sábado, 1 de julho de 2017

DOENÇAS DO GATO IDOSO


O envelhecimento é um processo inevitável e irreversível. Contudo, o estado débil atribuído ao gato geriátrico, pode ser oriundo de uma enfermidade que pode ser corrigida ou pelo menos tratável pelo médico veterinário. Deve-se diferenciar as mudanças inerentes ao processo de envelhecimento daquelas em função dos processos patológicos.
O ciclo de vida do gato pode ser dividido em quatro estágios: filhotes – faixa etária compreendendo 6 a 8 meses; adultos – animais com 1 a 7 anos de idade; idosos – entre 8 a 12 anos; geriátricos – após os 12 anos.
O número de gatos idosos e geriátricos vem aumentando no atendimento clínico diário. Isso se deve pelo aumento da preferência do felino como animal de estimação e pelo fato da medicina veterinária preventiva ter evoluindo muito. Hoje os gatos são favorecidos pelos programas de vacinação, dietas mais adequadas para a faixa etária e de prescrição (segundo as enfermidades), além da evolução das técnicas para obtenção de um melhor diagnóstico, somando-se ainda, a participação de proprietários mais conscientes e zelosos pela saúde do seu gato. Tudo isso fez com que a expectativa de vida dos gatos, que era de 10 anos, passasse para 15 anos. Se estimarmos em 15 anos a longevidade média de um gato, este atingirá o último terço de vida ao redor dos 10 anos de idade, o que corresponde a uma definição comum de envelhecimento qualquer que seja a espécie envolvida. Neste estágio, geralmente aparecem sinais que chamam a atenção dos proprietários: falta de dinamismo, sonolência, alteração do pêlo.
A expectativa de vida máxima de um gato é geneticamente programada. Ao contrário do que ocorre com os cães, a raça tem pouca influência na expectativa de vida do gato, mas varia consideravelmente em função do ambiente do animal. Para um gato que vive fora de casa, a expectativa de vida é de apenas 10 anos, mas um animal confinado em um universo muito protegido atinge 18 a 20 anos de idade. Alguns gatos são conhecidos por terem vivido mais de 30 anos. Hoje em dia os gatos são castrados com freqüência e vivem mais no interior das casas: portanto, estão menos expostos a acidentes. Uma alimentação apropriada e de qualidade permite combater os fenômenos patológicos e fisiológicos ligados ao envelhecimento, manter o peso do gato em seu nível ideal, e contribuir para a prevenção de problemas urinários.



O conhecimento da influência do envelhecimento em cada um dos sistemas orgânicos aumenta a capacidade para criar critérios para os meios de diagnósticos, para planejar programas de prevenção de doenças e instituir terapias adequadas. Os gatos idosos e geriátricos são mais sedentários, menos enérgicos, menos curiosos e mais restritos em suas atividades. Eles se ajustam lentamente às mudanças da dieta, atividades e rotina. Eles são menos tolerantes ao calor ou frio extremo. Eles procuram locais confortáveis aquecidos e dormem por longos períodos. Os pêlos apresentam-se embolados, secos e sem brilho, visto que os gatos idosos costumam perder o interesse de se lamberem. Quando manipulados, são mais fáceis de se irritar.
Muitas das mudanças comportamentais ocorrem pelas alterações nos órgãos dos sentidos: diminuição da audição, da visão e do olfato. As unhas são pouco desgastadas e é comum vê-las introduzidas nos coxins (almofadinha das patas). Eles apresentam dores articulares, em função de doenças degenerativas das articulações, fraqueza muscular e perda de tônus muscular. Tudo isso faz com que os gatos restrinjam sua atividade e habilidade para participar da vida familiar. Muitos gatos ficam tão carentes com o afastamento que começam um processo de lambedura compulsiva, levando a áreas extensas de alopecia, ou iniciam com o distúrbio de eliminação de urina ou fezes em locais inapropriados. Viagens e hospitalizações são pouco toleradas pelos gatos idosos. Tais gatos se alimentam pouco ou ficam anoréticos, muito ansiosos e dormem pouco. É melhor deixá-los em casa sob os cuidados de alguém familiar (“cat-sitting services”). Constipação é um dos problemas freqüentes do gato idoso. Os fatores de risco são: falta de exercício, retenção fecal voluntária, dieta inapropriada, dor por impactação da glândula adanal, redução da motilidade intestinal e fraqueza da musculatura intestinal. As fezes se apresentam mais ressecadas e endurecidas. Doenças periodontais levam a processos extremamente dolorosos e fazem com que os gatos recusem o alimento. A perda de peso é um problema sério no gato idoso e deve ser investigada se é devido a problemas dentários, endócrinos, afecções de má absorção e/ou a uma percepção mais fraca dos odores e sabores dos alimentos.
O gato é por natureza um grande consumidor de proteínas, não há razão alguma para reduzir drasticamente o fornecimento protéico quando ele envelhece. Esta restrição poderia ser prejudicial a sua saúde. Enquanto que a restrição protéica não permite retardar o envelhecimento do rim, por outro lado aconselha-se uma diminuição de fósforo na dieta. Com esta medida pode-se esperar um retardamento do declínio da função renal. Os alimentos que acidificam a urina dos gatos são desaconselhados após os 10 anos de idade. Estes alimentos parecem favorecer o desenvolvimento de cálculos urinários de oxalato, os quais são mais frequentemente observados em gatos idosos. Além disso, é melhor evitar alimentos acidificantes em animais cuja função renal poderia estar prejudicada.
Como conseqüência de um aumento na expectativa de vida do gato, observamos cada vez mais as doenças crônicas. As doenças encontradas com maior freqüência em gatos idosos são: insuficiência renal crônica, problemas dentários, tumores (adenoma funcional da glândula tireóide, acarretando em hipertiroidismo), degenerações ósseas e musculares, doenças cardiovasculares e diabetes mellitus.
O programa preventivo de saúde para o gato idoso deve ser iniciado a partir da faixa etária de 7 a 11 anos de idade e deve continuar por todo resto de sua vida. Esse programa tem sido recomendado pela Associação Americana de Clínicos Especialistas em Felinos e pela Academia de Medicina Felina, em 2005, num painel para reportar os cuidados com o paciente felino idoso. Caso o gato não demonstre nenhum tipo de doença, na avaliação deve constar: avaliação completa da história médica pregressa e do comportamento do animal, exame físico completo, aferição da pressão arterial e exames sanguineos, que ajudam a estabelecer o que está normal e reconhecer o mais cedo possível o que está errado. É fundamental avaliar o peso do animal e as condições corpóreas e compará-las com aferições anteriores, para verificar se houve perda ou ganho substancial. A recomendação para pacientes que estejam portando alguma enfermidade é similar as anteriormente mencionadas associadas aos exames específicos para as afecções.  

Por Clínica Veterinária Gatos & Gatos, no Rio de Janeiro – RJ