Mente brilhante não é
sinônimo de carreira bem-sucedida, dizem especialistas. Confira os erros mais
comuns e que podem colocar todo sucesso esperado a perder
Executivos: subestimar
os outros membros da equipe ou a concorrência é um erro comum dos profissionais
que se consideram brilhantes
Uma inteligência acima da média aliada a uma
boa formação acadêmica basta para sedimentar uma carreira brilhante, certo?
Errado.
Segundo especialistas há mais competências
que separaram base do topo de carreira do que sonham muitos “geninhos”. E é exatamente
a falta de algumas delas que pode colocar em risco o “quase-certo” sucesso que
essas pessoas acreditam que terão.
EXAME.com conversou com dois coaches que, a
partir de suas experiências em atendimento a executivos, notam certos padrões
de erros que as pessoas geniais estão arriscadas a cometer no trabalho. Confira
quais são:
1 Subestimar os outros
A principal armadilha é se considerar o único
brilhante “do pedaço”. “O erro é subestimar a própria equipe e as pessoas a sua
volta”, diz Sulivan França, presidente da Sociedade Latino Americana de
Coaching.
Se é um empresário, o risco é não dar o
devido crédito para a sua concorrência. Entre os executivos, o perigo é ser um
péssimo chefe e não conseguir atender à demanda por querer fazer tudo sozinho. “São
pessoas que consideram que o outro pode até fazer bem, mas não faz como eu faço”,
diz França.
2 Falta de foco
A vontade e a crença de ser capaz de abraçar
o mundo é um perigo que ronda os profissionais brilhantes. “São pessoas que
começam a ser bem-sucedidas em um negócio e acabam criando vários outros,
achando que terão o mesmo sucesso do primeiro”, diz França. Só que não.
O empresário Eike Batista, com a profusão de
suas empresas X, que o diga. “É um exemplo recente que marcou o Brasil. É inegável
que ele seja brilhante, mas a falta de foco o prejudicou”, diz França.
Resultado: homem que em 2012 era o mais rico
do Brasil e o 7º do mundo ficou de fora da mais recente lista de bilionários da
Forbes.
Do ponto de vista de um executivo, o risco é
começar a se envolver em áreas da organização que estão fora de sua alçada. “E,
com isso, ele está arriscado a negligenciar a própria área”, diz França.
3 Insubordinação
A dificuldade de se subordinar é fruto da
falta de confiança no gestor. “A dificuldade acontece quando ele enxerga
fragilidade na sua liderança”, diz França.
Achando-se muito mais competente e genial do
que seu chefe é difícil acatar suas decisões e feedbacks.
Acostumado a atingir resultados acima das
expectativas e rotulado como brilhante ao longo de sua trajetória, quem teria
legitimidade para dizer o contrário?
4 Não dar importância
para habilidades de relacionamento
“Um dos erros mais comuns é acreditar que o
conhecimento técnico e formação diferenciada são suficientes para ser
competente profissionalmente, esquecendo-se das habilidades com as pessoas e da
atitude diferenciada na busca do sucesso”, diz o coach executivo César Cordeiro.
O especialista diz que são três variáveis
determinantes para uma carreira com reais chances de sucesso: conhecimento,
habilidade e atitude.
Juntando-se as iniciais das palavras, ele
cita o efeito CHA. O desequilíbrio entre estas variáveis mina as chances de
ascensão profissional.
“São pessoas que podem ter profundo
conhecimento sobre tudo, mas não têm habilidades de relacionamento e (ou) comunicação;
ou podem até gostar do trabalho que fazem, mas não colocam atitude em se
diferenciar na carreira”, explica Cordeiro.
5 Não aceitar que
errou
“Até quando eu erro, eu acerto”, disse certa
vez um executivo - tido como brilhante - ao coach Sulivan França.
O dono da razão nunca erra. “É que ele tem
tantas evidências, foi rotulado de brilhante e sabe que tem algo a mais que
acaba se perdendo na própria percepção de sua vantagem competitiva”, diz
Sulivan.
No entanto, lidar como o erro, diz Cordeiro,
é uma das habilidades comportamentais mais importantes para profissionais
competentes.
“Para desenvolvê-la, precisa colocar
atitude, tempo e esforço, e isso – de modo geral – dá preguiça para pessoas que
são, ou se acham, superiores intelectualmente aos outros”, diz o especialista.
Por Camila Pati
Fonte Exame.com