quarta-feira, 8 de março de 2017

COMO CONCILIAR FILHOS E NEGÓCIO PRÓPRIO SEM ENLOUQUECER

Especialistas dão três dicas para quem enfrenta essa dupla jornada

Trabalhar e ao mesmo tempo dar atenção para os filhos nunca foi tarefa simples. Porém, para quem decide ter o próprio negócio, esse malabarismo entre família e trabalho é um pouco mais complexo.
Por um lado, os empreendedores têm uma vantagem por conta da maior flexibilidade que o cargo de dono proporciona. “A maior vantagem de ter um negócio próprio é a liberdade de fazer seus horários, especialmente se você consegue trabalhar de casa”, explica Lucia Stradiotti, sócia da MOM’SA, empresa de incentivo e capacitação para mães empreendedoras.
Porém, nem tudo são flores. Apesar de não haver um patrão monitorando suas atividades, o empreendedor tem um compromisso com os próprios clientes. “Você precisa ter o olhar de um dono, ou seja, pensar estrategicamente e tomar decisões. Isso requer atenção e atualização constantes em relação às tendências de mercado. Não é por ter um negócio que você terá todo o tempo do mundo”, alerta Maria Alice Alves, gerente do Sebrae de São Paulo.
Outra dificuldade é a de obter um retorno financeiro. “Nós temos que correr atrás de cada cliente. O fluxo de caixa não é como o de um funcionário, que recebe todo mês. Pagamos as contas sem saber se o dinheiro dos próximos contratos irá entrar ou não”, conta Heloisa Motoki, diretora administrativa e financeira da Rede Mulheres Empreendedoras.
“Num negócio, o primeiro destino do dinheiro são os funcionários, depois os impostos. Só então vem o salário do dono. Se você não se planejar para essas contas, terá de recorrer ao banco, o que tornará o valor a pagar ainda maior com o tempo. Quem é empregado nem se preocupa com isso”, lembra Heloisa.
Se a rotina de um empreendedor já é difícil, fica ainda mais quando os filhos entram nessa equação. Para que você saiba como conciliar todas essas exigências, as especialistas separaram três dicas para ter um negócio e, ao mesmo tempo, ser um pai ou uma mãe presente. Veja, a seguir, quais são elas:

1. Tenha um planejamento prévio (mas também não espere demais)
Se você ainda está pensando em abrir um negócio, essa é uma boa hora para organizar as finanças e separar valores para a empreitada profissional e para a familiar. Também é importante estar ciente de que, no início, seu negócio provavelmente vai exigir mais do seu tempo.
“No começo, você não terá muita autonomia, porque o negócio demanda muito nesse momento”, afirma Maria Alice. Depois, a empresa ficará mais consolidada e é possível estabelecer horários mais equiparados.
No entanto, não deixe que o medo da falta de tempo paralise sua ideia. Apesar de o planejamento ser essencial, há pessoas que acabam pensando demais e não tomam a iniciativa, na esperança de que seus filhos tomarão menos tempo mais para frente. Com isso, a empresa pode acabar perdendo a oportunidade de se lançar com o timing certo.
“Atendemos muita gente que tem a ideia de negócio, com tudo pronto, mas não começa porque acredita que não é o momento ideal”, diz Lucia Stradiotti, da MOM’SA. “Saiba que, em todas as fases, os filhos irão demandar atenção. É muito melhor ir ao mercado e ajustar os ponteiros enquanto a empresa está rodando do que ficar esperando”.

2. Monte uma agenda
Trabalhar em casa é uma vantagem pelos horários mais flexíveis. Ao mesmo tempo, quem não organiza um cronograma pode acabar frustrado. “A família tem que entender que existe o horário de trabalho e o horário de relacionamentos. Se você tentar fazer tudo ao mesmo tempo, você não se foca em cuidar do negócio direito e nem dá atenção suficiente aos parentes”, explica Lucia. Por isso, nada de escrever um e-mail importantíssimo enquanto está com o filho no colo, exemplifica a empresária.
Isso é mais comum no caso das mães empreendedoras, diz Heloisa, da Rede Mulheres Empreendedoras. “Ela tem aquela ideia de ser multitarefas, e isso leva à frustração. Tome cuidado: a gente não é mulher-maravilha”.

3. Divida tarefas e aceite ajuda
Lembre-se: cuidar dos filhos é uma responsabilidade tanto do pai quanto da mãe, afirma Heloisa. Para a especialista, ainda é comum que as mulheres acabem ficando com mais tarefas em relação aos pequenos, o que gera sobrecarga e frustração. “Muitas atividades com os filhos recaem sobre elas, e depois vem a culpa de não arranjar tempo. A responsabilidade precisa ser compartilhada, então não faça tudo sozinha”, aconselha.
Caso você não tenha alguém com quem dividir o cuidado dos filhos, aceite que terá de conseguir algum tipo de assistência, seja ela paga (como uma babá) ou não (parentes e amigos), aconselha Lucia. “Essa pessoa pode ficar com o filho enquanto você trabalha, mesmo que você esteja no mesmo ambiente”, explica. Heloisa chama esses contatos já combinados de “anjos da guarda”. “Pense antes no que você fará caso haja alguma emergência com sua criança. Não deixe esse pedido de ajuda para ser feito em cima da hora”, recomenda.
Na mesma linha, delegue tarefas profissionais quando for possível: “Hoje, há tecnologias que ajudam a fazer controles que não requeiram sua presença no negócio, como relatórios financeiros, fechamento de caixa e segurança. Com isso, o empreendedor pode monitorar parte da operação à distância ou então ter uma equipe. Tudo isso ajuda a dar mais flexibilidade no tempo, gerando autonomia”, diz Alice, do Sebrae.

Por Mariana Fonseca
Fonte Exame.com