quinta-feira, 29 de junho de 2017

NOME FÁCIL DE PRONUNCIAR AJUDA A SE DAR BEM NO TRABALHO, DIZ ESTUDO

aponta que advogados com nomes mais “pronunciáveis” subiram mais rapidamente na carreira

Quem tem um nome fácil de pronunciar pode se dar melhor no trabalho e na vida pessoal. É o que aponta uma pesquisa conduzida por Simon Laham, da University of Melbourne, na Austrália, e Adam Alter, da New York University Stern School of Business, nos Estados Unidos. No estudo inédito, publicado no Journal of Experimental Social Psychology, os pesquisadores analisaram como a pronúncia de nomes pode influenciar a impressão que os outros têm de uma pessoa e a tomada de decisão em relação a ela.
É o que eles chamam de “efeito da pronúncia do nome”: quem tem um nome fácil é avaliado de forma mais positiva do que aqueles que têm nomes difíceis de serem ditos. Esse efeito contribui para que essas pessoas, inclusive, sejam favorecidas na hora de receber um aumento ou promoção no trabalho.
O estudo revelou, ainda, que advogados com nomes mais “pronunciáveis” subiram mais rapidamente na carreira — resultado obtido após pesquisa de campo que avaliou 500 nomes e sobrenomes em firmas americanas. A pesquisa também mostrou que candidatos a cargos políticos têm mais chances de serem eleitos quando têm nomes fáceis.
— Os resultados da pesquisa revelaram que o efeito não se deve apenas ao comprimento de um nome ou ao fato de ele soar estrangeiro ou ser incomum, mas sim ao quão fácil ele é de pronunciar — explica Adam Alter.
Embora os testes tenham sido feitos na Austrália e nos Estados Unidos, Simon Laham acredita que os resultados possam ser aplicados a qualquer outro ambiente de trabalho, como no Brasil.
— Quando é fácil para processar uma informação, seja um nome ou uma palavra ou imagem, nós experimentamos um estado emocional positivo, e isso faz com que nos apeguemos a essa coisa que estamos processando. Esse mecanismo se realiza em diversas culturas — diz Laham, em entrevista por e-mail.
Os pesquisadores usaram nomes de origem anglo-saxã, asiática, e europeia (ocidental e oriental). Segundo Simon Laham, o estudo reforça a importância de se repensar alguns preconceitos e atos discriminatórios existentes na sociedade.
— É importante ter em conta os preconceitos sutis que moldam as nossas escolhas e julgamentos sobre os outros. Tal apreciação pode nos ajudar a tirar os vícios da nossa forma de pensar, permitindo um tratamento mais justo e mais objetivo dos outros — diz Laham.
O australiano diz que não seria radical ao ponto de sugerir que alguém troque de nome para tentar obter mais sucesso profissional, afinal, “os nomes têm muito significado para as pessoas”, mas reconhece que tentaria colocar um nome fácil de pronunciar em seu filho:
— Se eu quisesse dar a ele possibilidades de ter vantagens na vida, não colocaria um nome difícil de pronunciar.
Para o coach Silvio Celestino, o resultado da pesquisa não chega a surpreender, porque parte do princípio de marketing usado para criar nomes de marcas e produtos nos Estados Unidos: as palavras são pensadas em termos de simplicidade e pronúncia. Por isso, afirma, isso se aplicaria às pessoas, e o nome mais simples seria um fator relevante, pois seria mais fácil de ser memorizado e resultaria num apelido igualmente mais memorável.
— Só não se pode ter ilusões, isso vale para aqueles profissionais que possuem competência o bastante para serem promovidos. Ao ler as conclusões do estudo, fica claro que o nome mais fácil não substitui a competência, apenas é um reforço a quem já a possui — frisa Celestino.
Já a consultora de recursos humanos Ylana Miller, diretora da Yluminarh Desenvolvimento Profissional, discorda completamente da conclusão do estudo. Segundo ela, a pronúncia do nome é um fator que não favorece ou prejudica a vida das pessoas.
— São as atitudes é que terão influência direta no sucesso, tanto em questões pessoais quanto profissionais. Fico à vontade para exemplificar com o meu próprio nome (Ylana Miller Schechner), que é incomum — diz. — Em geral, as pessoas erram na escrita e/ou na pronúncia, mas, ainda que muitos se confundam com a ‘sopa de letrinhas’, nunca me prejudicou em nada.

Fonte O Globo Online