segunda-feira, 13 de março de 2017

CHECKLISTS
































Sua vida está uma confusão e você não sabe por onde começar a arrumar? Tente uma lista de prioridades.

A ideia de fazer listas escritas de tarefas, que os anglo-saxões chaman de checklists, existe há séculos. Uma receita de bolo é, no fundo, uma sequência de procedimentos a realizar. Sem lista não seria possível controlar missões complexas como levar uma nave à Lua, fabricar um automóvel ou pilotar um avião. A novidade captada por pesquisas recentes é que as listas podem ser úteis numa gama muito maior de situações – sobretudo na vida prática. No mundo moderno, qualquer pessoa realiza tarefas complexas ou lida com um número exagerado de tarefas todos os dias. “As listas são simples e acessíveis. Podem contribuir com melhorias impressionantes em qualquer área”, afirma Atul Gawande, autor de Checklist – Como fazer as coisas bem feitas. O livro inclui uma série de exemplos de aplicação de listas em várias áreas de atividade. Gawande diz que a vida se tornou muito complexa e que é praticamente impossível tomar decisões e realizar tarefas sem algum tipo de controle ou de ajuda. A memória não dá mais conta.
A eficácia de uma lista baseia-se em dois elementos: o conhecimento acumulado de quem a organiza e a simplicidade, que permite que ela seja entendida por qualquer um. Dentro desses limites, há uma enorme variedade de modelos e aplicações. Cada pessoa tem um jeito de fazer listas e alguns podem ser bem inusitados.
A grande preocupação dos defensores das listas é evitar erros. Eles fazem distinção entre erros de ignorância (que acontecem porque não sabemos fazer algo) e erros de inépcia (que ocorrem quando não fazemos bom uso do conhecimento que temos). Gawande acredita que, na maior parte das vezes, as falhas são do segundo tipo e, portanto, evitáveis. “Os erros ocorrem não por falta de esforço das pessoas, mas apesar de todo esforço que fazem e de todo o preparo que têm”, diz ele. Ele defende as listas de checagem para tarefas de alta complexidade, em qualquer área, inclusive no cotidiano de um executivo ou de uma mãe com tripla jornada. “Criar filhos é uma das atividades mais complicadas da vida moderna”, diz ele.
A necessidade de listas criou mercado para um novo tipo de profissional. São organizadores de rotinas, também chamados pela expressão em inglês personal organizers. Isso não quer dizer ficar neurótico ou escravo. Elas ajudam a eleger prioridades, mas devem ser flexíveis. “A lista existe para lembrar, não para obrigar”.

Por Flávia Yuri & Alexandre Melo