica a cargo do inadimplente. (Conheça serviço de cobrança extrajudicial ativa)
“Acompanhar de perto a inadimplência é fundamental para uma gestão atenta e bem sucedida. O síndico deve acompanhar esse número, de preferência, mês a mês”, analisa Gabriel Karpat, diretor da administradora GK.

Funcionários:
·   Contratar e demitir funcionários, desde que a decisão não impacte nas contas do condomínio (Demissão de funcionários do condomínio)
·   Optar por uma empresa terceirizada, desde que não gere alterações nas contas do condomínio (Confira o Guia sobre terceirização de funcionários)
·       Acompanhar de perto o trabalho dos funcionários do condomínio – sejam orgânicos ou terceirizados – para se certificar de que estão executando bem suas funções (Evite riscos trabalhistas com funcionários terceirizados)
 “Aqui é importante ressaltar que, caso opte por uma empresa terceirizada, o síndico deve acompanhar, mês a mês, se a mesma está honrando com os encargos trabalhistas e previdenciários dos seus funcionários”, assinala Nilton Savieto, síndico profissional.

Relacionamento com os moradores:
·        Fazer cumprir a convenção e o regulamento interno e, em casos de infração às regras por parte dos moradores, aplicar as penalidades cabíveis, como advertências e multas (Como lidar com o desrespeito ao regulamento interno?)
·        Executar campanhas de conscientização junto a moradores e funcionários sobre os mais diversos temas 
·   Dar plantão presencial, uma vez por mês (ou mais, se houver demanda e disponibilidade), para conversar pessoalmente com os moradores e tirar suas dúvidas. (Dicas de comunicação com os moradores)
·       Sugerir melhorias nas regras da coletividade e de uso das áreas comuns, a serem votadas e aprovadas em assembleia (Como alterar o regulamento interno e a convenção do condomínio)
·        Compartilhar a tomada de decisões com o corpo diretivo. Isso não exime o síndico da sua responsabilidade, mas ajuda a justificar informalmente a necessidade de medidas e decisões mais imediatas do dia a dia (Saiba mais sobre dividir tarefas)
·        Ajudar moradores a tentarem se entender pelo diálogo, quando há reclamações envolvendo as partes.
 “Hoje em dia, as pessoas querem poder acompanhar a gestão do condomínio de uma forma simples e transparente – e o síndico deve proporcionar isso aos moradores”, analisa o advogado especializado em condomínios, Alexandre Marques.

Benfeitorias:
·        Exigir apresentação de um plano de obras por parte dos condôminos, dependendo da benfeitoria a ser realizada em sua unidade, antes do seu início. O plano deve estar nos moldes da norma ABNT NBR 16.280 (Saiba mais sobre a NBR 16.280)
·        Executar obras emergenciais, como um cano que estourou e precisa de reparo imediato. Para isso, porém, vale salientar que não precisa ser síndico, qualquer condômino pode estar à frente da situação, que pede uma ação imediata (Conheça quóruns necessários para obras no condomínio)
 “Caso o síndico não tenha muito conhecimento sobre o tema, ele pode contratar um profissional da área para fazer essa interface com o engenheiro da empresa contratada, por exemplo. É uma forma de ter certeza que está tudo caminhando como deveria”, observa a professora do curso de administração condominial Rosely Schwartz.

O QUE O SÍNDICO NÃO PODE FAZER?
Parte administrativa:
·        Contratar serviços que impactem no equilíbrio das contas do condomínio, como obras não emergenciais ou de ‘embelezamento’ sem contar com anuência prévia da assembleia (Até onde vai o poder do síndico para gastos?)
·   Deixar de prestar contas anualmente ou quando requisitado (Como fazer uma boa prestação de contas)
·   Reter documentos quando for deixar sua gestão (Troca de gestão de síndico e administradora: os documentos necessários)
·     Deixar vencer contratos, como de seguro do condomínio e de manutenção dos elevadores
·        Não renovar documentos obrigatórios, como o AVCB ou o laudo do para-raios, quando vencerem (Saiba mais sobre AVCB)
·        Gastar além do que consta na previsão orçamentária aprovada, sem justificativa
·   Deixar de pagar compromissos do condomínio, como direitos trabalhistas de funcionários, contratos e contas de consumo
·        Usar o fundo de reserva para pagar as contas do dia a dia (Saiba mais sobre fundo de reserva)

Inadimplência:
·        Cobrar de forma constrangedora os condôminos devedores
·   Expor nome e número da unidade devedora em locais como quadro de avisos ou elevador (Saiba mais sobre como usar bem o quadro de avisos do seu condomínio)
·        Deixar de cobrar os devedores
·  Conceder descontos aos inadimplentes como parte do acordo (Acordo com inadimplentes, conheça quais precauções tomar)
·        Não acompanhar de perto a inadimplência do condomínio
 “O síndico deve acompanhar de perto os devedores do condomínio, mas deve fazê-lo dentro dos limites legais. Caso contrário, o condomínio fica exposto a ações judiciais”, ensina Alexandre Marques, advogado especializado em condomínios.

Funcionários:
·        Ser grosseiro no trato com os funcionários, sejam eles orgânicos ou terceirizados
·        Dar ordens diretamente a funcionários terceirizados. Isso pode configurar subordinação e causar problemas trabalhistas. As sugestões devem ser dadas diretamente à empresa contratada, que repassará à equipe.

Relacionamento com os moradores:
·  Negligenciar regras de convivência e deixar de advertir e multar moradores transgressores das normas
·     Proibir a entrada de visitantes autorizados pelas unidades, de acordo com o que está previsto nas regras do empreendimento (Saiba mais sobre procedimentos de segurança)
·   Não se comunicar bem com os moradores, deixando de responder perguntas, por exemplo (Sites e redes sociais para condomínios)
·    Tomar partido em conflitos envolvendo moradores, escutando mais um lado do que outro, ou multando um condômino com base apenas na palavra de outro
·    Invadir a intimidade dos moradores, como entrar na unidade sem a permissão dos mesmos
·        Deixar de comunicar aos moradores quando o condomínio for acionado judicialmente
·    Implementar alterações que impactem no regulamento interno ou na convenção do condomínio sem anuência assemblear prévia
“O síndico deve ter muito cuidado e ser sempre o mais imparcial possível em casos de problemas de convivência entre unidades, principalmente se envolver pessoas de relacionamento próximo”, assinala Gabriel Karpat.

Benfeitorias:
·        Permitir reformas nas unidades sem que os condôminos apresentem um plano de obras em conformidade à norma ABNT NBR 16.280, que seja aprovado por um especialista (Implemente a NBR 16.280 no seu condomínio)
·    Contratar empresa para fazer uma obra na área comum que não ofereça uma ART ou RRT. O condomínio também deve seguir o que diz a NBR 16.280

SITUAÇÕES CONDOMINIAIS EM QUE NÃO HÁ UM 'CERTO' OU 'ERRADO'
Como nem tudo é preto no branco existem situações que não cabem em “pode” ou “não pode”. Nesses casos, o mais indicado é convocar uma assembleia, mesmo o síndico, teoricamente, podendo tomar essas decisões. Confira:

Contratação e demissão de funcionários: a princípio, e pela lei, o síndico pode, sim, contratar e demitir funcionários. Porém, quando a situação for impactar nas contas do condomínio, como uma grande indenização a um funcionário, por exemplo, ou trocar a mão de obra orgânica pela terceirizada, o ideal é que a decisão passe pelo crivo de uma assembleia. Assim, o gestor divide a responsabilidade dessa decisão com toda a comunidade.

Contratação de portaria remota: na esteira de que o condomínio pode contratar e demitir funcionários e serviços, o síndico poderia, a princípio, optar pelo serviço, caso o mesmo não impactasse nas contas do condomínio. Porém, como sua implementação causa uma mudança na cultura do local – e pede mudanças de comportamento – o ideal é que essa decisão não seja tomada sozinha.

Renovação de AVCB: caso o condomínio já esteja de acordo com a lei, e seja necessário apenas pequenos reparos, o síndico pode levar a situação adiante, provavelmente porque os custos já estavam previstos. Porém, caso o condomínio precise passar por diversas alterações, com aumento dos gastos, o mais adequado é chamar uma assembleia para explicar a situação.  Além de alertar a todos sobre a questão da segurança, já é possível aprovar as benfeitorias necessárias para que o empreendimento se adeque à lei.
“Caso leve o assunto para assembleia e a comunidade não queira arcar com esses custos, é um daqueles momentos em que o síndico deve pesar se realmente deve ficar no cargo. Mesmo constando em ata, eu não ficaria”, opina o síndico profissional Nilton Savieto.

Entrar em unidade sem anuência do morador: via de regra, o gestor não pode entrar nas unidades sem a autorização. Há casos, porém, em que é possível ter que entrar no local, como suspeita de vazamento de gás ou de água, que coloquem a coletividade em perigo.
“Entrar na unidade sem autorização é sempre algo muito delicado. Se for necessário, o síndico deve contar com, pelo menos, uma testemunha, sendo o ideal duas” assinala Gabriel Karpat, diretor da administradora GK. 
Por Mariana Ribeiro Desimone
Fonte SíndicoNet

CONHEÇA CINCO ERROS COMETIDOS AO ACORDAR QUE DIMINUEM A DISPOSIÇÃO DURANTE O DIA


Tão essencial para o bem-estar quanto comer adequadamente e se hidratar, dormir é fundamental para o equilíbrio do organismo. Além da qualidade do descanso, a maneira de acordar o corpo também influencia na disposição para o trabalho. Alguns erros cometidos ao dormir e ao despertar podem piorar o ritmo do corpo e o bom humor durante o dia.
Na preparação para dormir, o corpo sofre uma baixa de temperatura. Ao longo da noite, as fases de profundidade do sono se alternam, variando entre momentos de relaxamento mais profundos até imersões mais superficiais repetidamente. Para acordar, a temperatura do corpo volta a crescer aos poucos e, com ela, o aumento da produção do cortisol. Este hormônio, responsável pelo estado de vigília, ajuda a tornar o corpo desperto e atento. Por isso, para garantir a disposição durante o dia, é importante manter o corpo aquecido e a concentração de cortisol em níveis suficientes.
— Corpo e neurônios precisam do sono para o relaxamento, desaceleração das funções e reorganização da memória. Da mesma maneira, é importante despertar bem o corpo, sincronizando a energia com o dia — diz a psicóloga Silvia Conway, especialista em distúrbios do sono.
Ela sinaliza que o tratamento da maior parte dos problemas como a insônia e de falta de disposição e cansaço durante o dia pode ser feito apenas com mudanças de comportamento.
Veja os cinco erros cometidos pela manhã que mudam a disposição durante o dia

Deixar o quarto escuro
Ficar no escurinho é aconchegante, mas cria um ambiente de mais preguiça e lentidão. O sol é um fator que colabora para o bom-humor, não é à toa que o verão é a estação mais alegre do ano. Por isso, a especialista indica que é importante sincronizar o corpo com o horário do dia, para ajustar o ritmo social. Para fazer isso, a recomendação é que se olhe para um lugar com muita luminosidade, sensibilizando as células como uma forma de avisar que é hora de despertar e acelerar o trabalho de forma positiva. Além disso, a temperatura quente do lado de fora ajuda a acelerar o aumento da temperatura corporal e por isso a concentração de cortisol. Abra as cortinas e a janela e esquente as turbinas!

Levantar depressa
Abrir os olhos e levantar logo em seguida com pressa para realizar atividades pode exigir demais dos músculos e provocar tontura, além de ser um sinal de ansiedade. A especialista recomenda que se faça um breve alongamento, como um espreguiçar, ao despertar por cerca de dez minutos. Erguer o corpo aos poucos evita também que o sangue circule rapidamente para as pernas e provoque o mal-estar da tontura.
Para aqueles que têm insônia, a psicóloga reforça que é importante desacostumar o corpo da possibilidade de ficar na cama sem dormir. Por isso, ao acordar, é importante evitar ficar deitado. Nada de cochilinho!

Deixar a ansiedade tomar conta
A correria do dia-a-dia faz com que já se acorde com a mente acelerada, exigindo velocidade e prontidão para dar conta de uma lista enorme de tarefas, sem atenção ao corpo. Segundo a psicóloga Silvia, este tipo de postura provoca um desgaste que com o tempo vai reduzindo a disposição para as atividades da rotina. Para ela é importante colocar um foco de atenção no corpo, percebendo as necessidades de relaxamento e desaceleração, caso seja necessário. Silvia sinaliza que algumas pessoas tendem a demorar mais para entrar no ritmo e por isso podem acordar um pouco mais cedo e fazer tudo um pouco mais devagar. Quinze minutinhos podem fazer diferença.

Ativar o despertador várias vezes
Precisar acordar às 7h e colocar o despertador para tocar desde às 6h30 pode ser pior do que se imagina. Segundo Silvia Conway, é possível que o estímulo sonoro interrompa uma fase mais profunda do sono, fragmentando um momento de relaxamento essencial para garantir o descanso e a disposição do dia seguinte. O ideal é que o alarme toque quando o corpo deve acordar e que a soneca não seja ativada.
Para aqueles que têm insônia a recomendação é ainda mais radical: dormir mais um pouquinho desregula ainda mais o sono, que fica ainda mais superficial. É preciso descansar nos horários certos e despertar no momento necessário.

Fazer exercícios em jejum
A psicóloga reforça que a prática de atividade física ajuda a acelerar a elevação da temperatura e faz com que o corpo fique mais rapidamente sintonizado e atento. O problema, segundo nutricionistas, é incluir a atividade física como mais uma tarefa feita na ansiedade e sem atenção e, por isso, feita sem a alimentação correta. Não tomar café da manhã antes de malhar ou correr prejudica não só a prática da atividade como o impulso energético do dia. Lembre que os chás verde, mate e preto, além do café são estimulantes que devem ser usados pela manhã e evitados à noite.
Silvia recomenda que pessoas que tenham insônia não tomem estimulantes em nenhum momento do dia. Elas devem procurar o tratamento adequado.

Por que as pessoas ficam mais mal humoradas na segunda-feira?
O mau humor e a falta de disposição do início da semana, especialmente na segunda-feira, têm justificativa no comportamento do sábado e do domingo. A psicóloga Silvia Conay analisa que estar insatisfeito com a vida e o trabalho fazem com que algumas pessoas sintam que apenas nos dias em que não trabalham estão de fato sendo felizes e, por isso, a segunda-feira representa o momento de lidar com as situações adversas. Além disso, a vida social agitada do fim de semana fazem com que normalmente se durma mais tarde e acorde mais tarde, desregulando o relógio biológico.
— Ao dormir mais tarde no domingo e precisar acordar no horário normal de trabalho na segunda, a pessoa fica privada de sono. E dormir pouco causa mau-humor mesmo — explica.
Segundo ela, a tendencia é que na terça-feira a situação melhore, já que uma noite de sono bem dormida é suficiente para recuperar o descanso e o relaxamente necessários para dar disposição para as atividades do dia seguinte.
Por Luiza Toschi
Fonte Extra - O Globo Online

POR QUE AS REDES SOCIAIS FAZEM TANTO SUCESSO


Para que servem as redes sociais? Compartilhar, diria a maioria, se fosse limitada a escolher uma só palavra. Claro, é inegável que, por meio das postagens, sabemos das férias dos amigos, do casamento de outro, da opinião política de um terceiro, do vídeo que está bombando, e até da morte de alguém que conhecíamos. Estamos em contato com pessoas com as quais, de outra forma, dificilmente conviveríamos – ainda que essa convivência seja virtual.
No entanto, há um outro aspecto das redes de relacionamento digitais que pouca gente se dá conta e que é muito mais intenso. Se prestarmos atenção, há uma profusão de posts (no Facebook, principalmente) de pessoas expondo suas aflições, dificuldades familiares, desavenças ou frustrações. Essas postagens, que mostram o lado menos glamouroso de todos nós, fazem o gênero a-vida-como-ela-é e têm um objetivo mais sensível: buscar conforto emocional, solidariedade, empatia, compaixão.
Não é mais – talvez nunca tenha sido de verdade – uma questão de compartilhar. É uma espécie de urgência emocional que requer palavras de conforto e incentivo. A mesma necessidade que nos faz ansiar por elogios quando postamos uma foto bonita, uma conquista profissional, uma viagem, um encontro, uma celebração.

Os sentimentos ocultos
Então, o que move a engrenagem das redes sociais e faz delas um absoluto sucesso não é só a necessidade de relacionamento (uma das necessidades humanas apontadas na Pirâmide de Maslow), mas também a vaidade e a carência emocional, sentimentos tão antigos quanto a vida em sociedade. E não falo carência no sentido negativo, de gente infeliz e solitária. Não. Falo de uma necessidade natural de sermos aceitos, queridos e valorizados – coisa que qualquer pessoa quer (e à qual Maslow dedicou outro degrau de sua pirâmide: a estima).
E isso acontece com todo tipo de gente, em qualquer idade. Conheço um talentoso adolescente que posta fotos incríveis no Instagram e que, rapidamente, conquistou uma legião de elogios e seguidores, mas que estava entrando em uma insana espiral de ansiedade ao checar, com frequência doentia, se seu número de seguidores havia aumentado. No início do Twitter, havia empresas especializadas em “fazer o seu número de seguidores aumentar dez vezes em uma semana”, em uma clara demonstração de que mais valia a quantidade do que a qualidade das suas postagens ou das suas interações. Só para citar dois exemplos.

A persona digital
No afã de alcançarmos essa aceitação pública, as redes sociais são o trampolim perfeito. A interação no universo virtual, que hoje molda nossos hábitos de comunicação e existência, nos permitiu “criar” quem queremos ser, desenhando uma persona (termo emprestado da psicologia que se traduz como o jeito como desejo que os outros me percebam).
Claro que desejamos que essa nossa persona digital seja interessante e atraente, ainda mais porque, via redes sociais, alcançamos muito mais gente nas nossas relações. Embaralhamos a realidade “real” e a realidade “virtual”. Como diz o antropólogo Thomas de Zengotita, ninguém mais simplesmente É – a autenticidade foi substituída pelo que “achamos que devemos aparentar”.

Nem tudo é o que parece
A ideia de que as aparências enganam remonta à época de Platão. O filósofo grego dizia que há dois mundos interconectados: o dos sentidos e o das formas (ou ideias). Enquanto o primeiro é um conhecimento imperfeito, uma ilusão provocada pela nossa interpretação subjetiva das coisas através dos cinco sentidos, o segundo é a realidade, a essência imutável, as ideias mais puras que só captamos quando vamos além dos enganos trazidos pelos sentidos. Em outras palavras, nós enxergamos o mundo de acordo com o que ele aparenta ser, segundo nossa visão e percepção, o que não necessariamente corresponde à realidade ou à maneira que outras pessoas o veem.
Essa necessidade de ser (ou parecer ser) cool, inteligente, bem informado, bem sucedido e, de quebra, só fazer coisas legais é uma faca de dois gumes: de um lado, pode significar uma ambição positiva (com ação acoplada, claro, senão não adianta nada) de ter uma vida menos ordinária, não se contentando com o “destino” e construindo um futuro cheio de significado e prazer. De outro lado, pode gerar uma ansiedade sem tamanho e levar a se “esconder” no mundo virtual, em uma perigosa opção de não sair para a rua em busca dos seus sonhos, de ficar “travado” no que você gostaria que fosse e não no que realmente poderia ser depois do seu esforço, foco e dedicação.
Melhor pensar em todo o universo de possibilidades de aprendizado, entretenimento, informação e crescimento profissional que as diversas mídias sociais podem oferecer. Não, não é preciso abandonar o prazer de curtir a foto do bebê da sua amiga de infância e acompanhar a vida de pessoas queridas que estão longe. Mas o importante é não se tornar escravo de um universo paralelo, de uma rede-social-mundo-perfeito. Apesar de tudo, a vida lá fora ainda pode ser muito prazerosa se nos dedicarmos a construir as melhores experiências em carne e osso.
Por Mariela Castro
Fonte Exame.com