sábado, 7 de outubro de 2017

QUEDA DE PELOS DOS GATOS AUMENTA NO CALOR E PODE SINALIZAR DOENÇAS


No tapete, no sofá, no cobertor, nas roupas, por todos os cantos. Quem tem gato precisa aprender a conviver com os pelos que eles soltam naturalmente, um fenômeno que tende a se intensificar nos meses de calor.
A troca de pelos é um processo natural. Trata-se de um mecanismo de renovação que ocorre também na nossa pele: células antigas são substituídas por novas. A diferença é que os pelos são mais visíveis. E, nos meses de calor, é normal haver mais queda do que reposição, como uma forma de diminuir a temperatura corporal.
Em alguns casos, contudo, pode haver alguma doença acentuando o processo. Quando isso ocorre, geralmente surgem falhas na pelagem (áreas alopécicas).
Segundo a veterinária especializada em felinos Laila Massad Ribas, os donos que suspeitam que a queda é excessiva devem procurar por outros sintomas, que sinalizem alguma enfermidade. Além das falhas, feridas e coceira em excesso podem ser sinais de que algo está errado. Fungos causadores de micoses, pulga, sarna e infecções por bactérias (que geralmente começam com uma picada ou com um pequeno machucado) costumam ser causas recorrentes para quedas além do normal.
Outra preocupação é com o acúmulo de pelo no sistema digestivo. "Os gatos se lambem muito e acabam engolindo. Só que alguns não conseguem regurgitar e aquilo tudo se deposita no estômago. Pode causar desconforto e, em casos mais raros, é preciso fazer uma intervenção cirúrgica para retirar", explica Laila.
A prevenção é simples: escovação. Para gatos com pelos longos (que chegam a seis centímetros), o ideal é que ela ocorra diariamente. Para bichanos de pelo curto, duas a três vezes por semana já são o bastante.
Nos casos dos pets mais arredios, que não sejam grandes fãs desse processo, a dica é começar aos poucos. "O ideal é escolher um lugar alto, com algum pano, almofada ou algo que agrade o felino. Vale também oferecer petiscos para associar esse local a momentos de prazer", diz Laila.
Outra dica da veterinária é plantar um pouco de grama para gatos no jardim ou num vasinho. A maioria dos bichanos comerá as plantas naturalmente, e isso ajuda a limpar o emaranhado de pelos do sistema digestivo. Aqui, vale um cuidado a mais: a planta deve ser constantemente podada para não passar de um palmo de altura.
Quanto aos humanos, os pelos não causam maiores contratempos. Os únicos que devem ficar alertas são os portadores de alergia. Provocada pela proteína fel-d1, contida na saliva do animal, ela pode levar a reações como asma, coceira e inchaço nas mãos ou nos olhos. Nesses casos, a melhor saída é mesmo procurar outro bichinho de estimação.

Por Tomás Chiaverini
Fonte Folha S. Paulo Online