sábado, 1 de julho de 2017

TODO DONO DE GATO TEM MEDO DA PIF

A Peritonite Infecciosa Felina é uma doença contagiosa comum em filhotes entre 3 meses e 2 anos de idade
Quem tem ou já teve um gato não quer nem ouvir falar em PIF

Quem tem ou já teve um gato não quer nem ouvir falar em PIF. A sigla é usada para identificar a Peritonite Infecciosa Felina,  uma doença contagiosa comum em filhotes entre 3 meses e 2 anos de idade, mas que também pode acometer gatos idosos ou imunossuprimidos (com o sistema imunológico debilitado por outras doenças).
Nem todos os gatos portadores do vírus ou que tiveram contato com animais doentes desenvolvem a doença. Porém, como não tem cura, aqueles que adoecem acabam condenados. O controle é difícil e trabalhoso, principalmente em lares ou abrigos com muitos animais. Situações causadoras de estresse, como a separação, a mudança de ambiente, o isolamento e a chegada de um novo hospede no lar podem diminuir as defesas do felino e abrir portas para infecções. Por isso a prevenção deve focar sempre na diminuição do estresse e na individualização de objetos pessoais, como comedouros, bebedouros e, principalmente, caixas sanitárias —  já que a via de contaminação é oro-fecal, ou seja, o gato saudável precisa entrar em contato com as fezes do portador para pegar o vírus.
Gatos de raças puras, como Persas, Bengals e Ragdolls, são mais predispostos a desenvolver a doença.  A transmissão da mãe para os filhotes também pode ocorrer durante a gestação ou amamentação. Locais com grande concentração de gatos, como gatis ou abrigos, são propícios para a transmissão do vírus, que, apesar de sensível a desinfetantes comuns, pode permanecer intacto por semanas no ambiente.
Existem duas formas de PIF: a efusiva (úmida) e a não efusiva (seca). Elas são determinadas pelo tipo de resposta imunológica do animal. Alguns gatos podem desenvolver as duas formas. Os sintomas são bastante inespecíficos e podem levar de dias a semanas para aparecer. Desidratação, falta de apetite (anorexia), febre, perda de peso e diarreia são alguns deles. Pode haver acumulo de líquido na pleura (membrana que envolve o tórax/ pulmões), no peritônio (membrana que envolve o abdômen) e no pericárdio (membrana que envolve o coração). Formações podem ser palpadas no abdômen (barriga) devido ao aumento dos gânglios ou aderências. Em casos mais avançados, o animal tem falta de ar e respiração acelerada, ficando com a boca aberta e a língua azulada. A pele, olhos e mucosas podem ganhar tom amarelado (icterícia). O animal também pode apresentar lesões nos olhos, como uveítes, hifema (acúmulo de sangue nos olhos) e descolamento de retina. A PIF é a principal causa de uveíte em gatos, por isso animais com este tipo de alteração deve ser tratada com atenção.
Quando o sistema nervoso central é acometido o gato apresenta alterações neurológicas como incoordenação, convulsão, depressão mental, paralisia, entre outros. Nestes casos, as chances de cura diminuem ainda mais. Para fechar o diagnóstico, o veterinário se baseia no histórico e nos sinais clínicos. Os exames de sangue, de imagem, testes sorológicos e de DNA auxiliam no tratamento, mas o diagnóstico definitivo só pode ser feito por meio de biópsia ou necropsia. É importante alertar que testes positivos para o coronavírus não caracterizam obrigatoriamente PIF, pois nem todo animal com este vírus terá a doença. Este fator pode dificultar a conclusão do diagnóstico ou comprometer, falsamente, gatinhos soropositivos, mas que nunca terão PIF.
Como ainda não há cura para a PIF, o tratamento é paliativo. Antibióticos, antinflamatórios e quimioterápicos reduzem a velocidade de progressão da doença e podem propiciar uma melhor qualidade de vida ao animal. Medicações antivirais e imuno-moduladoras são usadas para minimizar os efeitos adversos da PIF. Punções para a retirada do acúmulo de líquido no tórax e ou abdômen também dão mais conforto ao gatinho adoentado.
A prevenção é um desafio. Gatos doentes ou positivos para o coronavírus não devem ter contato com filhotes nem gatos idosos ou debilitados por outras doenças pois estes têm mais risco de contrair a doença. Por isso, antes de introduzir um novo gato em casa, consulte sempre o  veterinário e respeite as orientações e o período de quarentena recomendado para minimizar os riscos de transmissão para os antigos moradores e novos hóspedes. Mantenha o ambiente e os pertences dos animais sempre limpos, esvazie a caixa de areia e limpe-a por completo ao menos uma vez por semana.

Por Fernanda Fragata
Fonte Exame.com