quinta-feira, 27 de abril de 2017

8 CLIENTES QUE DEVEM SER DEMITIDOS


Um dos maiores equívocos cometidos por advogados é a falta de conhecimento sobre padrões de abusos de alguns clientes e como tratar essa questão com maturidade.
Uma das formas de evitar esse tipo de dilema é sabendo identificar os comportamentos mais problemáticos, criando estratégias ágeis de eliminação dessas relações indignas. 

1. Cliente "Tio Patinhas":FOGE DE PAGAMENTOS PRELIMINARES
Um dos primeiros sinais de um cliente problemático é a sua relação com pagamentos. Uma das premissas que escritórios sustentáveis praticam, é a precificação de modo profissional, sendo indicado que pelo menos as despesas geradas pela demanda do cliente sejam cobertas por ele.
Esta premissa faz com que esses advogados rejeitem, logo na entrevista preliminar, clientes que não cobrem pelo menos o que representa o custo do processo ou procedimento realizado.

“Mas dessa forma eles não perdem clientes?”
Sim, eles perdem muitos clientes. Porém, ter muitos clientes não é garantia de lucratividade, sendo evidente que um perfil de cliente com dificuldades de arcar com as despesas da sua demanda, dificilmente terá maturidade emocional para reconhecer o trabalho do advogado. No geral, o que se configura é uma relação indigna, onde a troca sempre é desequilibrada. 
Tem muito cliente por ai que contrata o advogado, por exemplo, para fazer o inventário extrajudicial, mas liga toda semana para tirar duvidas sobre um divórcio, pensão alimentícia, contratos de locação e até sobre o corte de energia por falta de pagamento... 
Esse cliente está tentando extrair o possivel da expertise do advogado porque inconscientemente ainda não enxergou vantagem nessa parceria, ou seja, ele entendeu que o advogado trabalhou pouco... Isso ocorre por dois motivos: Ou o causídico não soube comunicar valor, ou a mentalidade do cliente é muito escassa.
Além disso, clientes que não querem investir logo de início naquilo que representa os custos do que ele mesmo gerou, mais tarde ou mais cedo irão promover algum tipo de inadimplência e serão muito resistentes a remunerar o profissional por algo intangível.
Como proceder: Diga logo ao seu cliente que só trabalha com um percentual do valor adiantado. Explique que anteriormente já teve problemas com clientes que pagavam depois e que prefere fazer dessa forma. Se ele não respeitar, é porque ele não é um bom cliente para você.

2. QUER ADVOGAR MAIS DO QUE VOCÊ
Considero que o bom relacionamento entre o advogado e o cliente é um dos segredos para contratos de longo prazo. E para que esse relacionamento seja saudável, é necessário que o cliente opine e troque algumas ideias, contribuindo com o êxito da demanda. Contudo, existe uma grande diferença entre “dar algumas opiniões” e querer advogar por você.
Infelizmente, esse tipo de cliente pode corromper suas teses com menos qualidade, o que acabará deixando você frustrado e com menos tempo para se dedicar aos clientes que realmente interessam!
Como proceder: Faça um teste de um mês com esse cliente. Se ele continuar sendo extremamente intromissivo no seu trabalho, a melhor opção é dispensá-lo.

3. O CLIENTE CARENTE
Você sabe aquele cliente que liga para você no domingo ou durante a semana logo às 7 da manhã? Pois é, esse é outro tipo de cliente que deve evitar. Com estas atitudes, este tipo de cliente informa um claro sinal de que não respeita o seu espaço ou talvez não te reconheça de modo profissional.
Como proceder: Você aqui tem dois caminhos. O primeiro é evitar que esse tipo de situações aconteçam através de clausulas contratuais mais assertivas. No contrato, forneça o seu horário de trabalho e deixei bem claro que ele só pode ligar dentro desse período de tempo. Se você não deixou isso definido, a segunda possibilidade é avisar o cliente que só vai atender o celular dentro do seu horário de trabalho. 

4. CLIENTE ALZHEIMER
Você marcou uma reunião e ele não apareceu? Você enviou um email e ele esqueceu de responder? Ele não compareceu a audiência de conciliação? Esse é o cliente esquecido. Os seus constantes esquecimentos podem até gerar a perda irreversível do caso, além é claro, da perda irrecuperável do seu tempo.
Como proceder: O primeiro passo é, obviamente, avisar o cliente. Avisar que desde cedo que você vai cobrar por esse tempo perdido, etc. Se a situação persistir, ai talvez seja o momento de desistir dessa relação.

5. O IMÃ DE PROBLEMAS
Sabe aquele cliente que tem sempre um problema de última hora que o impede de te pagar, de se reunir ou de executar qualquer tarefa de cunho colaborativo? Pois é, esses são outros clientes que você deve evitar. São aqueles clientes que inventam sempre uma desculpa de última hora para não fazerem algo...
- “O meu carro quebrou!”
- “Eu transferi o dinheiro mas o banco cometeu um erro”
- Sabe como é né, escola, IPVA, IPTU...
- “Estive em reuniões o dia todo e me esqueci do seu email”
- “Eu não recebi o seu email porque ele foi para o SPAM!”
E muitas outras desculpas semelhantes a esta.
Como proceder: Fuja desse tipo de clientes o mais rápido possível! Eles podem ser clientes “enrolões” que no final só querem o seu trabalho de graça. Acredite: enrolão uma vez, enrolão para sempre.

6. O AMIGÃO
Existem alguns clientes que gostam de convidar o seu advogado para eventos sociais, o que pode fortalecer a colaboração, mas cuidado! Confira se isso não é uma tentativa do cliente fazer uma longa amizade com você e depois não pagar pelos seus serviços…
Como proceder: Mesmo que o seu cliente comece a fazer o papel de amigo, não facilite na questão de pagamentos, prazos, etc. Mantenha-se firme às datas combinadas com ele.
Uma estratégia muito utilizada por alguns dos nossos alunos é fazer uma proposta de honorários anexando a tabela da OAB, ou mesmo o valor praticado no mercado. Após essa apresentação formal, você pode criar formas flexíveis de pagamento, usar parcelamentos, permutas... Mas não abra mão de receber honorários em troca dos serviços.
Pense comigo... A remuneração não é um elemento de troca usado para substituir o serviço ofertado? Então... Se você decidir trocar serviços jurídicos por churrasco, abraços ou posts de agradecimento no facebook, pelo menos deixe isso claro.
O que não é maduro é que essa troca seja feita de modo velado, como se a cobrança não fosse legítima porque existe uma amizade envolvida... Afinal, é coerente ser remunerado apenas por inimigos, já que os amigos "não devem pagar"?
Tudo é uma questão de perspectiva... Nesse campo, quanto mais maturidade emocional, mais fácil será estabelecer esse dialogo.

7. O CLIENTE CHEIO DE PARENTES
Tem o cliente que tem parentes:
1- O que tem parentes amigos do desembargador, do juiz, ou do assessor do promotor e que se ofereceram para dar uma ajuda com seus contatos;
2- O que tem um parente que fez o segundo grau com você e disse que em nome da amizade você faria um precinho bem especial;
3- O que tem um parente que também é advogado e disse que se você tiver problema com a causa e achar difícil, ele pode dar uma ajuda e ensinar como resolver.

8. O CAUSA GANHA
Aquele que já chega pleiteando altos descontos de honorários, pressupondo que o Advogado vai atuar de forma rasa e substituível, podendo ele mesmo fazer o serviço, caso tivesse a "carteirinha rosa", diante de tamanha simplicidade do caso.
Esse perfil de cliente tem a convicção de que tem o direito - agindo como o juiz da própria causa. Além de desmerecer o trabalho do advogado, certamente invalidará publicamente o causídico em caso de improcedência da ação, que na sua opinião, "já estava ganha".
É comum que esse tipo de perfil confunda colaboração processual (obrigações como parte no processo), com promoção da causa, diminuindo o valor do patrocinio, o que pode gerar grande prejuizo moral ao advogado.

A pergunta é: excluídos esses 8 "perfis", restará algum cliente na sua carteira atual?

Por Advocacia in Foco
Fonte JusBrasil Notícias