terça-feira, 3 de setembro de 2019

O CURRÍCULO DE HOJE

Para 46% dos gestores, dois erros de digitação já podem eliminar candidato

Em seu livro “Socialnomics”, de 2012, o consultor americano Erik Qualman prevê que, por volta de 2022, o currículo de papel estará morto. Mas, enquanto isso não acontece, o documento continua sendo a principal ferramenta utilizada para se conseguir um novo emprego, embora cada vez mais complementado por informações de redes sociais, especialmente as incluídas no LinkedIn.
E, por mais que alguns profissionais apostem na renovação do formato, elaborando currículos criativos e cheios de design, a grande maioria usa mesmo o bom e velho Word. O que não representa qualquer problema, dizem especialistas, desde que alguns aspectos sejam observados.
— O currículo é a primeira apresentação e tem que ter conteúdos básicos, que permitam ao recrutador saber se o candidato atende aos requisitos da vaga — afirma Jacqueline Resch, sócia e diretora da Resch RH, para quem erros de gramática e ortografia são imperdoáveis em um currículo.
Segundo pesquisa feita recentemente nos EUA pela consultoria Robert Half, entretanto, a tolerância dos gestores e recrutadores americanos em relação à quantidade de erros de digitação nos currículos varia. Para 46% dos entrevistados, dois erros bastam para que o candidato seja desconsiderado com base no currículo, enquanto 27% toleram até três erros e 17% só relevam um.
O curioso é que o resultado mostra que os gestores estão mais tolerantes que há cinco anos. Levantamento de 2009 revelava que um erro era o bastante para que um currículo fosse desconsiderado por 40% dos entrevistados. Outros 36% apontaram dois erros e 14%, três. Para Sócrates Melo, diretor de operações da Robert Half, no Brasil, a exigência costuma ser maior.
— Acredito que somos menos tolerantes, mas a necessidade, de fato, gera tolerância. Erros podem existir, sim. Se for grave ou se o volume for grande, eles ganham relevância. Mas se for algo que ocorreu por falta de atenção, por exemplo, eu realmente não vejo tanto problema.
Veja o que destacar e o que não precisa ser incluído no documento:

EDUCAÇÃO:
SIM: É importante destacar os cursos de graduação, pós, mestrado ou doutorado que tenham sido realizados, mas sempre de forma objetiva, indicando o ano de conclusão e, apenas se for relevante, algumas disciplinas cursadas.
NÃO: Não é necessário listar todo o histórico educacional, desde o ensino fundamental. Também não é recomendado incluir cursos que não tenham sido concluídos ou aqueles que foram feitos há muito tempo.

EXPERIÊNCIA:
SIM: Essa parte conta muitos pontos, mas o profissional deve saber resumir bem suas atividades, para o recrutador entendê-las de cara. O currículo ideal não deve ter mais de duas páginas, então longas experiências correm risco de nem serem lidas.
NÃO: Listar todas as experiências profissionais só é pertinente para um recém-formado ou universitário. Se o candidato está em um nível mais sênior no mercado, não faz diferença se ele trabalhou em loja ou deu aula particular no início da carreira.

IDIOMAS:
SIM: A fluência em língua estrangeira deve ser destacada, pois é bastante valorizada. Mas, se o inglês está enferrujado, vale a pena ser honesto e colocar, por exemplo, o ano de conclusão do curso, para indicar possível necessidade de atualização, o que nem sempre será um problema.
NÃO: Indicar que tem “espanhol básico” ou “inglês intermediário” é um dos erros mais cometidos por candidatos. Se a fluência for realmente necessária para a vaga, isso será testado, e a informação do currículo, desmentida.

OBJETIVOS:
SIM: Quem opta por incluir o campo “Objetivos profissionais” no currículo precisa ser sucinto e específico: o candidato deve listar a área de atuação pretendida e explicitar os conhecimentos em poucas linhas e com clareza.
NÃO: “Profissional pró-ativo com objetivo de atuar na área de administração e colaborar com a empresa”. Para colocar um objetivo vago e genérico, que não diz muita coisa, é melhor suprimir essa parte do currículo.
NÃO ESQUECER:
Nos contatos, e-mail e celular devem estar sempre visíveis. Não é necessário incluir dados como identidade e CPF. Hoje em dia, recomenda-se também colocar no currículo links para os perfis nas redes sociais ou para blogs ou sites pessoais. Mas isso só vale para o que estiver atualizado. Se o recrutador clicar e vir que o último tweet do candidato é de 2011, poderá desconsiderá-lo. O mesmo vale para o LinkedIn, que, além de atualizado, deve ter uma foto que indique profissionalismo.
Por Maíra Amorim  e Ione Luques
Fonte O Globo Online