quarta-feira, 7 de junho de 2017

ADVOGADO NÃO É EMPRESÁRIO, MAS É EMPREENDEDOR

A confusão entre empreendedorismo e mercantilismo da Advocacia é ruim para os Advogados

Na advocacia, é muito comum se confundir empreendedorismo com comercialização dos serviços ou mercantilismo jurídico. Este é um equívoco prejudicial que precisa ser superado.
O Código de Ética e Disciplina da OAB é um instrumento que regula a prática da Advocacia e, entre outras coisas, disciplina a publicidade profissional dos Advogados.
Neste instrumento existem várias restrições ao uso da publicidade profissional. O espírito geral das restrições é que o Advogado não transforme os seus serviços numa mercadoria, dentro do espírito mercantil que reina no mundo dos negócios.
Ora, por mais que se concorde que o Código de Ética da OAB se configure muito mais como um instrumento de reserva de mercado, vedando o fácil acesso dos Advogados iniciantes aos bons clientes no mercado, não sugiro a ninguém que passe por cima de suas prescrições.
Mesmo porque, o Código tenta impedir a mercantilização da Advogacia, mas não a adoção de um comportamento empreendedor, típico dos homens e mulheres de negócios.
E é o empreendedorismo que, creio eu, tem condições de resgatar o Advogado de uma típica atividade liberal do século XIX, e colocá-lo em condições de disputar o mercado do século XXI.

O empreendedorismo não está diretamente ligado ao conceito de comércio
Ainda que se exija dos empresários uma postura empreendedora (o que, de fato, não é a regra geral), não se pode concluir disto que todo empreendedor seja automaticamente um empresário.
O empreendedor é aquele que faz as coisas acontecerem, que consegue tirar as ideias do papel, que inova a forma como um produto ou serviço entrega valor e traz benefícios às pessoas.
Neste sentido, mesmo um servidor público pode ser um empreendedor.
Juízes que implementam projetos para agilizar a prestação jurisdicional são empreendedores.
Um órgão público que implanta um sistemas que torna o serviço prestado mais focado no usuário final atua de forma empreendedora.
E, claro, Advogados que focam sua atividade em seus clientes, visando entregar um serviço jurídico de mais qualidade e transformando a vida das pessoas, são empreendedores.
Igrejas, associações de bairro, sindicatos, empresas, escolas e Universidades precisam de pessoas com mentalidade empreendedora.
Não seria diferente com a Advocacia.

O medo do empreendedorismo é ruim para a Advocacia
O medo do empreendedorismo tem feito milhares de Advogados brasileiros atuarem de forma amadora.
Por acreditar que nada pode ser feito fora dos estritos limites da Advocacia tradicional, deixam detalhes básicos de lado:

  • não desenham processos e fluxos de trabalho;
  • não fazem gestão financeira;
  • precificam mal seus honorários;
  • fazem uso inadequado da tecnologia da informação;
  • não praticam o marketing jurídico;
  • fazem um atendimento precário dos clientes e não implementam políticas de fidelização;
  • não traçam estratégias ou planos de ação;
  • não monitoram ações nem avaliam resultados.

A tarefa de assumir o empreendedorismo como um elemento fundamental da formação dos Advogados é urgente.
E as Universidade e Faculdades tem que enxergar isto.
Sob pena de transformar o enorme contingente de profissionais despejados no mercado todos os anos em sub-empregados mal remunerados ou advogados frustrados e ruins de negócio.

Por Ricardo Orsini
Fonte JusBrasil Notícias