quarta-feira, 15 de março de 2017

QUANDO O CURRÍCULO NÃO É O SEU ALIADO

Confira algumas “pérolas” que podem contribuir para o fracasso em processos admissionais

Não dizem que “a primeira impressão é a que fica”? Pois no caso de recrutamento de profissionais para uma vaga de emprego, essa máxima é mais que verdadeira: o currículo pode derrubar um candidato e não há sequer a chance de uma segunda impressão. A consultoria americana CareerBuilder fez um levantamento de "pérolas" de currículos responsáveis por eliminar candidatos de processos de seleção. A empresa ouviu 2.298 recrutadores. Um candidato destacou que ele foi o príncipe do baile de formatura em 1984. Outro informou que sabia falar "antártico" ao se candidatar para um trabalho na Antártida. E teve ainda um profissional que listou "caçar crocodilos" como uma de suas habilidades. Confira as dicas de headhunters brasileiros para que seu currículo não seja o responsável por sua precipitada exclusão de um processo seletivo.
— Um rapaz que concorria a uma vaga na área de gerência de marketing enviou uma foto dele abrindo a camiseta e exibindo uma outra com o logotipo do personagem Superman. Buscamos consistência nos dados dos currículos, não humor. Quando avaliamos o que esse candidato nos apresentava, além da foto irreverente, não encontramos informações consistentes relacionadas a resultados alcançados por ele nas experiências anteriores — conta Andréa Santos, sócia-diretora da Ascend RH, que acredita que fotos não são essenciais nos currículos.
Outro problema citado com recorrência entre os profissionais de RH é o excesso de informações. A maioria afirma que duas páginas é o aceitável e que o poder de síntese é uma característica apreciada.
— Um candidato nos enviou um currículo informando ser vice-presidente de um grupo de atabaque. Qual é a relevância disso para alguém que está se candidatando a uma vaga em uma empresa do ramo de alimentação? — questiona Julyana Felicia, gerente de RH da rede MegaMatte.
Selma Fredo, consultora de carreira da LHH|DBM, consultoria internacional de desenvolvimento profissional, lembra que não é só o currículo que pode eliminar o candidato:
— Se recebemos o documento de um endereço de e-mail com apelidos íntimos ou infantis, já encaramos o que veremos depois com menos seriedade. Também é importante pensar no telefone que informa no currículo. Quem atenderá a ligação está preparado para passar uma boa imagem sua? A mensagem da secretária eletrônica tem gracinhas? Tudo isso tem que ser pensado, porque é, sim, levado em consideração — afirma Selma.
Tomar cuidado com a veracidade das informações também é essencial. Você pode declarar determinada qualidade e desmenti-la na linha seguinte.
— Se o candidato afirma que tem inglês fluente e escreve errado o nome de um curso na língua inglesa, por exemplo, é muito chato. Não passa a confiança que o recrutador busca e pode ser crucial no sucesso ou não da pessoa — diz Selma.
Porém, criatividade e um pouco de ousadia podem ser bem-vindas. Mas é preciso avaliar para qual cargo e empresa você está se candidatando.
— Para as áreas de design e publicidade, por exemplo, pode ser bacana ser menos sisudo na apresentação de seu currículo. Mas o conteúdo não pode ser engraçadinho, a ousadia deve se limitar ao formato, com fontes mais bacanas ou cores — esclarece Ylana Miller, sócia-diretora da Yluminarh Desenvolvimento Profissional e professora de gestão de carreira do Ibmec/RJ.
Todas as profissionais são unânimes ao dizer que o bom-senso é essencial na formulação do currículo. O recrutador analisa vários diariamente e se alguma informação não condizer com a política da empresa ou se o documento for muito extenso, você pode até ter as competências necessárias para o cargo, mas não chegará nem a ser avaliado mais profundamente.

Por Amanda Moura
Fonte O Globo Online