quinta-feira, 20 de julho de 2017

COMO QUEBRAR O CICLO DO ENDIVIDAMENTO DE UMA VEZ POR TODAS

A maioria dos consumidores inadimplentes volta a atrasar o pagamento das dívidas após um ano

A renegociação de dívidas exige planejamento financeiro. Realizar um acordo com o credor, mas não conseguir cumprir o pagamento do débito durante o prazo estipulado pode levar a um ciclo de inadimplência que nunca termina.
Estudo realizado pela Boa Vista SCPC (Serviço Central de Proteção ao Crédito) aponta que a maioria dos brasileiros volta a ficar inadimplente um ano depois de quitar os débitos e que já voltaram a ter o nome sujo apenas três meses depois de sanar as pendências financeiras.
Algumas dicas para evitar que seu orçamento volte a ficar no vermelho:

1) Proponha um valor que poderá pagar
É comum o credor oferecer uma proposta que parece atrativa à primeira vista, diz Ronaldo Gotlib, consultor financeiro e advogado especializado em direito do devedor. "Mas, antes de aceitá-la, é recomendável refletir se, de fato, os pagamentos não irão pesar no orçamento".
Uma solução é ter em mente qual é o valor que realmente pode ser destinado ao pagamento das parcelas da dívida. Primeiramente, calcule sua renda mensal, descontados impostos e eventuais benefícios, e subtraia desse valor os gastos essenciais, como despesas da casa e com a saúde.
Em seguida, observe quais são seus gastos supérfluos e quais deles podem ser eliminados (sem deixar de ser bem realista) e subtraia também essa quantia da sua receita. Assim, você chegará ao valor que deve ser proposto como pagamento mensal do débito ao banco sem correr o risco de fazer uma proposta maior do que o seu bolso poderá arcar.

2) Dívidas longas exigem atenção redobrada
As parcelas da dívida não devem apenas caber no orçamento. Também é indicado evitar que o pagamento do débito seja prolongado por muito tempo. Quanto mais longo for o prazo para quitar o débito, mais juros serão cobrados e maior o risco de um novo descontrole.
Em prazos longos também é mais difícil prever mudanças no cenário econômico que possam ter impacto negativo sobre o orçamento pessoal. Situações imprevistas que geram gastos adicionais ou perda de renda podem impossibilitar o pagamento das parcelas.
Uma solução simples é verificar se, em um período mais curto, ainda é possível fazer com que as parcelas das dívidas caibam no bolso, diz Gotlib.
Outra maneira de se prevenir contra as dívidas é reduzir ainda mais o volume de gastos supérfluos e separar um valor mensal com o objetivo de formar uma reserva financeira para emergências. Essa poupança poderá te ajudar a cumprir o compromisso financeiro no caso de imprevistos.
Uma dica para cortar gastos que não são essenciais é reduzir o pacote de TV a cabo ou o plano de celular, por exemplo.

3) Crie hábitos financeiros mais saudáveis
Antes de renegociar e planejar o pagamento da dívida, o consumidor também deve se conscientizar sobre qual foi o motivo que provocou o descontrole. "Limpar o nome, mas voltar a ter acesso ao crédito sem controle ou manter o nível de gastos antes de honrar o acordo definitivamente não irá resolver o problema", diz Gotlib.
Nesse caso, o risco de as parcelas da dívida renegociada e dos novos débitos se acumularem diante de qualquer imprevisto é grande, assim como a possibilidade de que esse comportamento cause um novo descontrole nas finanças, explica o consultor financeiro.
O melhor caminho é evitar tomar crédito e reduzir gastos não apenas durante o pagamento da dívida, mas de forma permanente, com o objetivo de construir um patrimônio sólido para o futuro.
Vale fazer uma análise profunda sobre suas finanças para verificar se o descontrole tem sido causado pela tentativa de sustentar um padrão financeiro incompatível com sua capacidade de geração de renda.
Em alguns casos, de nada adianta atacar as beiradas, como os gastos supérfluos, se os seus gastos fixos e mais pesados, como o financiamento do seu apartamento ou carro, têm sido o motivo principal da inadimplência.

Por Marília Almeida
Fonte Exame.com