terça-feira, 4 de abril de 2017

TRANSFORMANDO LIXO EM ENERGIA


O Brasil possui grande potencial para gerar energia elétrica a partir de resíduos sólidos e a alternativa poderia aumentar a atual oferta do país em 50 milhões de Megawatt-hora por ano, ou mais de 15% do total atualmente disponível (cerca de ¼ do que gera a usina hidrelétrica de Itaipu).
Porém ainda há muitos desafios a vencer. O maior deles é a desinformação – poucos acreditam ser possível que o lixo pode se tornar fonte de energia – o que resulta no subaproveitamento do potencial brasileiro. Além de algumas iniciativas quanto ao aproveitamento de biogás de aterros, não existem projetos com outras tecnologias em curso no país para explorar todo este potencial.
No entanto, existem alguns centros de pesquisa que têm se dedicado ao estudo da conversão do lixo em energia e suas inúmeras aplicações, como o Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia (COPPE), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que vem se destacando nas pesquisas sobre este tipo de energia.
A energia elétrica via lixo pode ser obtida de duas formas: pela incineração da parte seca e pela compostagem da fração orgânica. No processo de incineração, a energia é gerada através da queima completa dos resíduos secos. Esse processo produz monóxido de carbono (CO), que apresenta poder calorífico, isto é, pode ser queimado para gerar energia.
Já no processo de compostagem é feita a fermentação anaeróbica (decomposição da matéria orgânica) do lixo por microorganismos, gerando um conjunto de gases denominado biogás. A fermentação é geralmente feita em biodigestores, ou em aterros sanitários munidos de sistema de dutos de coleta do biogás.
O biogás possui entre 50% e 70% de metano (CH4), que tem poder calorífico. As duas grandes vantagens deste sistema é que sua agressão ao meio ambiente é praticamente nula, e que o biogás pode ser armazenado para a geração de energia elétrica no horário de pico, por exemplo.
O lixo doméstico é composto de 60% de matéria orgânica, 30% de matéria seca e 10% de matéria não aproveitável. Numa cidade que gera 350 toneladas/dia de lixo, as 210 toneladas de orgânicos forneceriam cerca de 2,5 MWatts. A fração seca, apesar de menor, produziria 3,5 MW devido ao maior poder calórico de seus componentes: borracha, madeira, plástico, papel. Esses 6MW totais seriam suficientes para abastecer 60 mil residências.

Por Chris Bueno