quinta-feira, 28 de março de 2013

RISCOS DO MUNDO VIRTUAL

Sua vida financeira está migrando para o computador. Saiba como estar mais seguro nesse mundo novo

A internet derrubou a barreira do isolamento e escancarou uma porta pela qual dados entram e saem das máquinas em questão de segundos. O lado perigoso disso é que a mesma porta por onde passam conhecimento, educação e entretenimento serve de caminho para invasões, fraudes, extorsões e para a propagação de vírus que inutilizam arquivos. A lista de picaretagens virtuais é grande. Tudo isso num ambiente em que ainda não foram escritas as leis definitivas nem existem as fronteiras do mundo real. Muitos dados pessoais, como endereço, senhas e conta bancária, estão registrados em um ponto da internet, sob a guarda de alguma instituição. Tem de ser assim, ou corremos o risco de nos privar das facilidades que a rede proporciona. Um computador pessoal está longe de ser uma ilha de tranqüilidade à prova de invasões. É preciso cuidado para resguardar seus dados.



Como é impossível prescindir da internet, torna-se essencial seguir algumas regras da rede. Muito da própria segurança vem do comportamento adotado durante a navegação. Não é preciso ser um expert em segurança da informática para saber que só se digita o número do cartão de crédito em sites confiáveis, de marcas estabelecidas. Ou para tomar o cuidado de só abrir arquivos anexados a mensagens cuja fonte é conhecida. Ou mesmo para ter a noção de que não se deve confiar a amigos exclusivamente virtuais informações delicadas sobre sua vida – o processo de persuasão para fins escusos na rede é tão intenso que até ganhou um nome técnico: engenharia social. A principal arma para se precaver, nesse ponto, é o bom senso.
Ferramentas de proteção também são essenciais para diminuir os riscos. É necessário ter um bom programa antivírus e atualizá-lo sempre. No ano passado, um único vírus – o sugestivo ILOVEYOU (eu te amo, em inglês), criado por um estudante filipino – paralisou milhares de empresas ao redor do mundo em poucas horas. O prejuízo, segundo especialistas, foi de 8,7 bilhões de dólares. No período pré-rede, a propagação era limitada a disquetes contaminados. Com a facilidade de expansão nos dias de hoje, o número de pragas cresce minuto a minuto – já chega a 50.000 o total de vírus conhecidos. Outra ferramenta, até agora restrita ao ambiente empresarial, está começando a ganhar força entre os usuários domésticos: o firewall, ou barreira de proteção. Ele detecta possíveis tentativas de invasão. O fato é que, por mais que se adote cautela, riscos sempre existirão.




Conselhos úteis
Cuidados simples com seu computador para evitar transtornos
Já são 50 000 os vírus catalogados. Por isso, é importante usar um programa de proteção. Custa em torno de 60 reais e protege o computador contra as pragas que destroem arquivos e põem em risco a saúde do sistema
Cuidado ao interagir com sites desconhecidos. Em bate-papos, quando é impossível saber com quem se está falando, a atenção deve ser redobrada
Se você desconhece o autor de um e-mail, apague-o imediatamente. Alguns trazem armadilhas escondidas que podem prejudicar o funcionamento da máquina
Jamais abra arquivos anexados a mensagens sem antes confirmar a origem e passar o antivírus. Os disquetes recebidos de terceiros merecem o mesmo tratamento
É quase impossível ficar sem baixar programas da rede, mas é bom checar se o site em que um programa está hospedado é seguro. O download é um grande propagador de vírus
As principais lojas virtuais têm políticas próprias de privacidade e não negociam seus dados com terceiros. É melhor comprar delas 

Mitos e verdades sobre a segurança do computador
Senha com letras e números é mais segura? Mensagens só com texto propagam vírus? Computador fora da internet pode ser infectado? Confira o que é verdade ou mentira no mundo virtual
Verdadeiro
Falso

Vírus são transmitidos apenas por e-mails, disquetes e programas baixados da internet.
Os vírus podem ser transmitidos pela simples navegação em páginas da internet, pelo compartilhamento de arquivos e até em salas de bate-papo. A transmissão por e-mail, no entanto, é a mais usual.

Passando o antivírus todos os dias, o computador está protegido.
Mas é preciso que o programa de proteção seja atualizado constantemente e seja do tipo ativado automaticamente, assim que o usuário liga o computador. Novos métodos de infecção surgem diariamente. Os antivírus não são totalmente infalíveis.

O antivírus corrige danos provocados pelo vírus.
O antivírus apenas impede a entrada das pragas virtuais, detecta e elimina arquivos infectados. Se algum dano já tiver sido causado, o programa de proteção não vai corrigi-lo.

Mensagens apenas com texto não trazem vírus.
Só mensagens que carregam arquivos anexados podem infectar a máquina.

Alguém pode invadir seu computador sem que você esteja conectado.
Fora da internet, o computador é uma ilha. Sem a conexão estabelecida, fica impossível acessá-lo.

Vírus antigos não representam perigo.
Alguns vírus continuam liderando a lista de contaminações anos após sua criação, superando em complexidade inclusive outros mais recentes.

Existem programas que permitem ao hacker acompanhar tudo o que o usuário faz no computador.
A esses programas dá-se o nome de cavalo de Tróia. Eles se alojam na máquina através de algum outro programa. Alguns cavalos de Tróia podem até acionar o microfone do computador e gravar o que o usuário diz, enviando a informação por e-mail ao hacker, sem que se perceba.

Um vírus só funciona na data de ativação.
A data de ativação é só o primeiro dia do ataque. Depois disso, o vírus continua navegando pela internet. Datas marcantes, como o Natal e a Páscoa, costumam ser dias críticos.

Dois antivírus protegem mais que um.
Um programa acaba atrapalhando o outro, e o computador fica mais lento. Ter apenas um bom programa é suficiente, desde que seja atualizado sempre.

Com uma barreira de proteção (firewall) e um antivírus, não é preciso fazer mais nada para se proteger.
O bom senso é vital na hora de navegar pela internet. De nada adianta ter os programas sem tomar cuidado na rede.

Misturar números e letras torna a senha mais segura.
Senhas formadas apenas com letras são facilmente desvendadas. Basta acrescentar um número ou algum dígito especial para a probabilidade de ter a senha descoberta diminuir sensivelmente.

A empresa em que trabalho pode ler as mensagens trocadas em meu e-mail profissional.
Essa é uma questão que ainda não encontrou um padrão de comportamento consensual. Muitas empresas não só acompanham a troca de e-mails como rastreiam as páginas visitadas pelos usuários. Algumas adotam a política de transparência e avisam os funcionários de que fazem isso.

Quando um site garante que o internauta está numa área segura, isso quer dizer que tudo o que ele digita está sendo criptografado.
É interessante, contudo, notar se existe o desenho de um cadeado fechado ou uma chave no canto inferior da tela do computador. Isso dá maior certeza de que a empresa está utilizando a criptografia, o embaralhamento dos dados para confundir possíveis invasores.

Não é seguro preencher cadastros na internet.
Aqui vale o bom senso. Em sites conhecidos, em que a política de privacidade é explícita, não há problema algum. Empresas sérias geralmente deixam claro que não vão repassar suas informações a terceiros. Evite fazê-lo nos sites de empresas que não conhece.

Alguns internautas mal-intencionados vigiam o que os outros conversam em salas de bate-papo, só para coletar o maior número de informações sobre a vítima.
Isso existe, e muito. A tática tem até um nome: engenharia social. A primeira preocupação de qualquer bandido cibernético é coletar o maior número de informações sobre a vítima, normalmente por telefone.

É seguro usar o internet banking.
O setor de instituições financeiras é o que mais investe em tecnologia de segurança, por motivos óbvios. Quase todas as corrências fraudulentas, nesse caso, ocorrem por descuido do próprio internauta. Guardar muito bem a senha é imprescindível para evitar prejuízos.

Os vírus são a maior ameaça às informações do usuário.
Eles têm o poder de destruir e roubar dados contidos na máquina.

Um bandido virtual pode desenvolver um site parecido com o de uma instituição bancária para pegar pessoas desatentas.
Em um exemplo hipotético, o usuário digita www.banconicro.com.br em vez de www.bancomicro.com.br, que seria o nome verdadeiro da instituição. A vítima acabaria caindo em um site falsificado igual ao original. Casos desse tipo são raros, mas podem acontecer.

Não há o que fazer contra o spam, prática de empresas que mandam e-mails promocionais e entopem sua caixa postal sem autorização.
Há vários movimentos na internet contra o envio de e-mails em massa. É possível denunciar os autores da prática e reclamar com eles. A página da Campanha Nacional de Propaganda na Internet (www.cnpi.com.br) traz uma série de informações de como proceder em casos de spam. Detalhe: a lei brasileira não tem uma definição sobre o assunto.

Os hackers são todos terroristas digitais perigosos.
Os hackers são, em geral, jovens aficionados por computador cujo grande desafio é provar ao mundo que os sistemas utilizados pelas grandes instituições e empresas são frágeis. Em geral, eles realizam invasões mas não roubam dados nem destroem nada. Fazem o que fazem por necessidade de afirmação. Costumam deixar uma mensagem desafiadora em páginas invadidas.

É seguro digitar o número do cartão de crédito na rede.
O risco nesse caso é o mesmo que se corre ao entregar o cartão a um garçom no restaurante ou informar o número por telefone. É uma possibilidade com que temos de conviver. Uma precaução é só confiar o número a sites reconhecidamente estabelecidos.

A mensagem eletrônica é um meio de comunicação sigiloso.
Antes de chegar ao destinatário, ela passa por diversos lugares. Todo grande provedor jura que as mensagens são protegidas do acesso de terceiros, mas é impossível ter a noção exata do nível de segurança durante todo o percurso. O ideal é só trocar informações de caráter sigiloso ou valor material se o usuário dispuser de um programa de criptografia.

Não dá para confiar em reserva de assento num vôo e em reserva de hotel feitas pela rede.
Esse tipo de serviço é, na maioria das vezes, muito confiável. Mas é preciso seguir passo a passo todas as orientações do site, até a confirmação final. Imprimir a página de encerramento da transação é sempre recomendável. Servirá de comprovação em caso de falha. 


Fonte Veja Online