quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

ONIOMANIA: A DOENÇA DA DÍVIDA


A oniomania (do grego onios, à venda, compra; mania, insanidade, loucura) é um transtorno psiquiátrico que leva a pessoa a comprar sem controle e se endividar. Não é um distúrbio raro, os compradores patológicos constituem 3% da população. Embora a incidência seja maior nas mulheres, os homens também engordam a estatística.
É um transtorno do impulso em que a compra tem a função compensatória de aplacar alguma angústia, e os sentimentos de culpa e arrependimento costumam aparecer em seguida. O indivíduo cede por uma questão emocional, compra mesmo que não precise ou o faz em quantidade exagerada.
A maioria das pessoas um dia já comprou por impulso, sobretudo nas liquidações. Excessos vez por outra são aceitáveis. O que está sendo destacado aqui é a compulsão, como um padrão repetitivo de comportamento em que o indivíduo não consegue parar, apesar de muitos acreditarem que podem, no momento em que desejarem.
Os oniomaníacos buscam preencher o vazio interior com algo externo e, como não conseguem, sucessivas tentativas transformam-se em grandes extravagâncias. Também há pessoas em situações muito sérias de endividamento, não por terem comprado compulsivamente, mas porque não conseguem dar limites a seus parentes e amigos. Contraem empréstimos ou compram para terceiros, pois se sentem culpadas em dizer não. Acreditando que se cederem às pressões continuarão "sendo amadas" e "benquistas", colocam-se em situação de risco, assumindo dívidas dos outros para si, motivadas inconscientemente pelo medo da rejeição. Em outras palavras, compram afeto.
Os casos mais graves são aqueles que chegam ao ponto de contrair uma nova dívida para pagar uma dívida anterior, o que na verdade só aumenta a bola de neve. Já não veem saída e, nessas circunstâncias, é comum se associarem outros dois transtornos: a ansiedade e a depressão.
Deprimem-se porque, após passar a euforia que a sensação de poder que o ato de comprar proporciona, caem em si no vazio interior, pois não há nada externo capaz de supri-lo. É relativamente comum que compradores compulsivos nesse momento busquem descontar suas frustrações na bebida e na comida. desenvolvendo assim outras patologias associadas, como o alcoolismo e a obesidade, por exemplo.
Para tratar essa questão, recomendasse um trabalho multidisciplinar: avaliação psiquiátrica, quando muitas vezes se faz necessário o uso de medicamentos; tratamento psicológico, individual e/ou em grupo; participação em Programas de Apoio, como o DA (Devedores Anônimos); atividade física, para extravasar a energia acumulada do impulso compulsivo; práticas que proporcionem maior contato interior como Yoga e Meditação; e, sempre desejável, alguma espiritualidade que ressalte outros aspectos da vida.
De ordem prática, a orientação para aprender a administrar as finanças pessoais também é primordial, pois na maioria das vezes os oniomaníacos não conseguem se planejar e não sabem negociar com instituições financeiras. Objetivando facilidades para comprar ainda mais, esses indivíduos costumam contratar ou renegociar financiamentos de crédito, com empresas que oferecem prestações mais baixas por prazos muito longos, sem avaliar cuidadosamente as condições estabelecidas como as taxas de juros, entre outras.
O que há de mais desafiador para qualquer ser humano é a mudança de comportamento. Hábitos já incorporados e praticados há muito tempo fazem parte do cotidiano e a pessoa funciona como um "piloto automático". Primeiramente, é preciso reconhecer-se como alguém que já não consegue mais administrar as dívidas. O segundo passo é buscar ajuda. Mas nada disso trará um resultado positivo se a pessoa não acreditar que é possível, independentemente da situação em que se encontre.
O mais importante é a conscientização e o desejo real de mudança. Esses são os ingredientes fundamentais para que as dívidas façam, finalmente, parte do passado.

Por Adriana Raeder Gabriel (Psicóloga – CMA)
Fonte Saúde em Ação TCE/RJ